• Racing – em busca de títulos
    9 de novembro de 2017
    Categoria: 4-3-3

     

    O Racing Club (de Avellaneda) vive um momento em que deixa a torcida sonhar. Acostumado, nos últimos anos, a poucos títulos, o clube se apegou em sua apaixonada torcida que, sempre presente, abraçou o clube e o time nestes últimos 40 anos, mesmo que sem a correspondência dos resultados em campo, na maioria das vezes.

    Dito isso, podemos dizer que o que impulsiona o clube não é, exatamente, os títulos. A paixão de sua torcida é a marca histórica da grandeza da “academia” (como o Racing Club é conhecido na Argentina). Porém, se os títulos não são o principal, eles temperam a paixão, é como um beijo “caliente” em um romance ou um drible bonito, desconcertante, em um jogo de futebol. Os títulos deixam a torcida mais feliz, é um torrão de açúcar que adoça a boca em momentos de amargura, mesmo que, para os amantes do Racing, cada jogo, pelo simples fato daquelas camisas estarem em campo, seja a razão mesma de estarem ali, independentemente do que houver em campo, seja qual seja o rival: o que ocorre em campo deixa a torcida de “la acade” mais feliz, mas nunca feliz, pois ela sempre estará em perpétuo estado de felicidade quando as camisas celestes estiverem ali.

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    É um estado permanente de felicidade, que pode ser mais ou menos plena de acordo com o que acontece em campo, mas sempre será felicidade.

    Cocca – em busca de mais felicidade

    O grande mentor deste bom momento do Racing, sem dúvidas, é o senhor Diego Cocca. Um técnico que chega ao clube vindo do modesto Defensa y Justicia, em 2014, com o maior rival e vizinho, Independiente, voltando à primeira divisão. Não obstante a perca do clássico (e o descontentamento da torcida, principalmente porque Cocca disse que preferia perder o clássico e ser campeão ao final – o que aconteceu), conseguiu sair do torneio como campeão, iniciando uma era de sonhos para a Academia de Avellaneda.

     

    Baseado em um modelo de jogo que aposta muito na segurança em geral, não somente na segurança defensiva, em uma entrega e obediência tática, sem arriscar tanto, Cocca logra montar um time correto. Depois de uma curta saída (passando pelo Millonários), Cocca volta e pega um elenco parecido (não exatamente no que tange aos nomes, mas, principalmente, no que tange ao estilo), se hoje não vive um bom momento (o Racing tem apenas uma vitória em suas últimas oito partidas), conta, com certeza, com a felicidade da torcida que lembra do título de 2014 como se fosse o título do último campeonato mundial… sim, mundial, e não nacional… a torcida do Racing exalta este senhor como se ele fosse o máximo dos máximos simplesmente por ter elevado seu grau de alegria a picos estratosféricos.

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    Cocca, porém, não está sozinho, ele está cercado de bons e valorosos jogadores que lhe permitem, inclusive, pensar em estratégias diferentes de seu usual como treinador, como, por exemplo, usar três zagueiros (o que está em moda em Avellaneda), embora neste momento o técnico não se fie em seu lastro eterno para com a torcida.

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    Nessa equipe, nomes como o bom goleiro Musso, o zagueiro (ex Independiente) Vittor, o experiente Arévalo Rios e o atacante Lincha López são as referências, mas não há um craque, como gosta que seja o técnico, a equipe inteira joga, marca e se entrega taticamente em prol do resultado, que pode não acontecer, mas não por falta de camisas soadas no final do jogo. Esse é o Racing de hoje, com condimentos de suas mais longínquas tradições, mas com um pé fincado no presente e em um propósito firme de recobrar uma senda de títulos.

    Postado por Vinicius Falcão