A perspectiva romena do futebol – Ciprian Marica
27 de julho de 2017
Categoria: Entrevistas

 

Com uma carreira de sucesso pela Europa, o romeno Ciprian Marica teve diversos momentos de sucesso. Embora não tenha conseguido jogar uma Copa do Mundo com sua seleção, foi peça importante do elenco nacional durante bons anos. O atacante conversou conosco e dissecou um pouco mais a visão da Romênia para com o futebol, falou sobre os times brasileiros conhecidos por lá e, claro, sobre a UEFA Champions League do Steua Bucareste, até hoje o título mais importante conquistado por um clube romeno.

Confira na íntegra:

1- Aqui no Brasil, quando se trata de Romênia no âmbito do futebol, geralmente lembramos de jogadores como Hagi, Chivu e Adrian Mutu. Falando de clubes, o primeiro que vem na mente do brasileiro é o Steua Bucareste, sem dúvidas. Na Romênia, qual a impressão que se tem do futebol brasileiro? Quais times são conhecidos aí?

O futebol brasileiro é uma inspiração para os fãs romenos. Com certeza todos aqui conhecem Pelé, mas também jogadores como Ronaldo ou Ronaldinho. Roberto Carlos e Rivaldo também são famosos aqui e, recentemente, Neymar jr, devido ao projeto Neymar Jr’s Five em que também participei em nível nacional, especialmente depois que uma equipe amadora romena ganhou o torneio no Brasil. Os clubes mais conhecidos da Romênia são, com certeza, São Paulo, Flamengo e Fluminense.

2- Qual é o peso do título europeu do Steua para o país? Como o Romeno vê a atual polarização do futebol no continente europeu?

Foi uma grande conquista para a Romênia e agora eu acho impossível para um clube de futebol romeno fazer isso de novo. Naquele tempo tivemos uma “Geração Dourada” de jogadores que me deixou muito orgulhoso e me inspirou a jogar futebol. Agora, podemos apenas sonhar em ter tais performances no futebol, o sucesso deles sempre será lembrado aqui na Romênia.

3- Você esteve dos dois lados da rivalidade entre Dínamo e Steua Bucareste. Como você avalia essa rivalidade entre as duas equipes?

Acho que a rivalidade não é tão grande como já foi no passado. Naquele tempo, o Dinamo estava sob a jurisdição do Ministério do Interior e o Steaua Bucuresti (como é chamado originalmente) era o clube do Ministério da Defesa Nacional e, claro, a rivalidade era muito grande. Agora essa rivalidade não é tão extrema como no passado.

O maior clássico da Romênia já teve dias melhores.

4- Mesmo atuando com a seleção durante longos anos, dificilmente chegaram a competições importantes como a Eurocopa (se classificou para a de 2008 apenas) e Copa do Mundo. Na sua opinião, a que se deve esse insucesso?

Eu joguei para a Romênia durante a eliminatórias para o Euro 2008, quando marquei seis gols que ajudaram a nossa equipe a classificar-se. Infelizmente perdi o torneio final devido a uma lesão. Podemos discutir muito sobre os motivos, mas acho que a falta de investimento no esporte é o principal fator. Estou muito triste que também para o próximo torneio já estamos de fora e acho que temos que mudar nossa estratégia partindo das raízes.

5- Você atuou com regularidade pelo Shakthar e pelo Stuttgart, qual momento define como o ápice da sua carreira? Porque?

Os melhores momentos são quando você ganha troféus e ganhei a maioria dos troféus com Shakthar, então esse foi provavelmente o melhor período da minha carreira.

6- Qual foi o melhor jogador que já atuou ao seu lado? E o melhor que já enfrentou?

Eu sempre me lembrarei dos jogos contra Alessandro Nesta e Jaap Stam. E também tenho boas lembranças com Raul, Mario Gomez, Klaas-Jan Huntelaar e Darijo Srna. Foi uma honra jogar com eles durante minha carreira.

Raul González, a lenda espanhola.

7- Em vários momentos da sua carreira houveram times de expressão interessados em você, tais como Lazio, Inter, Manchester City entre outros. Se arrepende de não ter ido para algum?

Havia outras equipes também, mas não me arrependo de nada. Meu único arrependimento é que eu tive que parar minha carreira devido a problemas físicos.

8- Se pudesse escolher um time que não jogou ainda para atuar, qual seria?

Real Madrid.

9- Ainda com 31 anos, você teve de se aposentar. Tem algum plano para o futuro?

Devido a uma lesão, fui forçado a abandonar carreira ativa no futebol, mas um dia eu quero devolver todas as coisas boas que o esporte me deu. Então, agora volto a escola, estudando Negócio do Esporte e Administração nas melhores escolas da Romênia, Espanha e Alemanha. Também criei a “Fundação Ciprian Marica”, com uma clara missão de apoio e promoção do desempenho em educação e esportes.

Infelizmente a carreira do atacante foi abreviada.

10- Dos títulos que já ganhou, qual deles foi o mais marcante para a sua carreira? Porque?

Os títulos ganhos com o Dinamo foram muito importantes. Eu era um jogador jovem e esses resultados significavam muito para minha futura carreira.

11- Obrigado pela atenção e disponibilidade, a equipe 4-3-3 te deseja toda a sorte do mundo. Faça suas considerações finais!

Obrigado a todas a equipe 4-3-3 por esta oportunidade e a todos os seus leitores por serem tão apaixonados pelo futebol. Estou ansioso para conversar com vocês no futuro próximo sobre minha nova carreira “administrativa” neste esporte que eu amo tanto.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.