A errônea procura por heróis
30 de março de 2016
Categoria: Futebol e Nacional e Seleções

Em meio a mediocridade de uma tática quase inexistente, jogadores rendem muito aquém do que podem e do que costumam em seus clubes. Fica bem claro a influência do treinador nesse rendimento baixo, mas para alguns, é mais válido criar imagens de possíveis heróis vindo de fora.

Em tempos de apelo total de Super Heróis na dramaturgia, vemos o torcedor brasileiro sempre buscar um novo para a seleção. Meses atrás, a seleção supostamente só precisava convocar Coutinho para todos seus problemas acabarem. Em seguida, veio todo o calor para a convocação de Jonas.

É normal que sempre tenhamos bons nomes de fora da lista e é mais normal ainda que ocorra uma pressão pela sua convocação, mas o que se vê muitas vezes é um exagero em cima da imagem de tal atleta, personificando-o como solução para todos os problemas.

Para alguns parece mágica: convoque Casemiro e acabe com os problemas.

Num período de enorme apelo da dupla Batman e Superman, por exemplo, quem parece ser o “herói do momento” no Brasil é o volante Casemiro. O jogador do Real Madrid de uma hora para outra se tornou o cara para salvar a seleção brasileira do maior vexame de sua história. Para alguns, citar a deficiência tática de Dunga não é necessário, é preciso clamar por Casemiro e encher o peito para dizer que Luiz Gustavo é um enorme problema para o plantel canarinho.

Mas será mesmo?

Em que momento vemos um time com noção de coletividade e compactação com Dunga? O atual volante brasileiro paga caro pelas ideias arcaicas do treinador. Podemos citar a sua falta de pegada muitas vezes, mas, o rebaixar ao ridículo para exaltar ao máximo um concorrente de posição não é necessário. O camisa 17 já rendeu muito bem na seleção, principalmente com Felipão, que também não lhe dava o melhor suporte tático possível.

Muitos agora acreditam que o problema é Luiz Gustavo. Se fosse só isso…

É realmente certo que Casemiro iria dar jeito em todos nossos problemas? É óbvio que não. Em meio a um meio campo espaçado, sem opção de passe ou qualquer ajuda na marcação, seria questão de tempo para queimarmos mais um jogador, que provavelmente iria acabar se tornando um “ex-herói”.

Toda essa pressão pela mudança através de um só nome não é beneficio para ninguém. Por mais que achem que isso seja saudável, é tão ruim para o atleta quanto para o esquema da equipe. O atrasadíssimo Dunga ganha assim uma alternativa: escala Casemiro e alivia as críticas. Enquanto o volante terá de render como nunca para se manter “em alta” com a torcida. Coutinho sofreu com isso. Foi elevado a um patamar divino pela maioria, tratado como grande salvação e totalmente necessário para a equipe. Foi convocado, entrou em alguns momentos, já no segundo tempo e com a equipe ainda mais desorganizada, não conseguiu render o esperado e, para muitos, já ganhou o status de “jogador de clube”.

Um dos mais prejudicados por Dunga, alguns já questionam o “ex-herói” Coutinho.

Criticamos tudo, mas muitas vezes, não criticamos nada que realmente importa. Tentar achar culpados ou heróis dentro de campo é de ignorância tão grande quanto a de nosso treinador quando falamos de tática. Por mais que tenhamos um técnico vergonhoso comandando nossa seleção nacional, muitas vezes parecemos merecer isso.

Para as individualidades aparecerem é necessário um bom coletivo. Na seleção, estamos longe de ter isso, e enquanto basearem as análises em rasas apostas, apenas cobrando a convocação de um outro “herói”, estaremos aceitando a mediocridade de nossa equipe e fritando nossos talentos um a um.

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Postado por Andrew Sousa Formado em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus 23 anos.