Uma preocupante ausência no grupo de Tite que vai à Copa do Mundo
8 de junho de 2018
Categoria: Futebol e Seleções

 

Em fevereiro de 2018, Tite, técnico da Seleção Brasileira, disse que não iria convocar um psicólogo do esporte para o esquadrão nacional antes ou durante a Copa do Mundo. Para ele, a contratação de um profissional da área “em cima da hora” não traria os resultados esperados – sobretudo pela falta de confiança dos atletas no pouco tempo de convívio.

Ainda sobre a possibilidade ou não de trazer especialistas para o Mundial, Edu Gaspar chegou a dizer que o próprio Tite é um bom psicólogo. Além disso, o diretor chegou a dizer que não haviam profissionais voltados ao esporte no país, gerando até certa revolta.

Após o dolorido 7 a 1, que afetou a maioria dos brasileiros, sobretudo os jogadores, a decisão do técnico e de sua comissão pode acabar levando a Seleção ao mesmo resultado: a frustração.

Exatos 15 dias antes do Mundial começar, Neymar, o camisa 10 da Seleção e tido como o jogador chave para essa Copa, demonstrava certa insegurança sobre seu condicionamento físico e mental. Devido a contusão sofrida no pé, no qual foi submetido a uma cirurgia, ele correu sérios risco de não se recuperar a tempo e perder a competição, porém, depois de todos os procedimentos, está clinicamente curado e pronto para a Copa.

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Além de alguns rumores de que ele chegou a reclamar de dores durante alguns treinos com a Seleção, a cautela foi evidenciada na televisão. Ao Jornal Nacional, da TV Globo, o camisa 10 disse ”ninguém está com mais medo do que eu“. Querendo ou não, a declaração deixa ainda mais claro que Tite devia ter revisto seus conceitos sobre os profissionais da psicologia.

Quer um exemplo de com quem devemos aprender?

Desde a final da copa de 2002, na qual a Alemanha foi derrotada para o Brasil, a seleção europeia conta com a presença de mais de dez profissionais de psicologia esportiva. O Dr. Hans Dieter Hermann, chefe dos psicólogos na seleção, cuida há 16 anos da cabeça dos jogadores, e mesmo não estando em campo, foi uma das principais peças para a conquista do título em 2014. Joachim Löw, técnico da seleção, já declarou que ele é seu braço direito.

Na Copa de 2014, antes do primeiro treino para o jogo da grande final, o Doutor Hans Dieter deixou claro que uma das armas dos jogadores para entrar em campo era o equilíbrio emocional, disse ele: “Tudo é importante. Desde o local que escolhemos como base. A música que escutamos. Tudo é voltado para a concentração. Assim como há treinos físicos todo dia. Fazemos atividades diárias para simularmos situações de pressão“. No memorável jogo contra o Brasil, a seleção alemã jogou os primeiros 10 minutos sob vaia de todo o estádio, porém, os jogadores estavam totalmente confortáveis. O Doutor afirma que essa situação foi discutida e que os atletas foram treinados mentalmente; estavam preparados para entrar em campo como se não ouvissem nada.

Em um dos questionamentos sobre o tema, Edu Gaspar dispensou especialistas e chegou a dizer: “Tite é um bom psicólogo”.

E há mais exemplos. Cristiano Ronaldo, por exemplo, também bebe da mesma fonte. Em entrevista, o repórter Edu Aguirre questionou o craque, cinco vezes melhor do mundo, sobre qual era sua maior virtude. Mesmo com o entrevistador dando a entender que a pergunta era relacionada ao aspecto futebolístico, podendo ser a excelente finalização ou seu bom posicionamento em campo, CR7 surpreende dizendo que sua maior virtude é a mente. O português deixa claro que só faz suas maravilhas em campo quando está mentalmente bem e preparado, dando a devida importância à preparação psicológica de um jogador.

Nomes fora da lista que vai à Rússia podem até fazer falta dentro de campo, mas fora dele, Tite abriu mão de um importante convocado. Para conseguir a glória na copa, Neymar e companhia devem ser implacáveis com os pés e, mais ainda, craques com a cabeça.

Postado por Lorena Rhaylma 19 anos, estudante, flamenguista, apaixonada por futebol, música e leitura. Acho que tudo na vida requer inteligência, inclusive o futebol, tanto para jogar quanto para falar.