VESTINDO O FUTEBOL #04 – Champs
18 de julho de 2016

Aquele velho e bom ditado que diz que aparências enganam, ocasionalmente se materializa em algum caso específico. Este é um belo exemplar da analogia. Champs, nome de campeão, uma trajetória ascendente fenomenal, com uma derrocada digna de filme hollywoodiano. Vou explicar melhor.

A empresa surgiu aqui no Brasil em 2006 e, com algum dinheiro em caixa, começou patrocinando clubes pequenos do interior paulista. O primeiro clube a ter seus fardamentos feitos pela companhia foi o Bragantino. Logo após o Braga, Guarani, Portuguesa, Ponte Preta, São Caetano, entre outros clubes paulistas de segundo escalão.

Onde tudo começou
Vendo sua marca expandindo, a Champs resolveu ir além do estado paulista e fechou com o Vitória da Bahia, Avaí, Remo, Náutico, Brasiliense e Treze. Porém o grande passo ainda estava pra ser dado.

No começo do ano de 2009, o Vasco via-se na série B pela primeira vez em sua história. Precisando de dinheiro e com pressa, o clube cruzmaltino acabou por romper o contrato de fornecimento esportivo que havia assinado com a Reebok e anunciou o vínculo com a emergente empresa paulista.Mesmo em uma divisão inferior, patrocinar um dos considerados 12 grandes do país era um feito tremendo para uma empresa que pouco tempo atrás atuava apenas no ABC paulista e imediações. As cifras eram altas e a expectativa do clube carioca imensa, com Roberto Dinamite a frente, muito se falava sobre um “novo Vasco” sob nova direção a batuta de seu maior ídolo dentro de campo.Entretanto, o mar de rosas começou a se mostrar traiçoeiro para a Champs com o passar do tempo. Já na apresentação do uniforme novo cruzmaltino, receberam muitas críticas pelo design considerado “pobre” em comparação com o que vinham prometendo e, para coroar, por acidente tocaram o hino do Botafogo no meio do evento. Totalmente absurdo.

Além da camisa bastante criticada, a gafe do hino fez tudo ficar pior.

Seguindo com a decadência, a empresa havia prometido camisas ao preço médio de 40 reais. Obviamente não chegou nem perto deste valor o produto final, gerando uma enorme insatisfação da torcida vascaína e dos lojistas que fizeram o marketing desse projeto, um grande mal estar já estava se desenhando.

No meio desta confusão com o Vasco, a Champs ainda tentou ir além fazendo uma proposta ao Corinthians, que foi prontamente recusada por uma série de fatores. Além disso, os clubes que antes eram usados como exemplos de um bom trabalho, começavam a reclamar do serviço mal feito da companhia. Em um episódio absurdo, o goleiro Viáfara do Vitória, chegou a ter que entrar em campo com os meiões do Vasco da Gama, pois a Champs não havia disponibilizado o número mínimo da peça ao clube baiano.

Amadorismo puro, um absurdo.

Ao ver seu castelo desabando a companhia correu atrás de algumas medidas para se reabilitar no mercado, com uma série de problemas de qualidade, fiscais, e logísticos a empresa anuncia uma parceira com a também fornecedora Lupo. Porém menos de um mês depois a Lupo rompe a parceria notificando a separação das duas marcas, fazendo com que a Champs volte a estaca zero. Champs que ainda por cima, havia perdido o contrato com a Ponte Preta pouco antes.

Champs na Ponte Preta, curta história

Em decorrência dos inúmeros problemas com a nova fornecedora, o Vasco por fim resolveu rescindir o contrato com a companhia. A parceira durou pouco menos de um ano e não deixou saudades para os torcedores do clube carioca.

Confiram alguns outros trabalhos da Champs abaixo:

São Caetano
Portuguesa
Avaí
Remo

 

Vitória
Guarani
Náutico

E no fim de tudo, a empresa acabou “dissolvida” e a história de sua principal acionista, a empresária Mariceli Leandrini terminou com ela sendo presa em sua casa dentro de um condomínio de luxo. A acusação? Clonagem de cartões bancários e fraude de caixa eletrônico, “Mari da Champs” como era conhecida, portava mais de 2 mil cartões clonados em sua residência, estima-se que nesse tipo de golpe ela conseguiu a bagatela de 2 milhões de reais.

Um fim lamentável demais

Como se trata de Brasil, ela pagou 5 mil de fiança e se encontra em liberdade atualmente. Porém, fora da esfera esportiva, felizmente.

Nem sempre de momentos felizes iremos falar, infelizmente até mesmo para vestir os clubes, existe corrupção e desleixo. É um reflexo do despreparo de alguns para com o nosso futebol.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.