A mudança de posicionamento que explica o melhor desempenho de Zaha nessa temporada
15 de novembro de 2020
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

 

O Crystal Palace está tendo um ótimo começo de temporada, os comandados de Roy Hodgson ocupam a 8ª posição, mas estão a apenas três pontos do G4. E se nessa temporada alguns times estão tendo um começo de campeonato surpreendente e bem acima das expectativas, como Aston Villa e Leeds, o desempenho do clube londrino não é uma surpresa, pois na temporada passada o clube também começou bem o campeonato, conquistando 14 pontos nas 8 primeiras rodadas. Nessa edição os resultados estão bem parecidos, com o time chegando aos 13 pontos nos oito primeiros jogos. Desde que Hodgson assumiu o comando da equipe as temporadas foram mais tranquilas no Selhurst Park, com o time conseguindo se manter distante da briga contra o rebaixamento.

E se essa temporada tem um começo bom e parecido com a anterior, ela tem ainda outro fator muito positivo: o melhor desempenho de Wilfried Zaha. Já são 7 participações em gols do atacante dos Eagles. Ou seja, em oito rodadas o atacante marfinense já se envolveu na mesma quantidade de gols que ele havia participado ao longo de todo o campeonato passado. Esse ótimo desempenho de Zaha nesse início de campeonato, com média de participação de quase 1 gol por partida, passa por uma mudança feita por Hodgson na formação da equipe e no posicionamento de Zaha.

Na temporada passada a equipe atuou majoritariamente no 4-5-1/4-3-3. Nessa formação Zaha jogava como ponta e algumas vezes pela direita, devido à fase ruim de Townsend que obrigava Hodgson a escalar Ayew na ponta esquerda, com Benteke no centro do ataque.

Essa foi uma das escalações mais utilizadas por Hodgson na última temporada.

Com a utilização de Zaha como ponta pela direita o time perdia uma das principais características do jogador, que é sua capacidade de driblar de fora pra dentro buscando a entrada da área para finalizar, movimento característico de quando ele joga pela esquerda. E jogando como ponta Zaha ainda era atribuído de muitas obrigações defensivas, já que atuando aberto ele tinha ao dever de completar a linha de cinco do meio de campo e ajudar a marcar, geralmente, o lateral adversário, sempre acompanhando-o quando este descia no campo de defesa do Palace.

 

Mapa de calor de Zaha na temporada 19/20.

Com isso, Zaha acabava tendo um espaço muito grande de campo para cobrir, como pode ser visto no seu mapa de calor acima. E como o Palace de Hodgson é uma equipe que defende com o bloco baixo, tendo as duas linhas, de defesa e meio campo, bem próxima da sua área, muitas vezes dentro dela, quando a equipe recuperava a bola para sair em contra ataque o posicionamento de Zaha acabava por atrasar sua participação nos lances, já que ele terminava por estar muito mais próximo da área de defesa do que da área adversária.

Mas para essa temporada, Hodgson implantou uma formação que ele começou a testar nas últimas três rodadas do último campeonato inglês: um 4-4-2 com Zaha como um dos atacantes. E que pese essa mudança não ter tido efeito imediato, já naqueles jogos, ela mostrou um Zaha bem mais participativo e perigoso para as defesas adversárias. Foram 9 chutes nos três jogos, ou seja, uma média de 3 chutes por jogo nesse período, muito superior a média de apenas 1 chute por jogo que ele registrou naquele campeonato como um todo.

 

O mapa de calor dos últimos três jogos da Premier League passada já mostrou um Zaha com bem menos obrigações defensivas de recomposição.

 

Jogando como segundo atacante Zaha acaba tendo como principal obrigação defensiva marcar a saída de bola do adversário, principalmente quando esta ocorrer pelo meio com a participação de volantes e meias centrais, como pode ser visto na imagem abaixo, com o camisa 11 do Palace próximo de Anguissa, meia do Fulham.

 

E, como já citado anteriormente, jogando nessa posição Zaha acaba se posicionando em zonas mais perigosas do campo, principalmente no half-space, que é aquele espaço entre a lateral e o centro do campo, como pode ser visto no seu segundo gol marcado contra o Manchester United, onde ele já recebe na entrada da área em condições de girar pra cima de Lindelof e finalizar, enquanto que quando joga como ponta Zaha acaba tendo que enfrentar ainda o lateral adversário.

 

Zaha recebe no half-space, espaço entre as linhas vermelhas, e gira sob Lindelof para marcar seu segundo gol contra o United.

Em outro lance, dessa vez contra o Fulham, é possível ver novamente o Zaha, círculo vermelho, atacando pelo centro, em lance onde ele recebe um passe pelo alto nas costas da defesa e cabeceia para fora.

As estatísticas também comprovam que essa mudança de posição trouxe um melhor desempenho para Zaha. Por jogar mais pelo centro ele acaba não precisando driblar tanto para chegar ao gol, sua média nessa temporada é de 1.4 dribles por 90 minutos, número muito menor que os 4.5 dribles por 90 minutos da temporada passada. E seu posicionamento o permite encontrar-se em mais situações de finalizar: atualmente ele tem uma média de 0.9 chute no gol por 90, quase o dobro do que foi registrado na temporada passada, onde ele terminou com apenas 0.5 chutes no gol por 90 minutos. Enquanto que o total de finalizações por 90 minutos (1.4) também é superior à sua média na temporada passada (1.1). E mesmo assim ele ainda tem um aproveitamento maior nas finalizações, acertando no gol 63.6% das finalizações por 90 nessa temporada, enquanto que no campeonato passado seu aproveitamento foi de apenas 43.6%. Sua maior proximidade da área nessa nova posição também permite que ele possa criar mais oportunidades de gols para seus companheiros, atualmente ele tem uma porcentagem de 1.7 chances criadas por 90 minutos, mesmo realizando menos passes por jogo.

 

Fonte: Squawka

Essa mudança de posição de Zaha foi muito positiva, tanto para o jogador quando para a equipe. Ela passa também pelas recuperações tanto de Townsend, com relação ao seu nível técnico, quanto de Schlupp, nas questões físicas já que ele sofreu com lesões na temporada passada, que permitiram que o camisa 11 pudesse ser deslocado para o ataque sem que o meio de campo perdesse velocidade, qualidade técnica e força ofensiva. A chegada de Eze também traz mais uma opção para os setores de lado do meio de campo, em caso de ausência de algum dos titulares, sem que seja necessário trazer Zaha de volta para o setor.

 

Mapa de calor da atual temporada mostra um Zaha bem menos presente no campo defensivo devido a sua mudança de posição.

 

Essa novidade apresentada pela equipe de Roy Hodgson nessa temporada melhora o desempenho do ataque e, dessa forma, a equipe, que já mostra uma boa solidez defensiva, começa a atual edição do campeonato se destacando ofensivamente também. E com esse equilíbrio entre defesa e ataque o Crystal Palace, liderado por Zaha, tem tudo para fazer mais uma temporada tranquila e até terminar na primeira parte da tabela, dado o equilíbrio apresentado nessa edição de Premier League.

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Postado por Wallas Vieira Técnico em Edificações, cursando Administração. Torcedor de Flamengo e Liverpool. Fã da intensa Premier League e do tático campeonato italiano. Gosta de táticas, crônicas e número sobre o futebol.