Quando percebemos que a eterna contestação a Dani Alves era injusta
11 de maio de 2018
Categoria: Futebol e Seleções

 

O jogador com  mais títulos da história de futebol é brasileiro, mas não é Pelé. É lateral direito, mas não é Carlos Alberto Torres. Jogou no Barcelona, mas não é Neymar, nem Ronaldinho, nem Romário…

E se eu te disser que o jogador com mais títulos da história do futebol foi o jogador mais contestado na titularidade da Seleção Brasileira nos últimos anos?

Este rapaz é Daniel Alves. Que nesta sexta-feira teve o triste anúncio da gravidade de sua lesão no joelho, que o tirará a oportunidade de disputar sua terceira Copa do Mundo.

Tal notícia foi recebida como uma bomba pelos torcedores brasileiros. Afinal, o sistema defensivo da seleção é o que menos havia ressalvas a se fazer. Mesmo Daniel sendo muito cobrado, a sua presença era mais que assegurada no mundial. Alguns dizem que por falta de opção.

Será? Será que um jogador que joga em alto nível na Europa desde 2008, que acumula em sua carreira 38 títulos, seis vezes na seleção do ano da Fifa e mais inúmeros prêmios individuais só conseguiu ficar 10 anos na titularidade da seleção por falta de opção?

Tite perdeu uma peça e tanto de seu esquadrão que vai à Rússia.

A verdade é que com Daniel, o pé atrás sempre foi presente. Desde quando Dunga convocou o baiano pela primeira vez, em outubro de 2006, seu nome foi colocado em debate. Primeiro pelo desconhecimento, que ele venceu em 2008 quando se juntou ao Barcelona de Guardiola para fazer parte de um dos times mais vencedores da história. Sempre titular, sua importância no esquema de Pep era clara, velocidade e facilidade de explorar espaços com sua técnica ajudaram e muito ao Barça a conquistar tudo o que conquistou.

Mas no Brasil o cenário era outro, mesmo fazendo um gol importantíssimo na semifinal da Copa das Confederações de 2009, sua presença no time titular era quase inimaginável.  É bem verdade que o titular da posição vivia momento incrível – Maicon era recém campeão europeu com a Inter. Porém, nunca nem se comentava sobre um dos alicerces do jogo de posição e superioridade numérica tão valorizados pelo mundo. Daniel era só mais uma peça.

Já no pós-Copa de 2010, o jogador ganhou mais espaços, virou titular e jogador de extrema confiança de Mano Menezes.

E então começaram as críticas, seja por suas deficiências defensivas, seja por sua irregularidade, ambas críticas falaciosas, considerando o sistema precário de cobertura que a seleção tinha, além da presença sempre de dois laterais fortíssimos no ataque. Daniel então começou a ser perseguido pelo torcedor brasileiro médio, tendo até sua convocação questionada.

Na Copa de 2014, perdeu a posição de forma justa para Maicon. Daniel fez uma competição abaixo das expectativas, e realmente, e mereceu perder lugar. Mas logo no ano seguinte ele foi de novo campeão da Champions League, sendo peça importantíssima na conquista.

Em 2016/2017 talvez viveu seu auge, jogando pela Juventus, não é nenhum absurdo considera-lo melhor jogador do time italiano na fase final da temporada. E mesmo assim era questionado, a ponto de não ser convocado para alguns jogos com Dunga.

Daniel deve ser valorizado. É com toda certeza um dos jogadores mais completos de uma posição extremamente escassa no futebol atual. Um exemplo disso é o desespero do Manchester City para buscar Kyle Walker. Daniel tem um espírito que poucos tem o privilégio de assumir. Ele cheira a taça.

E hoje, quando Daniel perde talvez sua ultima oportunidade de ser campeão com a amarelinha, é que percebemos que agimos com injustiça. Principalmente quando olhamos para as opções. O chutado do Real Madrid Danilo, o contestado Fagner, o decadente Rafinha.

Uma pena que o jogador com mais títulos da história do futebol perca a oportunidade de ter na sua prateleira a medalha de campeão do mundo. Mas por incrível que pareça, quem mais perde é Tite e seu esquadrão.

Aguardemos. E rezemos.

Postado por Igor Varejano 18 anos. Do interior de São Paulo. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha.