Uma carreira privilegiada – André Cruz
23 de abril de 2018
Categoria: Entrevistas
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Com direito a passagem pela Seleção Brasileira, André Cruz é lembrado positivamente por quem acompanhou seu futebol, especialmente na década de 90. Campeão em diversos países e ex-companheiro de time de Cristiano Ronaldo, André trilhou uma bonita carreira no esporte. Conversamos um pouco com o ex-atleta, que afirma com categoria: “O Brasil vence essa Copa do Mundo”.

Confira na íntegra:

1. Você jogou por alguns anos na Bélgica e acompanhou de perto o futebol do país em dois ciclos de Copa do Mundo (90 e 94). Naquela época, a seleção belga contava com ótimos jogadores e conseguiu resultados honrosos nestes mundiais. Na sua visão, a geração atual é realmente a melhor da história do país? Até onde eles podem chegar nesta copa?

Eles sempre tiveram bons jogadores. Hoje, mais ainda. Estão espalhados por grandes clubes na Europa. Eu acredito que podem pelo menos chegar até as quartas de final.

2. Com uma carreira consolidada na Europa e na Seleção Brasileira, você com certeza trilhou um caminho de sucesso no esporte. Entretanto, aqui no Brasil, acabou não tendo uma grande sequência em um clube do famigerado “g-12”. Isso te incomoda?

Joguei bem pouco no Flamengo e no Internacional, entretanto, conquistei um titulo em cada um desses clubes. Mas minha carreira na Europa foi bem legal e eu até acho que poderia ter sido melhor. Enfim, foi como tinha que ser, no fim das contas.

3. Em entrevista, você confessou que começou como ponta esquerda,antes de se achar como defensor. Hoje em dia diversos conceitos táticos são praticados, entre eles, o jogo de posição. Como você enxerga essa questão da versatilidade dos atletas em atuar por posições diferentes? Jogadores como Alaba, Sergi Roberto e Lichtsteiner atuam com naturalidade em diversas funções, considera isso um dom individual ou uma característica fruto da prática?

O jogador precisa saber como se joga em varias posições, precisa ser versátil, mas, claro, não é fácil. Nosso calendário de base é horrível, alias, nosso calendário como um todo é muito ruim. Mas o futebol é a longo prazo, falar sobre isso vai demandar muito tempo.

4. Tendo atuado no Napoli por três anos na década de 90, você supostamente não teria chegado a um acordo para voltar ao clube italiano no início do século, quando o time napolitano se encontrava em séria crise, na terceira divisão nacional. Houve mesmo o interesse? Porque não se concretizou?

Gigi Simoni já tinha sido meu treinador antes, quando voltou para o Napoli, me ligou e disse que precisava de alguém pra comandar a defesa da equipe. Alguém que a torcida gostasse, e que tivesse o respeito da imprensa italiana. Ele achava que meu nome seria o ideal para a ocasião. Mas financeiramente não deu muito certo, e eu tinha outras coisas em mente, como cuidar dos meninos das escolinhas e começar nova carreira.

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André é muito bem visto na Itália

5. No ano passado, em entrevista ao GloboEsporte, você falou sobre o ambicioso projeto do Velo Clube, time em que atuava como dirigente. Você ainda continua com este cargo? Como vai o andamento do projeto no clube?

Neste momento o Velo Clube encontra-se parado. Só o sub-20 está em atividade. Ainda não definiram se irão jogar a Copa Paulista deste ano.

6. Em 1990, você acabou entrando em conflito com a Ponte Preta, que te mantinha “preso ao clube” mesmo sem contrato vigente, fato que acabou te prejudicando na busca da vaga para a Copa do Mundo daquele ano. Embora tenha havido este episódio polêmico, a Ponte foi o seu time de formação e de iniciação no profissional. Hoje em dia, qual o seu sentimento em relação ao clube? O que ficou?

Eu adoro a Ponte Preta e tenho grande respeito pela instituição. Quero ver a Ponte lá em cima. Ser campeã.

7. Campeão na Bélgica, na Itália, no Brasil, em Portugal e na seleção, você acumulou conquistas por onde passou. Qual dos títulos representou mais para você? Qual foi o mais emocionante? Por que?

Todos os clubes em que passei foram importantes para o meu crescimento. Mas, onde mais venci foi no Sporting, em Portugal. Lá consegui jogar como sempre quis jogar, mas tenho saudades de todos os times por onde passei. Quando chego em qualquer um deles, sou muito bem recebido, isso mostra que fiz muito bem meu trabalho como jogador de futebol.

8. O Aliança Medalha de Ouro é um dos projetos mantidos por você em Campinas, assim como o Chuteira de Ouro, que incentiva a prática do esporte na cidade, além de formar jovens talentos. Como anda tudo isso? Qual foi o atleta de maior destaque que já passou por lá?

O Aliança Medalha de Ouro é meu Instituto. Resolvi ajudar o pastor Rubens, que faz um trabalho fantástico, não só com os meninos, mas no bairro todo. A escolinha é a Chuteira de Ouro e quem comanda por lá é o Lígio de Carvalho que foi meu treinador, do Neto, Luis Fabiano, Edu Dracena, Deco, Elano entre outros. Matheus Anjos, do Atlético Paranaense, foi nosso jogador desde o quatro anos de idade. Já jogaram lá o Oscar, o Gabriel, do Corinthians, o Lígio deve saber mais.

9. No Sporting, você atuou com o Cristiano Ronaldo, um dos melhores jogadores da história do esporte. Muitos dizem que o êxito do português se deu apenas pelo seu treinamento contínuo e que não possui um talento natural grande para o jogo, como outras lendas; Tendo visto o craque de perto, você concorda?

Corrigindo, foi o Cristiano Ronaldo que jogou comigo (risos). Eu era o cara naquela época, ele era uma promessa. Mas enfim, não concordo, ele tem muita qualidade, se sobressai pela vontade de vencer, é extremamente profissional. Ele é movido pela vontade de ser o melhor, pelo prazer das vitórias, o dinheiro é consequência disso.

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Foram ótimos anos em Portugal

10. Nos conte os seus palpites para a Copa. Quem vence? Quem será a surpresa? E a decepção? Qual jogador será a revelação?

O Brasil vence. Teremos rivais fortíssimos como a Alemanha, Espanha, a Bélgica pode ser a surpresa. Sempre tem uma seleção africana que chega longe também. E para mim, a Argentina será a decepção dessa edição.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.