Throwback Thursday#14 – Mais que um rostinho bonito
7 de junho de 2018

 

Hoje voltamos exatos 16 anos no tempo. Ao dia 07 de Junho de 2002, quando um pênalti decidiu um jogo crucial entre Argentina e Inglaterra, no grupo da morte da Copa do Mundo daquele ano. O gol seria a finalização do ciclo de encontros e desencontros de seu autor com a seleção de seu país. Naquele dia, ele conquistava de vez a torcida inglesa e exorcizava seus fantasmas contra o time (e o homem) que iniciara seu inferno pessoal quatro anos antes. O #tbt de hoje é sobre a reviravolta pessoal de um homem que andou sozinho por quatro longos anos: David Beckham.

Para entender o tamanho do tombo de Beckham em 1998, é necessário ter o contexto da expectativa gerada em torno do (então) jovem meia do Manchester United. Tratava-se do poster-boy dos Fergie Fledglings, a geração que Alex Ferguson promoveu das categorias de base do clube e gradativamente se consolidaram como a espinha dorsal de um time que dominou a Inglaterra na virada do século. No caso específico de Beckham, após algumas temporadas na reserva do russo Andrei Kanchelskis, ele passaria a temporada 94-95 emprestado ao Preston North End e voltaria voando – o que deixou Ferguson confiante em efetivá-lo na meia direita e vender o russo ao Everton. Eram jogadores muito distintos – o estilo agressivo de Kanchelskis, driblar e correr com a bola para a linha de fundo, era visto não em seu sucessor, mas na outra ponta, com o galês Giggs – o mais velho dos fledglings.

A praia de Beckham era outra. Além de funcionar como um terceiro volante sem a bola, ele também derivava para o centro quando seu bromance amigo Gary Neville descia pela ponta, o que dava a ele uma média de gols mais alta do que o tradicional meia direita inglês. Isso sem contar as bolas paradas – carimbava basicamente qualquer oportunidade de levantar a bola na área, jogada temível dos Red Devils, e se fosse frontal, era dali pro gol. Na temporada 1995-96, Beckham foi efetivado no time principal e o técnico Ferguson foi muito criticado por não contratar o possante Darren Anderton, ponta-direita de forma estelar no Tottenham, para a posição. Porém o Manchester venceu a Copa da Inglaterra e o Campeonato Inglês, recuperando singelos dez pontos de diferença sobre o Newcastle de Kevin Keegan. O título foi um recado claro de Ferguson: seus fledglings não deviam nada a ninguém. Infelizmente para Becks, Terry Venables, técnico do English Team, não concordava. Anderton foi titular absoluto na campanha da Euro-1996 e seu reserva era Steve Stone, do Nottingham Forest.

As coisas começaram a mudar após o torneio, quando Venables foi substituído pelo progressista Glenn Hoddle, que – também por conta das lesões que assolavam a carreira de Anderton – convocou Beckham e o escalou em todos os jogos das eliminatórias europeias para o Mundial de 1998. O jovem meia do United aproveitou e se consolidou na seleção inglesa e também como um dos protagonistas do futebol inglês na temporada 96-97: além da vaga na seleção, ganhou a camisa 10 deixada vazia por Mark Hughes, foi campeão inglês de novo, fez 12 gols na temporada – o mais bonito deles contra o Wimbledon, de antes do meio-campo:

A temporada monumental de Beckham, somado ao desempenho empolgante da seleção inglesa – chegou às semifinais da Euro 96 e venceu seu grupo nas eliminatórias, condenando a Itália à repescagem – resultaram numa expectativa elevadíssima para a Copa da França. Beckham contribuiu para o hype ao pegar a camisa 7, vaga pela aposentadoria de Cantona, e assumir seu romance com a Spice Girl Victoria Adams. Seria seu primeiro passo para seu vasto sucesso fora do futebol – que serviria inclusive de munição para seus detratores dentro dele. E não faltariam motivos. O United começou bem a temporada, pulando na frente da Premier League, eliminando o campeão Chelsea da FA Cup e vencendo seu grupo forte na Champions League (com a vice campeã Juve). Mas 98 chegaria desastroso. Quando acabou Março daquele ano, o United estava eliminado da FA Cup após perder para o modesto Barnsley, eliminado da Champions pelo Monaco de Henry e Trézéguet e ultrapassado pelo Arsenal.

