Reflexões de um Palestrino
10 de janeiro de 2018
Categoria: Futebol e Nacional

Foto: Leandro Martins/Futura Press.

Hoje, no Allianz, com meu amado irmão, percebi uma coisa. Uma reflexão simples, mas que agradou meu coração.

Poucas coisas nessa vida (ou talvez nenhuma) me dão a mesma alegria e satisfação que ir a um jogo do Palmeiras. Pode ser um daqueles jogos emocionantes de Libertadores, sofridos, chorados (literalmente) até o último minuto. Pode ser um daqueles clássicos históricos que inflamam. Pode ser um jogo do título, decidido nos pênaltis. Mas o que impressiona é que pode até ser um jogo simples, morno, que não vale nada. Se tem Palmeiras em campo, tem coração acelerado, tem sangue quente, tem nervosismo, tem oração. E no dia seguinte não tem unha, não tem voz.

O Palmeiras e o torcedor palmeirense são eternos amantes, que se encontram quase que religiosamente na Rua Palestra Itália. Basta acordar, lembrar “hoje é dia de Palmeiras”, e pronto, a ansiedade do reencontro começa. No trabalho, na faculdade, na escola, as horas passam devagar, a produtividade é quase nula. O olhar focado no relógio, onde as horas demoram a passar. Olhar que em seguida volta-se para a mochila entreaberta, onde o manto verde e branco quase implora para sair. O momento de ir à esquina da Rua Caraíbas demora, mas sempre chega. Os inúmeros amantes espalhados pela cidade se reúnem, conversam amistosamente sobre o amor de suas vidas, e entram juntos no estádio, se declarando em uníssono. Em pé atrás do gol, o palestrino faz seus últimos rituais, até o apito do árbitro roubar completamente a sua atenção.

Daquele momento em diante, não existe nada além do Palmeiras. Os problemas mundanos, as diferenças, as divergências, tudo é deixado de lado. São 90 minutos sagrados, onde os quase 40 mil corações se unem, e dividem a emoção de ver uma partida do seu clube do coração. Um dia nos saudosos Jardins Suspensos, um pequeno palestrino incorporou esse sentimento à sua vida, ao ver o brilho nos olhos de seu pai. No Allianz Parque, o filho desse pequeno palestrino um dia vai viver o mesmo momento, e assim, o encontro entre Palmeiras e torcedor continua a acontecer, uma paixão secular.

Esse amor que o palmeirense sente é o verdadeiro, aquele que toma conta de tudo, completa. Aquele que leva ao êxtase, e pode também levar à melancolia. É uma devoção imensurável. Eu venho tentando descrever esse sentimento há tempos, mas parece que por mais palavras que eu encontre, nunca é suficiente. Os outros podem banalizar, duvidar, menosprezar. Não entendem, e talvez nunca entendam, como alguém pode se sentir assim. No fim das contas, Joelmir Beting tinha razão.

Postado por Pedro Vicente Buogo Jovem de 20 anos, estudante de Economia. Apaixonado pelo que faz, por boa música, e acima de tudo pelo Palmeiras.