A realidade do futebol fora dos grandes centros – Marco Morgon
28 de fevereiro de 2016
Categoria: Entrevistas

 

Marco Morgon é um meia brasileiro, que é ídolo em alguns clubes da Guatemala. Hoje, é jogador do Alianza Petrolera, da Colômbia, mas está emprestado ao Huehueteco, clube da primeira divisão guatemalteca. Já rodou por vários clubes das divisões inferiores de Espanha e Portugal, e também teve passagem pelo San Marcos de Arica, vencendo a segunda divisão chilena em 2014. No Brasil, foi revelado pelo EC Varginha, após fazer parte das categorias de base do Corinthians. O lugar que teve mais destaque na carreira, com certeza, foi no país da América Central. Pela Liga da Guatemala, já foi artilheiro da competição, jogando pelo Deportivo San Pedro, e na temporada seguinte foi o líder de assistências atuando pelo Deportivo Mictlán. Também teve passagem pelo Cobán Imperial no país centro-americano. Nessa entrevista, ele nos contou um pouco de suas experiências em ligas pouco conhecidas do público brasileiro, falou sobre a possibilidade de naturalização, e sobre o sonho de voltar a atuar no Brasil. Confira:

 
1. Tendo contrato com o Alianza Petrolera –COL até agosto, e com o contrato de empréstimo ao Huehueteco terminando antes, você vê com bons olhos uma renovação com o clube colombiano Acha que isso tem uma possibilidade grande de ocorrer? 
Voltar a jogar com Alianza Petrolera é algo que sempre tenho como desejo, acho que até agosto muita coisa pode acontecer. Acredito que o jogador tem que estar preparado para tudo, se tiver que voltar a Colômbia, voltarei com a mesma gana, e se tiver que permanecer na Guatemala ou até mesmo jogar em outro país, a vontade e o desejo de vencer serão os mesmos de sempre.
2. Qual foi a sensação de conquistar o título da Primeira Divisão B (segundo nível nacional) do Chile em 2014? Com certeza foi uma passagem marcante pelo San Marcos de Arica. A segunda divisão chilena é comparável a qual outro campeonato que você já jogou?
 
Foi sem dúvida o título mais marcante da minha carreira, a segunda chilena é tão boa quanto a Série B do futebol brasileiro, a principal diferença é a intensidade e a velocidade dos jogos. No Brasil o futebol é mais lento, e sem dúvida se deixa jogar muito mais. No Chile e na Colômbia os marcadores dão pouco espaço, tem que pensar rápido.
Marco, ao centro, comemora o título com a equipe do San Marcos de Arica
 
3. O Brasil, tanto os clubes quanto a seleção, tem muito respeito na Guatemala? Como ficou a
visão sobre o país após o 7×1?
 
O 7×1 fez muita gente acreditar que o Brasil já não era o mesmo de anos atrás, mas tanto na Guatemala como na Colômbia, o futebol brasileiro ainda é muito bem visto, como um futebol técnico e bonito, mas nitidamente no mercado sul-americano e centro-americano, o jogador brasileiro vem perdendo espaço para os uruguaios e argentinos justamente por não ter esta intensidade necessária, como disse anteriormente.
4. Fazendo uma comparação entre as divisões inferiores europeias e a divisão principal da Guatemala, onde é apresentado o melhor nível técnico? E existe alguma grande diferença em relação a estrutura dos clubes e organização do campeonato em geral?
 
Acho que Primeira divisão da Guatemala está no mesmo nível que a Segunda Divisão Portuguesa ou até mesmo uma Segunda B espanhola. Na Guatemala existem jogadores de grande qualidade técnica, porém a maioria destes jogadores têm pouca ambição.
 
5. A seleção guatemalteca foi vice-campeã da Copa Centroamericana em 2014, perdendo a final
para a badalada Costa Rica. Acompanhando de perto, como você vê a evolução do futebol local? Acredita que o país possa se classificar para as Copas de 2018 ou 2022? 
 
A seleção da Guatemala em nível técnico, ao meu ver, é melhor que a seleção Hondurenha e está no mesmo patamar da seleção da Costa Rica, mas acredito que em termos de competitividade estas seleções estão muito à frente da Guatemala. Eu, por gratidão ao respeito e o carinho que o País tem por mim, espero que eles possam classificar, pois a população merece esta alegria.
 
6. Qual a relação que a população tem com a seleção nacional da Guatemala? Os guatemaltecos têm alguma rivalidade forte com algum país vizinho?
 
O povo ama a seleção, quando vencem uma partida é uma alegria fora do normal. Com relação a rivalidade, o México é encarado como o principal rival da seleção da Guatemala.
7. Qual o tamanho da idolatria da população para com o atacante Carlos Ruíz, que é o maior artilheiro, jogador que mais vestiu a camisa da seleção e atual capitão da Guatemala?
 
Carlos Ruiz “El Pescado”, é um exemplo até para nos jogadores de fora. Ele é o melhor jogador da história do futebol da  Guatemala, e ainda lidera um “grêmio” de defesa dos jogadores (uma espécie de Bom Senso FC). É um verdadeiro jogador exemplar, para todos.
Carlos Ruiz é o maior jogador do país da América Central
8. Existe algum jogador em que você se espelhe, tanto dentro de campo quanto na trajetória dentro do futebol?
 
Eu sempre gostei muito do jeito de jogar do Denílson, sempre foi um jeito de jogar que me agradava e eu tentava imitar. Entre os jogadores que ainda atuam, sem dúvida Isco Alarcón (Real Madrid) é o jogador que mais me agrada.
 
9. Após jogar tanto tempo no país e virar ídolo de alguns clubes guatemaltecos, você pensa em se naturalizar e tentar uma chance na seleção nacional?
 
Esse é um tema até certo ponto delicado. Já fui sondado por antigos treinadores da seleção, mas acabei indo jogar em outros países e não pude dar seguimento na nacionalização. Sem dúvida, se existir algum dia a possibilidade, seria uma honra para mim representar a seleção da Guatemala.
10. Após passar
tanto tempo no exterior, sonha em retornar ao futebol brasileiro? Se pudesse
escolher um time para jogar por aqui, teria alguma preferência?
 
O sonho de jogar em um clube grande do Brasil tenho desde criança, mas acredito que hoje, com 27 anos, o Brasil ficou distante e a mentalidade dos dirigentes que comandam o futebol brasileiro, que pensam que jogar a Série A da Colômbia é um campeonato fraco, faz com que jogadores como eu busquem estar aonde somos valorizados. Não teria preferência de clube, mas ainda tenho como sonho jogar uma Série A ou Série B de Campeonato Brasileiro, estando próximo da minha namorada e de pessoas que eu amo, já seria uma felicidade completa!

 

11. Queríamos agradecer a entrevista, e desejar muita sorte em sua carreira. Sinta-se a vontade para comentar sobre algum assunto que não foi abordado anteriormente. Grande abraço de toda a equipe 4-3-3!
 
Gostaria de agradecer a oportunidade, agradecer minha mãe por todo apoio que me deu até hoje na minha vida e na minha carreira, toda minha família, amigos e namorada. Agradecer também a todos os clubes, em todos os lugares do mundo que passei, onde as pessoas sempre demonstraram carinho por mim. Resumindo: Obrigado Futebol!
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Postado por Leonardo Tudela Del Mastre Natural de Sorocaba-SP, amante do futebol do interior paulista e torcedor de São Bento e Corinthians. Além do amor pelo interior, viciado no futebol como um todo. Formado em Processos Gerenciais pelo IFRS.