Vestindo o Futebol #10 – Athleta
25 de outubro de 2017

 

 

Nike? Adidas? Puma? Umbro? Não!

A mais importante fornecedora esportiva da história do nosso país é nacional e atende pelo nome de Athleta.

Se você tiver menos de 30 anos provavelmente vai estar se perguntando do que eu estou falando. Não se preocupe, a empresa teve seu auge há mais de quatro décadas atrás e é perfeitamente normal que os mais jovens desconheçam os feitos e o pioneirismo dela dentro do Brasil e no mundo.

Fundada em 1935 com sede no bairro de Belenzinho, em São Paulo, a Athleta foi registrada por António Pádua de Oliveira, um português provindo de Coimbra. Obviamente, o marketing esportivo sequer dava sinais de existência, patrocínios em camisas eram inexistentes e o dinheiro que girava no esporte era algo ínfimo, uma era totalmente diferente da atual.

Fornecer material esportivo para o futebol ainda era uma prática pouco difundida, tanto que a atenção da Athleta só se voltou para isso realmente em 1950, após a segunda guerra mundial e com o furor da primeira Copa do Mundo no Brasil. A aproximação inicial da empresa foi com a antiga CBD (hoje CBF), para a confecção dos uniformes da nossa seleção nas competições oficiais. Estava se iniciando ali uma parceria que duraria mais de 20 anos.

A companhia produziu para o Brasil os uniformes das Copas de 54, 58, 62, 66 e 70. Ou seja, participou das três primeiras Copas que vencemos. Com a Athleta, tivemos o retrospecto de três troféus levantados e apenas dois perdidos.

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Histórias incontáveis com a amarelinha

Como não poderia deixar de ser, a empresa logo percebeu o potencial que os clubes brasileiros tinham e começou a investir nesta ideia. O primeiro contatado foi o Corinthians, já que Plínio Figueiredo Cunha (filho de António, o fundador) era membro do conselho alvinegro e percebia como as roupas de treino dos jogadores eram totalmente aleatórias e com diversas diferenças de padrão, ofereceu para a diretoria exemplares de camisas pretas e brancas com a logo da empresa, para que o time pudesse treinar. Os dirigentes adoraram a ideia e os jornalistas noticiaram por todo o país a nova iniciativa.

Não demorou muito para que os outros clubes também se interessassem pelo modelo proposto. Até mesmo a nível mundial, não era algo normal o uniforme de treino ser abastecido pela fornecedora do clube, o impacto da ideia da Athleta ultrapassou as fronteiras do nosso país. Clubes como Flamengo, Vasco, Cruzeiro, Inter, Fluminense, Grêmio, Atlético Mineiro e Sport foram alguns dos que a Athleta já vestiu.

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A camisa rubro negra carioca.

Naquela época os contratos de fornecimento de camisas e afins eram baseados em uma troca conjunta, as camisas pela divulgação da marca, que poderia ser vista no próprio tecido ou em placas de publicidade espalhadas pelos estádios. Nem sonhavam com as cifras e todos os benefícios de hoje, portanto, não criaram rios e rios de dinheiro.

Tudo começou a ficar difícil em 1978, quando a Adidas finalmente entra no mercado brasileiro e firma uma parceria com o Palmeiras, parceria essa que pleiteava condições muito melhores ao clube paulista, algo ainda impraticável por qualquer fornecedora local. Com o investimento das multinacionais no Brasil, as companhias nacionais do setor acabaram perdendo espaço pouco a pouco até 2004, quando enfim, a empresa encerrou atividades.

Em 2009, o grupo japonês “The Brands Company” adquiriu os direitos da marca da empresa e o nome da Athleta ressurgiu no mercado, entretanto o foco da atual produção é voltado para a área de moda esportiva, não sendo mais especialista em produção de camisas de jogo, embora patrocine alguns poucos clubes no Japão e alguns clubes de futsal.

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Tokyo Verdy e seus uniformes desta temporada.

A marca chegou a lançar edições comemorativas de camisas de jogo da Seleção Brasileira, o projeto “Camisa dos Campeões” era uma reedição limitada de exemplares de jogo usados pelos jogadores das Copas de 58, 62 e 70.

Com uma história rica e que se mistura com a história do nosso próprio futebol como um todo, a Athleta já se eternizou nos livros de história e em cada um dos três primeiros títulos mundiais. Ainda que os mais jovens não tomem conhecimento, o passado glorioso continuará lá.

Confira alguns trabalhos da empresa:

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No título estadual de 1977, o Corinthians vestia Athleta

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Atlético Mineiro de 1972

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Fluminense de 1976

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Cruzeiro em 1973

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Vasco em 1977

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.