Vivendo de aparência: o sibilar encantador de Fernando Diniz
27 de setembro de 2019
Categoria: Futebol e Nacional

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Muitas ideias, pouca efetividade. Na elite nacional, entre Athletico e Fluminense, foram 26 jogos, 5 vitórias, 6 empates e 15 derrotas, sendo assim, 27% de aproveitamento. Números piores que diversas equipes já rebaixadas no Campeonato Brasileiro. Foram 29 gols marcados e 37 sofridos, um saldo negativo de oito gols.

Por característica, os times de Fernando Diniz trabalham bem a bola. Saídas apoiadas, sempre muita gente próxima a bola, dando opção de passe desde o início junto dos zagueiros, facilitando o grande número de passes trocados. De acordo com o site WhoScored.com, o Fluminense trocou em média 535 passes por jogo, com 87% de acerto de passe, mas desse grande número apenas 10 são os chamados key passes, os passes-chave, que são mais verticais, normalmente gerando um lance mais agudo do jogo, algum perigo ao adversário.

É, mesmo depois da saída de Fernando Diniz e a rápida passagem de Oswaldo de Oliveira, um time que cria mas não leva perigo, não faz o goleiro trabalhar. Ao longo do campeonato, o Fluminense conseguiu ser um time competitivo, dificultou muitos jogos contra as principais equipes do Brasil, mas não transformou isso em pontos na tabela.

No São Paulo, Diniz terá o desafio de ajeitar um sistema que já vem com o mesmo problema. Muita gente a frente e pouca efetividade e agressividade. Um time que tem a posse mas que não a transforma em chances claras de gol. Contra o Goiás, um time pobre de ideias, rodando a bola de um lado para o outro, sem procurar um passe mais ousado ou uma infiltração e buscando muita bola alçada na área. Assim, o São Paulo consagrou o sistema defensivo esmeraldino.

Trocando Cuca por Diniz, podemos dizer que são seis por meia dúzia. Os times do Diniz tinham os mesmos problemas que o São Paulo tem atualmente, pouca dinâmica ofensiva. As equipes de Fernando Diniz pecam muito no último passe, no já citado key pass, o que gera perigo. É o que, no português popular, é chamado de arame liso — cerca mas não machuca. No começo é sedutor, o time joga bonito e, sendo pouco efetivo, o torcedor tende a ter paciência: “calma, tá arrumando a casa”, mas nunca arruma.

Fernando Diniz surgiu como um grande expoente do cenário nacional com suas ideias, mas o futebol é efetividade. Não adianta ter a posse se não a transforma em gols. Diniz ainda seduz os dirigentes brasileiros com a ideia de que “se tiver um bom plantel, ele conseguirá”. Com isso, saiu do Audax e foi pro Oeste, dali pro Athletico, seguindo pro Fluminense e chegando ao São Paulo. Na sedução da ideia, foi demitido na zona de rebaixamento nas duas experiências na Série A, numa delas vendo o Athletico ser campeão continental logo em seguida, com as mesmas peças. Para salvar sua cabeça, Fernando Diniz terá que rever conceitos ou transformá-los em gols, se não será difícil se manter apenas de aparências.

Postado por João Vitor Nunes Jornalista no interior de Minas, formado pela Universidade Federal de Ouro Preto. 22 anos. Atleta recém promovido ao sub-óbito.