Velhos e conhecidos problemas
11 de setembro de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

 

O Burnley, sétimo colocado da Premier League 2017/2018, teve a sexta melhor defesa com 39 gols sofridos. Já o Wolverhampton, sétimo colocado do campeonato passado, sofreu apenas 46 gols, terminando assim como a quinta melhor defesa do torneio. Ambas as equipes foram as melhores colocadas dentre os times que não fazem parte do top 6 e ambas conseguiram se classificar para a Europa League. O que isso tudo quer dizer?

Que se uma equipe faz parte da Premier League, mas não pertence ao grupo dos seis times mais fortes da competição, ou seja, não tem o poder financeiro dessas equipes, uma das melhores formas, quiçá a melhor, de conseguir fazer uma boa campanha é ter uma defesa sólida. E o Bournemouth de Eddie Howe, desde que estreou na Premier League, se dissocia completamente dessa ideia.

Os Cherries chegaram na Premier League na temporada de 2015/2016 e como time recém-promovido, e ainda por cima estreante na competição, era totalmente normal esperar que a briga fosse para fugir do rebaixamento, feito este conseguido com êxito.

Na segunda temporada, com a chegada de alguns reforços, Howe já começou a mostrar seu potencial e levou o time a um ótimo nono lugar. Na época seguinte, eles terminaram numa confortável 12ª colocação. Por fim, na Premier League passada, o time voltou a terminar na segunda parte da tabela, já mais próximo do Z3, mas ainda sem passar grandes sustos.

Entretanto, a situação só não foi pior muito por conta da excelente temporada do quarteto de ataque, que contribuiu para um ótimo começo de campeonato dos Cherries, pois defensivamente a equipe teve números muito ruins e esse mau desempenho defensivo não foi apenas uma exceção do campeonato passado, pois em todas as quatro edições de campeonato inglês que o time de Eddie Howe participou, ele terminou dentre as cinco piores defesas, mesmo quando a equipe terminou na primeira parte da tabela.

E o começo da atual Premier League mostra que o time segue com os mesmos problemas defensivos. Nas primeiras quatro rodadas disputadas, o Bournemouth sofreu oito gols – apenas Chelsea e Norwich sofreram mais – e ainda teve a defesa vazada em todas as partidas. Claro que quatro rodadas é uma amostragem muito pequena para se tirar qualquer conclusão, mas com o histórico da equipe nos campeonatos passados e com alguns dados dessa temporada, é possível ver que esse má desempenho defensivo tem causas, não sendo apenas algo pontual ou um momento ruim do time.

A falta de compactação permitiu que simplesmente metade dos jogadores de linha do Aston Villa estivessem entre as linhas de meio campo e defesa do Bournemouth neste lance.

O sistema defensivo da equipe é claramente frágil e um fator determinante é a falta de compactação entre as linhas de meio e defesa. Os jogadores adversários tendem a ter bastante espaço nesse setor o que acaba levando muito perigo para a defesa dos Cherries, tanto que a equipe é a sexta que mais sofre finalizações. E associado a isso está a questão do time ser o que menos desarma no campeonato – são apenas 13.8 desarmes por jogo.

A equipe está com uma média de 42.4% de posse de bola no campeonato, terceira menor média. Ficando tão pouco com a bola, é preocupante ter um número tão baixo de desarmes, pois se a equipe atua mais defensivamente o ideal é que se roube muitas bolas.  Isso possibilitaria que a equipe sofresse menos, além de ter mais oportunidades de marcar através dos contra ataques.

Sem a marcação pressão, que poderia ter sido feita por King, e sem o corte da linha de passe, que poderia ter sido feita por Billing ou Lerma, o zagueiro do Villa consegue fazer um passe vertical que chega em Wesley, forçando Cook a sair em perseguição ao atacante brasileiro e desorganizando a linha defensiva dos Cherries.

O time tem boas peças nesses setores de defesa e meio defensivo, como Aké e Cook na zaga e Lerma e Billing no meio. São jogadores que sabem ler a situação de jogo, tendo boa tomada de decisão: o Bournemouth é a equipe com melhor média de interceptações, com Aké e Billing estando entre os dez jogadores que mais interceptaram passes nesse começo de campeonato.

O problema da equipe é sistêmico, como pode ser visto nas imagens acima do jogo contra o Aston Villa. O Bournemouth tem dificuldades de conter o avanço do adversário, pois não realiza uma marcação pressão, mesmo quando o adversário já está no seu campo de defesa, e nem fecha as linhas de passes. Há também uma clara falta de compactação defensiva no time de Eddie Howe, as linhas de meio e defesa aparecem constantemente distantes uma da outra em diversos momentos do jogo, o que prejudica a equipe de se movimentar em bloco, já que quando o meio sobe para as ações ofensivas, a defesa muitas vezes não acompanha, o que acaba tornando a equipe mais vulnerável para contra ataques.

Os adversários tem aproveitado bastante os espaços proporcionados pelo Bournemouth na faixa central do campo.

É preciso que o Howe melhore defensivamente o Bournemouth para que a equipe consiga fazer uma Premier League tranquila e possa evoluir nos seus objetivos. A equipe precisa melhorar a compactação, diminuir as distância entre os setores, fechar as linhas de passes e, principalmente, fazer uma marcação mais agressiva, mesmo que não seja desde o campo de defesa do adversário, mas ao menos quando a bola estiver no seu campo de defesa, pois o time dá muito espaço e liberdade em setores bastante perigosos para a sua defesa.
Mesmo times que tem estilos mais ofensivos como o Leicester e o Everton são equipes que se defendem bem e que claramente dão atenção a esses aspectos. Para dar um próximo passo e evoluir, o time Eddie Howe precisa melhorar essas competências na sua equipe.
Postado por Wallas Vieira Técnico em Edificações, cursando Administração. Torcedor de Flamengo e Liverpool. Fã da intensa Premier League e do tático campeonato italiano. Gosta de táticas, crônicas e número sobre o futebol.