A ressurreição londrina
10 de agosto de 2013
Categoria: Futebol e Internacional

 

Texto de Luiz Felipe Zaguini

A temporada 2015/16 do Chelsea foi para se esquecer. Crises internas, mau desempenho nas competições domésticas e uma eliminação inevitável na Champions League caracterizam uma das mais desastrosas temporadas dos Blues nos últimos 25 anos.

Mesmo antes de 2003 o resumo da temporada não tinha sido tão catastrófico: “recordes negativos” foram quebrados, o elenco se dividiu, casos lamentáveis — principalmente envolvendo José Mourinho e o sexismo contra Eva Carneiro, então fisioterapeuta-chefe do clube — foram alguns dos pontos-chave que contribuíram para uma temporada terrível.

Recapitulando: o técnico português viria a ser demitido em dezembro, dando lugar à Guus Hiddink, que tinha (e ainda tem, na minha opinião) uma reputação considerável entre os torcedores e diretoria do Chelsea. Ele veio, mas não fez milagres: décima colocação, eliminação nas oitavas de final da Champions League (e a consequente exclusão da próxima temporada da competição), e um desempenho fraco nas Copas nacionais.

Para o alívio dos torcedores e simpatizantes, a temporada acabou. A nova temporada bate à porta. E com ela, muitas mudanças!

A expectativa pelo rendimento de Conte é bastante positiva no Chelsea.

 

A primeira delas é em relação ao técnico: depois de um campeonato europeu em que surpreendeu com a Itália, Antonio Conte assumiu o time londrino com certa confiança em dias melhores por parte da torcida. Além disso, a diretoria apoia com louvor o técnico e crê numa recuperação.

Logo que chegou, já disse coisas que deixaram qualquer torcedor do Chelsea em êxtase. Aqui você pode conferir tudo, mas vou dar uma amostra:

“O Chelsea pertence à Liga dos Campeões e temos de estar sempre lá. E eu sei o único caminho para levar o clube de volta para competir e ganhar títulos: trabalho, trabalho, trabalho.”

“Eu sofro durante os jogos, mas eu não deixo meus jogadores verem isso, ou os fãs verem isso. E o que eu espero é que haja uma pequena fagulha neles para que eu possa, eventualmente, transformar isso em um inferno em chamas.”

“A pressão para mim não é importante. Eu nasci com a pressão. É normal quando você é um jogador ou treinador de um grande clube.”

“Temos de lutar pelos títulos, pela Liga dos Campeões e temos de estar entre os melhores. Cada treinador tem a sua própria ideia de futebol e quero transferir as minhas ideias para os jogadores.”

Além disso, logo de cara fez duas contratações: uma que pode vir a dar certo e uma pontual. A primeira foi de Michy Batshuayi, atacante belga que veio do Olympique de Marseille. Conte gosta de jogar com dois atacantes, então ele veio para fazer a dupla com Diego Costa na linha de frente, mudando o conceito de jogo atual do Chelsea (4–2–3–1 para um provável 3–5–2).

O belga deve ser peça importante no esquema dos blues.

Sobre o 3–5–2 na Premier League: confesso que tenho um receio depois do que aconteceu com Louis van Gaal no Manchester United, em que o treinador holandês simplesmente fez um fiasco. A Premier League não é jogada com três zagueiros. Mas, vamos ver o que Conte faz, talvez van Gaal tenha cometido erros além da tática, pode ser precoce afirmar que a tática não funcionará.

No amistoso contra o Rapid Viena, uma derrota por 2 a 0, o italiano continuou usando o 4–2–3–1, porém não contava com seus reforços e nem com o time titular completo, o que impediu mudanças, isso tirando o fato de não ter trabalhado ao menos uma semana com o time. É questão de tempo para ver a desenvoltura tática do time.

A outra contratação, a pontual: N’Golo Kanté. O meio-campista do Leicester se juntou ao Chelsea e em uma posição na qual o clube estava carente: John Obi Mikel não joga mais no mais alto nível e Nemanja Matic não consegue recuperar sua forma.

A contratação de Kanté é excelente para o Chelsea. O francês é muito bem vindo pela torcida e por Conte.

 

Reforço sensacional. Kanté deixou de lado clubes que disputam Champions League e não disputará a Champions com os Foxes porque viu uma grande oportunidade no Chelsea. A longo prazo, o Chelsea tem muito mais suporte que o Leicester, mas isso é assunto para outros textos.

Além das duas já confirmadas, Riyad Mahrez está nos planos dos Blues e pode ser contratado. Com esses reforços, o Chelsea terá uma equipe que já briga por uma posição mais digna na tabela, é possível uma classificação para a Champions League. Na minha opinião, e eu espero que seja a mesma de Conte e Emenalo, diretor de futebol do clube, é necessário mais um goleiro (Courtois seria vendido nesse cenário, Gerónimo Rulli e Gianluigi Donnarumma são opções) e outro zagueiro, haja visto que Christensen não voltará essa temporada — o empréstimo ao Borussia Mönchengladbach tem duração de dois anos, e o time alemão tem intenção de comprar o jogador.

Fora das competições europeias pela primeira vez desde 2003, o Chelsea deve ter mais tranquilidade e tempo para trabalhar. Deve ter mais condições para analisar adversários, montar táticas e planos de jogo para, finalmente, voltar ao lugar no qual nunca deveria ter saído. É hora da Ressurreição do clube de Stamford Brige, e essa temporada promete.

Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.