• “Quem podemos contratar?”
    8 de junho de 2017
    Categoria: Futebol e Nacional

     

    Era mais uma rodada normal de Campeonato Brasileiro. Meu time não estava em campo, sentei para ver o Palmeiras com um amigo alviverde. O rapaz estava agoniado, não sabia do que reclamar. Das costas sem marcação de Zé Roberto, da falta de criação ou do espaçamento entre meio campo e ataque do time paulista. As jogadas não saíam e o tempo passava. Eu falava algo como “creio que fulano pudesses estar jogando”, ele apenas acenava com a cabeça mas continuava desesperado.

    Em meio aos xingamentos direcionados para todos os jogadores do campo, ele se acalmou. Colocou a mão na cabeça e me questionou: “quem será que o Palmeiras podia contratar?”. As prováveis mudanças táticas foram deixadas de lado, aquele bom jogador do banco não servia para entrar. Com dinheiro em caixa, o mais fácil é atirar. Mirar em quem quiser e trazer. Mas será que resolve?

    Bem improvável. Com o ano quase em sua metade o Palmeiras ainda não tem cara. Reforçou a equipe pontualmente, em tese mexeria pouco, mas segue utilizando escalações diferentes em cada partida, testando aqui e ali. Cuca faz uma espécie de pré temporada com o Brasileirão correndo. É necessário, mas perigoso.

    Apesar dos testes, o treinador não parece querer experimentar tanto assim. Mesmo mexendo as peças no campo e tentando formações, ele não roda o grande elenco que tem. Com um meio espaçado, o time alviverde vem jogando sem um meia de criação. Ora é Tchê Tchê, ora Melo tem liberdade. Sem Guerra Cuca não arrisca. Veiga e Hyoran só ganham os minutos finais de desespero para mostrar seu trabalho.

    A partir deste momento, o técnico palestrino se junta ao coro de torcedores. Vai aos microfones e diz que precisa de reforço, que o elenco é pior que o do ano passado, isso e aquilo. É possível realmente concordar com a afirmação de Alexi, afinal, perder Jesus e não contar com Moisés é de fato uma queda grande de qualidade, mas o plantel é sim qualificado e dá muitas opções, sendo, sem dúvida, um dos melhores do país.

    Em times de menor poderio financeiro, o desespero do treinador seria o de fazer o material que tem render o máximo possível. Com o caixa transbordando por conta de boas administrações e altas cifras do patrocinador, a solução mais simples parece gastar, contratar, reforçar. Muitas vezes sem equilíbrio ou planejamento.

    Nem os milhões gastos em Borja fazem o time deixar a busca por outro fazedor de gols de lado. Desistir do colombiano é realmente o melhor caminho? Despejar mais dinheiro em um concorrente para ele é a solução? (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

    Não somos ignorantes de afirmar aqui que o Palmeiras tem um super time perfeito e que Cuca não precisa de reforços. Precisa, mas não assim, como a torcida quer. Não é olhar para o ataque sem funcionar e sair atrás de um atacante a qualquer custo. É tentar tirar dos bons nomes rendimentos condizentes com sua trajetória. É reforçar o setor defensivo, que precisa urgentemente de laterais, para dar mais segurança para o ataque trabalhar. É ajustar e testar todo o plantel, para extrair o máximo de cada um.

    Cuca tem todo o direito de testar e querer se reforçar. Mas as decisões atuais não parecem tão coerentes. Na hora de testar, só os nomes de confiança tem espaço (lembrando muito de um problema de Tite no Corinthians, que demorou a se desfazer de alguns jogadores pela gratidão dos títulos), deixando garotos de potencial de lado. Na hora de contratar, nada de solucionar a principal carência do time, o treinador prefere ir na onda da torcida e trazer alguém que, enfim, faça gols.

    No fim, a pergunta “quem podemos contratar?” tem inúmeras respostas. Já a “adianta mesmo?” fica sem uma solução concreta.

    Postado por Andrew Sousa Formando-se em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Corinthiano, Magpie, amante de jogadores ruins e apaixonado por um bom domínio, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.