A estrela brasileira de Mönchengladbach – Raffael
22 de fevereiro de 2016

Um dos destaques do jovem time do Borussia Monchengladbach, Raffael vem ganhando cada vez mais notoriedade perante os brasileiros que antes não o conheciam pelo fato de não ter jogado muito na sua terra natal. Com gols e (muitas) assistências, o brasileiro vem conquistando cada vez mais a exigente torcida do clube alemão. Conversamos um pouco com o meia-atacante. Ele nos falou do quão importante foi seu início de carreira na Suíça, e até se pensa em voltar para o Brasil no fim de seu contrato!

Confira a entrevista na íntegra:

1. Seu pai também foi jogador de futebol quando mais jovem, atuava como lateral. Desde que se entende por gente já queria seguir os passos de seu pai e se tornar um atleta, ou sua paixão pela profissão surgiu com o tempo?

 
Sem dúvida, quando eu entendi o que era ser jogador de futebol e vi que meu pai era um, isso me despertou um desejo muito forte. E desta forma, foi a primeira coisa que eu pensei em ser quando crescesse.
2. Você começou a sua trajetória no futsal, acha que ter essa raiz te ajuda muito dentro do campo? O
futsal realmente traz uma percepção melhor da qual pode aproveitar pra usar no campo?  O que por exemplo?
 
Acho que eu ter começado o futebol pelo futsal me deu uma vantagem. Eu vejo dessa maneira porque foi no
futsal que eu comecei a ter o primeiro contato com a bola. Inclusive alguns gols que eu fiz dentro de campo, como profissional, foi por causa do futsal. Meus amigos até costumam falar que alguns dos meus gols são gols de futsal.
3. Por incrível que pareça, você foi se profissionalizar na Suíça, caso bastante inusitado. Como sua
carreira profissional foi parar lá e não se iniciou no Brasil?
 
Na verdade eu me profissionalizei no Juventus de São Paulo. Só que logo depois de um mês como profissional, eu fui pra Suíça. Sendo assim, eu poderia dizer que a minha carreira profissional começou na Suíça mesmo, pelo Chiasso.
Raffael decidindo uma partida em pleno Allianz Arena. Vitória e atuação maiúscula.

 

4. Logo após se destacar nas divisões anteriores com muitos gols, foi defender um grande do país suíço, o Zurich. Levou o clube a grandes títulos e vitórias memoráveis contra rivais históricos, o que o F.C Zurich representa na sua vida e sua carreira?
 
Acho que representa uma parte considerável da minha carreira. Eu acho que foi depois do meu desempenho
no Zurich que eu parti para desafios maiores. Até porque foi pelo Zurich que eu tive a felicidade de ser campeão na Europa, que foi algo que nunca tinha acontecido comigo e que me marcou. E também pude ajudar o clube que estava há muito tempo sem ganhar um título.
5. Após sua ida pra Alemanha, já havia uma grande expectativa pelo seu futebol, pois já era notícia suas grandes temporadas na Suíça. Depois de um primeiro ano excelente, veio uma queda inesperada com o Hertha Berlim pra segunda divisão. Como lidou com o descenso? Qual foi a reação da torcida com você que era ídolo, diante de tal desastre?
 
Posso dizer que foi o pior momento da minha carreira. A queda com uma equipe como o Hertha foi horrível para nós, para o clube como um todo e para a cidade, que é a capital da Alemanha. Mas, eu entendi como uma coisa que faz parte do futebol. O interessante é que logo no ano seguinte nós conseguimos o acesso rápido e assim voltamos para a elite do futebol alemão.
Infelizmente o brasileiro não se afirmou na Ucrânia.

 

6. Dizem que jogar em países como Ucrânia e Russia é uma tarefa difícil. Você jogou no Dínamo de Kiev por um curto período, não completando nem 10 partidas pelo clube ucraniano. Na sua visão, qual foi o fator preponderante pra que sua ida pra Ucrânia não fosse tão bem sucedida quanto suas outras passagens?
 
Acredito que quando acontece uma mudança de clube e principalmente de país, é necessário um tempo
para se adaptar. Além do mais, quando eu cheguei na Ucrânia o time já tinha feito a pré-temporada. Mais na frente, quando eu comecei a realmente me adaptar e passei a jogar com regularidade, terminei me machucando (fiquei um mês fora), coisa que dificilmente aconteceu na minha carreira. Por tudo isso, infelizmente a minha passagem por lá não foi das melhores.
 
7. Você possui um irmão, (Ronny) com o qual inclusive já dividiu vestiário no Hertha. Qual é a vantagem de ter um irmão que também é jogador? Na pelada da família, deixam vocês jogarem no mesmo time?
 
Desde pequeno a gente tinha esse desejo de ser jogador de futebol. Então, chegar ao ponto de jogar junto com meu irmão foi maravilhoso. Uma realização de um sonho! Quanto a pelada, quando a gente jogava, nós montávamos sempre o meu time contra o dele, se fosse diferente a gente não achava tão divertido.
Irmãos, jogando juntos pelo Hertha.

 

8. Sua ida pro seu atual clube, o Borussia Monchengladbach, foi uma decisão super acertada, hoje se encontra em um clube estruturado e que tem um plantel bastante eficiente. Te propicia a jogar com o melhor que tem. Porém, quando encerrar o contrato com o time alemão, planeja vir ao Brasil para jogar em algum dos nossos clubes? Se sim, quais são suas preferências?
 
Sempre fui muito feliz aqui na Alemanha. Todos esses anos aqui foram muito positivos. Meu contrato termina
daqui 1 ano e meio e o clube já manifestou interesse em renovar. Mas, eu estou tranquilo, não tenho pressa. O meu desejo é ficar aqui porque eu gosto muito do clube e do país, e a minha família também está contente em viver aqui. Voltar para o Brasil agora não está nos meus planos.
9. Sua função crua sempre foi jogar como um meia – atacante. Porém durante sua carreira, se percebe que tem uma facilidade pra fazer gols. Em algumas ocasiões, já jogou como atacante pelo seu atual clube. Afinal, em que posição específica se sente mais a vontade pra jogar?
 
Minha posição de origem é meia-atacante. Com o passar do tempo na Europa eu terminei jogando como segundo
atacante. Isso depende também da maneira como o clube joga. O treinador me dá liberdade para jogar de forma livre dentro de campo. Posso atacar, ajudar com passes ou assistências e sempre que possível ajudar na marcação. É uma posição que estou bem adaptado.

 

10. Diante de uma carreira tão boa, já deve ter lhe passado pela cabeça uma vaga na seleção brasileira. Na sua opinião, porque acha que ela não veio? No decorrer da carreira, já cogitou defender as cores de outra nação?
Acho que uma chance na seleção brasileira não veio ainda porque a concorrência é muito grande. Tem muitos bons jogadores brasileiros na minha posição. Eu nunca pensei em jogar por outra nação. Nunca foi o meu real desejo.
O brasileiro deixou boa impressão na Champions League.

 

11. Nós do 4-3-3 desejamos toda a sorte do mundo! Tem algo a dizer para os fãs brasileiros, ou algo sobre o que gostaria de falar?
Obrigado pela oportunidade de participar da entrevista. Desejo tudo de bom para os meus fãs brasileiros e espero que  todos estejam torcendo para o nosso sucesso aqui na Alemanha. Obrigado pelo apoio de todos e um grande abraço!
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Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.