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Na seleção inglesa, as notícias também não eram as melhores. Hoddle implantou com sucesso o 3-5-2, e o renascido Anderton era mais adequado à função de ala direito do que Beckham, que precisava brigar por um lugar na meia central. O relacionamento entre jogador e treinador também sofria. Apesar da noção tática bem acima da média para um inglês, Hoddle tinha problemas para lidar com pessoas. Seu hábito de não divulgar a escalação titular previamente mexia com a confiança de alguns jogadores, que se sentiam ameaçados. Ao que tudo indica, Beckham era um deles. Seja por isso ou pela versão que o técnico alegou – ele estava pensando demais em Victoria Adams – o fato é que o belo craque começou a Copa assistindo do banco a vitória contra a Tunísia, com David Batty em campo.

Eventualmente Hoddle notaria o exagero que era manter dois jogadores tão parecidos quanto Batty e Ince. Quando o meia do Liverpool sentiu um choque contra a Romênia, Becks entrou em seu lugar. Apesar da derrota, ele manteria o posto às custas de Batty, formando com Anderton o que Hoddle dizia ser “seu lado direito ideal”. De fato, contra a Colômbia foi mesmo. Owen cruzou da direita, Bermúdez corta mal e o ponta do Tottenham aproveitou o rebote com uma bomba no canto. E Beckham achou a melhor hora possível para abrir sua conta pela seleção – naturalmente, de falta. Os três zagueiros de Hoddle absorveram confortavelmente a pressão do desorganizado time colombiano e, desperdiçando contra-ataques, confirmou a passagem para a segunda fase.

Tudo estava escrito para que a temporada aquém de Beckham tivesse um final redentor. Os ingleses encontraram a antiga nêmese Argentina, o primeiro encontro oficial entre ambos desde que Maradona dançou balé e jogou vôlei com eles. Apesar da primeira fase irregular, os comandados de Hoddle jogaram como nunca e foram o melhor time no primeiro tempo – o resultado de 2 a 2 não refletia o domínio inglês, as táticas limitadas de Passarella sendo suplantadas e a defesa argentina sem resposta para Owen. Então aconteceu a fração de segundo fatal. A Premier League de 1998 não era tão recheada de estrangeiros como hoje, e o ainda jovem Beckham tinha experiência limitada em resistir a catimba – uma péssima notícia se você está enfrentando um time com Diego Simeone.

O volante da Inter entrou delicadamente com o joelho no rim do craque inglês e caiu por maldade acidentalmente em cima dele. A paciência de Beckham o abandonou por um átimo, tempo o suficiente para dar um projeto de chute que resvalou na panturrilha do argentino. Simeone caiu como se tivesse tomado um golpe de foice, e pior, o juiz Kim Milton Nielsen viu tudo de camarote. Ele corretamente distribuiu um cartão para cada um: amarelo para Simeone e vermelho para Beckham. Mesmo com 10 contra 11, a Inglaterra resistiu e foi mais perigosa, tendo até um gol anulado. Mas, como de praxe em Copas, foi despachada nos pênaltis. A ironia suprema – quem perdeu a cobrança decisiva foi David Batty.

 

A redenção de Beckham saiu totalmente pela culatra. Ele agora era o bode expiatório de uma derrota extremamente dolorida. Não importava que Ince e Batty tivessem batido seus penais de forma miserável, nem que Le Saux deixasse escapar Petrescu inexplicavelmente, ou que Seaman tivesse derrubado Simeone tolamente, ou que a defesa não tivesse marcado Zanetti, ou que Shearer socasse Roa e causado a anulação do gol de Campbell. Não importava a esquisitice de Hoddle, nem o alcoolismo de Gascoigne. Para a imprensa inglesa, o único culpado pela nova derrota contra o arqui-inimigo platino era o “Spice Boy” – nesse momento, a aparência angelical e o noivado com uma pop star não o ajudavam em nada.

