VESTINDO O FUTEBOL #06 – Admiral
16 de novembro de 2016

A Admiral possui uma história bastante rica com uma série de altos e baixos que vão desde uma falência prematura a um renascimento inesperado. A marca foi uma das pioneiras no patrocínio esportivo na Inglaterra nos anos 70, tendo em seu portfólio clubes como Manchester United e Tottenham. Sua grande inovação no meio foi a materialização da ideia de comercializar réplicas das camisas de jogo dos times que patrocinavam, seu pioneirismo neste meio no cenário futebolístico britânico foi um passo importantíssimo para os moldes atuais.

Um dos grandes trunfos que a Admiral tinha para convencer os clubes a isso era a nova moda de TV a cores, que poderia proporcionar uma diversidade muito maior e, consequentemente, possibilitava a criação de designs mais originais, usando as cores. O primeiro clube a vestir Admiral foi o tradicional Leeds United, o time inglês iniciou, então, a tendência de ter réplica das suas camisas de jogo nas lojas.

O saudoso Brian Clough, liderando o Leeds.

Percebendo o potencial gigante do novo nicho “achado”, a empresa assina um contrato de 5 anos com a Federação Inglesa de futebol, o valor acordado entre as partes foi de 15 mil libras, enorme para a época. Sendo assim, a seleção inglesa foi o primeiro time nacional a ter suas camisas a venda. A Admiral só crescia.

Até hoje, é considerado uma das mais bonitas vestimentas do english team.

Com o passar dos anos, cada vez mais clubes foram fechando com a fornecedora esportiva. A marca esteve presente na Iugoslávia, Escócia, Suécia, Alemanha, Suíça e Itália, fazendo com que a disseminação da Admiral tomasse proporções globais.

Há de se destacar a intensa atividade da companhia na terra do tio Sam, por lá chegou a patrocinar praticamente todos os clubes da NASL, incluindo o New York Cosmos, time famoso por ter contratado Pelé.

O logo da marca caiu muito bem na camisa.

Entretanto, a Admiral não contava com o fator Umbro na Inglaterra nos anos 80. A concorrente doméstica começava a crescer nacionalmente e passou a oferecer contratos melhores aos clubes, fazendo com que a marca começasse a perder alguns clubes para a rival. A Adidas também resolveu investir pesado nos clubes ingleses, fato que dificultou ainda mais a vida da companhia.

A concorrência batia na porta.

Tentando manter o caríssimo contrato com a seleção inglesa, a empresa abriu mão de alguns clubes. Uma decisão que não se mostrou muito acertada, pois, posteriormente, a Admiral viria a pedir concordata, em 1982. Mas não demorou nem 3 anos para que a marca voltasse ao futebol, porém, seu prestígio ficou visivelmente menor, com a globalização e a entrada de empresas fortíssimas no mercado.

Os anos 1990 ficaram marcados pela inércia, no futebol não houve nenhuma grande mudança, além do título de liga do Leeds, que vestia Admiral e continuou vestindo até meados de 2008. Cada vez mais em baixa, a companhia foi comprada em 1997 por um grupo de investidores, com a promessa de revitalizar a marca.

Infelizmente o futebol deixou de ser o carro chefe da Admiral no século 21, passando sua vez ao Cricket. Mas, atualmente, até mesmo o Cricket se extinguiu do portfólio da empresa, que se limita a patrocinar algumas seleções alternativas e clube periféricos.

Confira alguns trabalhos deles:

Philadelphia Fury-EUA

 

Rangers-ESC
Portsmouth-ING
Wolverhamptom-ING

 

País de Gales
Crystal Palace-ING
Seleção de Gibraltar, atual camisa.
Wimbledom- ING, atual camisa.

 

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.