O projeto da CBF – e de Tite – para as próximas Copas do Mundo
16 de julho de 2018
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Nacional e Seleções

Tite, caso fique, terá um projeto muito rico em mãos

A Copa do Mundo de 2018 acabou. Em anos anteriores, não ter o Brasil na decisão seria significado de necessidade de reformulação na comissão técnica do time brasileiro. Desta vez, não. Tite é a prioridade da CBF e de muitos brasileiros.

Mesmo com certas discordâncias sobre as decisões do treinador durante o mundial, todos sabem que a continuidade do gaúcho no comando da equipe é de suma importância para que a seleção volte a ganhar um título mundial – e sua saída poderá dificultar muito isso.

Nas duas últimas Copas do Mundo, a Seleção Brasileira foi eliminada por países que seguiam um projeto há anos com os jovens jogadores até chegar à equipe principal. A Bélgica, por exemplo, que foi a causadora da ultima derrota do Brasil, teve um projeto a longo prazo até chegar ao brilho em 2018.

Marcello Neves, do Terra, conta todo este trajeto belga neste texto. Ele diz que tudo começou após uma frustração na Eurocopa de 2000 em casa, a eliminação nas oitavas para o Brasil em 2002 e as duas copas seguidas que ficou sem jogar até o retorno em 2014.

Leia também: Entre a continuidade e a renovação – O caminho da Seleção Brasileira até o Catar

Precisaram pensar no futuro. Passaram-se 18 anos desde o primeiro resultado decepcionante. O resultado chegou agora. A medalha de bronze conquistada na Rússia, superando a quarta colocação da seleção em 1986, é algo histórico para o país.

Do outro lado, o projeto alemão nunca foi uma surpresa para ninguém. Com a permanência de Joachim Low até o mundial de 2022, serão 16 anos sob o comando de um mesmo treinador, algo inimaginável para os clubes brasileiros e muito menos à seleção.

O ápice do projeto alemão foi no Brasil, em 2014 (Foto: Reuters)

O livro ‘Gol da Alemanha’ mostra muito bem esta trajetória até o brilho em 2014. Mais do que o título, muitos alemães dizem que a cada novo ano aparece um jogador brilhante na Bundesliga. Timo Werner, Julian Brandt, Joshua Kimmich, entre outros, geram muitas expectativas pelos europeus e são frutos de todo um projeto longo, duradouro, mas que demanda tempo e calma para florescer.

Mas… e no Brasil? A cada nova Copa do Mundo espera-se que o título venha. Uma eliminação no mundial gera diversas críticas sobre o treinador da Seleção. Depois da derrota, já começam a projetar a equipe de daqui quatro anos. Algo legal, vide a quantidade de atletas talentosos que temos com pouca idade.

Mas ainda falta um projeto. Um plano para que a próxima equipe do Brasil tenha uma cara, uma personalidade, um estilo de jogo que esteja enraizado nos clubes nacionais e esteja na mente dos atletas.

Foi isso o que Tite pediu para a CBF. Mesmo sem dizer o “eu fico” ainda, as influências do treinador já estão presentes para o próximo torneio. O projeto brasileiro dá um pontapé bem simples, mas que pode dar bons frutos nas próximas gerações.

A CBF terá cerca de 12 escolinhas de futebol espalhadas pelo Brasil até 2019. Muito mais do que encontrar talentos, será responsável em estimulá-los e ensiná-los a chegar ao profissional pronto para uma Copa do Mundo mesmo que tão jovem.

A metodologia, que teve ajuda do atual treinador brasileiro, tem, em seu manual, as filosofias de jogo que Tite mais gosta e busca colocar em seus times. Isto já está sendo praticado em Ribeirão Pires, na primeira escolinha da CBF, inaugurada no fim do ano passado.

Segundo o jornalista Rodrigo Capello, da revista ÉPOCA, o projeto funcionará como uma tríade. A Confederação Brasileira de Futebol entrará com a filosofia de jogo, as prefeituras com a estrutura e o patrocinador financiará a compra dos materiais esportivos e a alimentação.

A matéria da revista ainda tem uma fala do gerente do departamento responsável Diogo Cristiano Netto muito interessante:

“A grande maioria de quem pratica futebol não chega até a alta performance, então este é um projeto com viés socioeducacional. Mas as crianças que tiverem aptidão certamente terão a oportunidade de seguir carreira em algum clube”.

Embora o projeto seja diferente dos europeus, como o da França ou o da Alemanha, a primazia é a mesma: formar atletas mais inteligentes, com alto nível de potencial para que cheguem aos seus clubes com grandes chances de protagonismo.

Isto é ótimo. Quanto mais se estuda e se pensa o jogo, melhor será as possibilidades de resultados agradáveis. A Alemanha, a Bélgica, a França são ótimos exemplos como seleções. A predominância europeia nas decisões desta Copa do Mundo também mostra o valor de todo esse planejamento longo, mas de uma importância grandiosa.

Postado por Rafael Brayan Torcedor do Corinthians e adepto do jogo inglês, sou apaixonado pelo futebol bem jogado. A única coisa que pode ser comparado a assistir um bom jogo é uma conversa sobre este esporte com bola.