 

Além de Victoria, os únicos braços que o acolheriam foram de Alex Ferguson, que ainda não era Sir. O técnico, conhecido por sua relação paternal com os jogadores, teve sucesso onde Hoddle falhou: notou a necessidade de um ambiente seguro ao redor dele e cuidou para que em Manchester, apenas a torcida do City o hostilizasse. Por decisões como essa o escocês ranzinza é um dos melhores treinadores da história. Beckham retribuiu fazendo uma temporada 98-99 estelar, e embarcou junto com o United em uma campanha lendária – que contou com muitas pequenas revanches.

Como o Monaco, algoz da temporada passada, não havia se classificado, coube a Wenger e os ex-monegascos do Arsenal receber a vingança. Além de serem superados na Premier League, o Arsenal ainda foi cruelmente eliminado da na FA Cup, numa partida épica que teve gol de Beckham, expulsão de Roy Keane, pênalti tosco de Phil Neville, defesa de Schmeichel e obra-prima de Giggs para manter o United en route para conquistar a edição daquele ano. Sobrou também para o ex -Monaco Henry, no banco da Juventus – eliminada na semifinal da Champions League por Yorke, Cole e uma atuação monumental de Keane. Anteriormente, Simeone e a Inter haviam sido batidos nas quartas, com os cruzamentos de Beckham para Yorke fazendo a diferença no jogo de ida. O meia marcou 9 vezes durante a campanha e gerou mais incontáveis assistências para os gols de cabeça marcados aos borbotões por Cole, Yorke, Scholes, Keane. Como seriam também os dois gols paridos por Sheringham e Solskjær nos acréscimos do confronto que deu ao Manchester a vitória contra o Bayern e, por consequência, a Tríplice Coroa – até hoje a última de um clube inglês. As atuações de gala o levariam ao pódio de melhor do mundo naquele ano, perdendo apenas para o brasileiro Rivaldo.

 

Se a torcida do United já amava de novo seu craque, faltava o resto da Inglaterra, que o detestava ainda mais – quem não teria raiva de alguém que pune seguidamente o seu time mas decepciona pela seleção? Hoddle deixou-o de fora dos dois primeiros jogos oficiais, mas os resultados ruins e as lesões de Anderton o trouxeram de volta em Outubro. A campanha fraca, somada aos comentários grosseiros do treinador numa entrevista custaram-lhe o cargo. Quando Kevin Keegan assumiu, Becks voltou a seu lugar literalmente. O técnico usava um 4-4-2 mais britânico que o gim Beefeater, de forma que pelos próximos 10 anos, Beckham ocuparia sua função favorita na ponta direita inglesa.

Para azar do meia, a Inglaterra de Keegan também era irremediavelmente medíocre. Ficou em segundo no grupo, bateu a Escócia na repescagem e caiu num grupo muito forte na Euro 2000. E começou com o pé esquerdo – no caso, o de Luís Figo. O brilhante time de Portugal aproveitou a tendência que caracterizaria a seleção inglesa pela primeira década do século: abrir vantagem no primeiro tempo e recuar para absorve a pressão. Infelizmente, os britânicos têm certa dificuldade para diferenciar “absorver a pressão e contra-atacar” e “acampar na própria área e dar 45 minutos de bicos pra cima”. Contra os lusos, a Inglaterra optou (como de praxe) pelo segundo, o que transformou uma bela vitória por 2 a 0 (com duas assistências de Beckham) em uma patética derrota por 3 a 2 (com direito ao craque insultando torcedores).

Mais uma vez, a promessa de redenção virou apenas combustível para um fracasso retumbante. A envelhecida Alemanha, outra antiga nêmese, foi derrotada por um tento solitário de Shearer, e tudo o que os comandados de Keegan precisavam fazer era segurar o empate contra uma decadente Romênia. Seguiram seu script à risca: foram para o intervalo vencendo por 2 a 1, acamparam na própria área durante o segundo tempo, Munteanu empatou num chutaço e Phil Neville cometeu outro pênalti tolo. Como Seaman não era Schmeichel, Ganea converteu e selou o vexame. O único consolo para Beckham era que, dessa vez, a culpa caiu na pessoa correta – o limitado Keegan.

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Ele demoraria ainda três meses para cair. A Inglaterra estreou nas eliminatórias para 2000 fazendo a última partida em Wembley antes da reforma contra a Alemanha – e perdendo com um chutaço de Didi Hamann, que jogava no Liverpool. Seu sucessor gerou um escândalo. Muitas pessoas na Inglaterra, como o The Sun, fizeram um escarcéu quando a FA apontou o sueco Sven-Göran Eriksson (de currículo extremamente vencedor com a Lazio) para a função. Como diria o comediante Jeremy Hardy:

“não entendo qual o problema com técnicos estrangeiros, quando claramente o problema da seleção é  ter todos aqueles jogadores ingleses”.

Para Beckham, a chegada de Eriksson era boa notícia. Não só ele mantinha sua vaga como, com as aposentadorias de Adams, Shearer e Ince, o sueco confirmou a escolha do interino Peter Taylor: dar a braçadeira de capitão ao craque do Manchester. Não foi um começo fácil. A derrota para a cabeça de chave parecia condená-los a lutar apenas pelo lugar na repescagem. Mas eventualmente as ideias de Eriksson se provariam acertadas. A Inglaterra embarcou numa sequência de 3 vitórias consecutivas e chegou ao confronto de retorno na Alemanha podendo tomar-lhes a liderança caso vencesse. Jancker inaugurou o placar em falha de Ferdinand, mas com uma atuação magistral de Beckham, Gerrard, Heskey e principalmente três gols do infernal Owen, os comandados de Eriksson demoliram os rivais em Munique, o que permitia a eles se classificar na última rodada contra a Grécia com uma vitória simples. Nem isso – a Finlândia segurou os alemães e os ingleses entraram no gramado do Old Trafford precisando somente empatar com uma seleção desclassificada para ir direto à Copa.

Se a história de Beckham no English Team é marcada por oportunidades de redenção que se revelam vexames, foi do que seria um vexame histórico que saiu a redenção do craque inglês perante sua seleção. Após a eliminação precoce da Copa, a Grécia contratou Otto Rehagel para um trabalho a longo prazo – que resultaria no título da Euro 2004. Em 2001, ninguém dava muita pelota para os gregos, que podiam montar uma defesa fortíssima sem serem notados. Os anfitriões, em marcha lentíssima, foram pegos de calças curtas quando Charisteas – aquele Charisteas – abriu o placar. Era hora de David encarar o Golias de frente. Já no segundo tempo, ele recebeu na esquerda, driblou dois e foi parado com falta. Que cobrou na cabeça do menino Sheringham, 35 aninhos, que acabara de sair do banco. O Golias não se intimidou. Basinas manda pra área, Ferdinand marca o ar e a bola chega a Nikolaidis, que vence o goleiro. A Inglaterra tinha 21 minutos para empatar ou produziria (mais) um vexame histórico.

A Bíblia diria que David venceu Golias ao usar projéteis para derrotá-lo à distância. E muito poucos homens no livro do futebol sabiam usar projéteis como esse David em específico. No primeiro minuto dos acréscimos, Sheringham fez algo muito pouco inglês: se enroscou com Dabizas no ar e cavou a falta, longe, mas central. O Old Trafford, a Inglaterra, a Alemanha, o mundo inteiro que assistia pela televisão (inclusive eu) prendeu a respiração. O eterno narrador John Motson fez o único barulho, gravando o lance na história da forma mais simples possível: “Beckhaaaaaaaaaaaaaaaaaam! YES!”

 

O homem de mil visuais, agora careca, explodia aquele estádio que tão bem o acolheu após seu fracasso em 98 e se plantava na frente das câmeras de TV. A versão brit pop de “vocês vão ter que me engolir!”. O mundo engoliu – naquele ano foi o segundo melhor novamente, atrás de Figo. E a Inglaterra engoliu, e digeriu, e pouco tempo depois  mostraria que estava de corpo e alma com seu craque. Em um jogo da Champions League, uma entrada doentia do volante argentino Duscher fraturou-lhe um metatarso do pé, a menos de dois meses da Copa. O país que três anos antes se juntava para hostilizá-lo agora fazia correntes positivas de apoio popular ao craque, que consideravam sua maior esperança para o Mundial da Ásia – onde o país havia caído no Grupo da Morte, com Suécia, Nigéria e a arqui-inimiga Argentina. A Inglaterra precisava de todo o talento possível. Precisava de Beckham.

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Duscher precisou dessa e mais duas para ser expulso. E nem para a Copa foi…

A fé dos súditos (ou talvez o tratamento médico revolucionário para a época) deu resultado. Ele voltou a atuar no primeiro jogo da Copa, um empate contra a Suécia. O capitão jogou 63 minutos e deu assistência para a cabeçada vigorosa de Sol Campbell. O ponto solitário não era boa notícia – perder o jogo seguinte para a Argentina praticamente eliminaria o English Team. Por sorte, Eriksson estava extremamente familiar com a chave do time argentino – o meia Verón, que comandou na Lazio e em 2002 fazia o primeiro de seus dois desastrosos anos no United. Ele conhecia a falta de intensidade da Brujita, a chave do time que voou nas Eliminatórias sul-americanas, e montou seu meio-campo para sufocar a Argentina e agredir principalmente através das temíveis corridas de Owen.

Deu certo. O pequeno atacante do Liverpool barbarizava quando saía às costas dos volantes pra cima da zaga, chegando inclusive a acertar o poste após driblar o goleiro. Aos 42, nem a trave salvaria. Placente dá uma paulistinha em Beckham, a bola sobra para Scholes, que acha Owen que parte para cima da defesa desarrumada. Pochettino o derruba na área, o assustador apitador Collina não titubeia, e voltamos ao início da nossa história.

 

Simeone, naturalmente, foi até Beckham e disse alguma coisa que possivelmente só os dois sabem. Mas não adiantou. O craque venceu o fraco arqueiro Caballero com uma bomba no meio, e a defesa resoluta comandada por Ferdinand teve sucesso em se fechar em Copas e segurar o resultado, embora correndo riscos. Somado à vitória da Suécia sobre a Nigéria, o resultado classificava a Inglaterra, pois seus oponentes se enfrentariam na última rodada. Ao final do grupo, a Inglaterra empatava preguiçosamente contra a eliminada Nigéria enquanto saboreava a eliminação dos argentinos, com direito a Verón na reserva, Caniggia expulso sem entrar em campo e o esquema inovador de Bielsa reduzido a bumba-meu-boi para uma área povoada por Batistuta e Crespo.

Quem passou de fase levanta a mão!

Após vencer a Dinamarca com direito a falha de Sørensen no escanteio venenoso de Beckham, a lesão daria sinal de vida na pior hora. O craque tirou o pé de uma dividida com Roberto Carlos que resultaria em gol brasileiro, e os ingleses seriam dobrados pela magia de Ronaldinho. O English Team continuaria, como até hoje, sem conquistar um torneio oficial desde 1966, e sem chegar a uma semifinal desde 1996. Beckham teria um ano seguinte turbulento no United até que Ferguson, como Hoddle, decidisse que Becks pensava mais em sua marca do que em seu time – e o vendesse ao time ideal para isso, o Real Madrid. Lá, não ganhou títulos atuando ao lado dos outros Galáticos – Ronaldo, Zidane, Figo e o compatriota Owen – mas em sua temporada final pelo clube, após a saída destes todos, ajudaria o time a conquistar sua primeira Liga em 4 anos pós uma fraquejada do Barcelona de Rijkaard. Passaria o resto da carreira ressuscitando a MLS pelo LA Galaxy, com passagens discretas por Milan e PSG.

Na Seleção, uma carreira marcada por derrotas nas quartas de final: após 2002, foram eliminados nos pênaltis contra Portugal na Euro 2004 e na Copa de 2006, com o melhor time (de papel) da história inglesa. A eliminação custou o cargo a Eriksson e a FA retrocedeu chamando Steve McClaren, que barrou o capitão junto com outras lideranças, como Ferdinand. Foram convocados às pressas para não serem eliminados na qualificatória da Euro 2008, o que acabou acontecendo após perderem pateticamente contra a Croácia em Wembley. Uma lesão grave lhe tirou qualquer chance de ir à Copa de 2010, e o jogador mais popstar da história (até agora) discretamente sumia da seleção inglesa. Apesar da carreira repleta de fracassos, Beckham se aposentou como um veterano herói de guerra. Ele pode não ter conseguido títulos, mas pelo menos se redimiu com sucesso de seu instante de irracionalidade mais famoso…

Postado por Victor Martins Santista, farmacêutico, trintão. Gosta de futebol bem jogado e de debates filosóficos. Tem aversão a clichês e boçalidade.