Para construir seu futuro no Fluminense, Fernando Diniz precisa entender o seu passado
29 de abril de 2019
Categoria: Futebol e Nacional

Lucas Merçon/ Fluminense

Foi dada a largada do Campeonato Brasileiro de 2019. No último jogo válido pela rodada inicial, o Fluminense começou sua campanha no torneio nacional com uma derrota para o Goiás dentro do Maracanã. Em uma partida polêmica em relação ao uso do VAR, os comandados de Fernando Diniz foram derrotados pelos goianos em um placar de 1 a 0, com direito a gol de falta de Rafael Vaz já no final do confronto.

Conhecido por possuir um estilo de jogo mais cadenciado, com intensa troca de bola e praticamente banindo os chutões, Diniz enfrenta, pela segunda vez em sua carreira, o desafio de disputar o Brasileirão como técnico. Em sua estreia, no ano passado, comandou a equipe do Athletico-PR, onde obteve 25% de aproveitamento dos pontos disputados — de 12 jogos, Diniz ganhou dois, empatou três e perdeu sete.

Com um início espetacular — goleada de 5 a 1 em cima da Chapecoense e um belo jogo, apesar do empate em 0 a 0 com a equipe do Grêmio —, o treinador voltou a esbanjar a moral com a imprensa e torcedores do bom futebol, conquistada depois do vice-campeonato paulista com o Audax no ano de 2016.

Durante sua passagem em Curitiba, Diniz foi tratado como um treinador fora do comum do futebol brasileiro, muito das vezes tendo uma intensa proteção por quem o rodeava, sejam diretores ou jogadores influentes: Mário César Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo, por diversas vezes, veio a público bancar a continuação do projeto de Diniz no clube e criticar a perseguição feita pela mídia; Thiago Carleto, lateral da equipe paranaense, chegou a afirmar que Fernando ainda chegaria a comandar a Seleção Brasileira. O técnico possuía bastante credibilidade no time do Furacão para implementar seu estilo de jogo.

Reinaldo Reginato/Fotoarena

Em contrapartida, o projeto, aos poucos, começou a desandar. As críticas tiveram início quando Diniz preferia escalar sempre os mesmos jogadores que não eram produtivos, invés de testar alguns nomes da base paranaense — experiência feita pelo seu sucessor no cargo, Tiago Nunes, revelando grandes nomes como Bruno Guimarães e Renan Lodi.

A falta de efetividade do ataque do Furacão impactou nos resultados da equipe e foi responsável pela demissão do técnico. Os jogadores de Diniz trocavam muitos passes, mas não conseguiam ser efetivos nas finalizações a gol. Durante as 12 partidas no comando do Athletico, o treinador manteve uma média de 60% de posse de bola, entretanto, pouco convertia as finalizações feitas em gol.

Com apenas dez gols em 12 partidas, sendo cinco na partida inicial contra a Chapecoense (5 a 1), Fernando Diniz foi demitido do Athletico e deixou o clube paranaense na 19ª posição do Campeonato Brasileiro.

O popular futebol de “arame liso” — troca muitos passes, roda a grande área, mas não fura a defesa adversária — é uma das grandes barreiras do sucesso de Fernando Diniz. A equipe atual de Diniz, o Fluminense, já enfrenta este problema há alguns jogos. O elenco carioca consegue manter uma grande porcentagem de posse de bola, porém, é pouco efetivo ofensivamente.

Durante as partidas da Copa Sul-Americana e da Copa do Brasil, a existência dessa problemática ficou evidente para quem acompanha o clube. Apesar de o nível técnico no ataque tricolor não ser um dos melhores do país, é um pouco inaceitável que um dos 12 grandes do Brasil não consiga ser efetivo contra equipes de baixa qualidade comparada ao Fluminense, como Antofagasta, Luverdense e Santa Cruz.

Ao contrário do período no Athletico, Diniz teve o campeonato carioca como um laboratório de ideias, enfrentando equipes menores para poder estabelecer seu estilo de jogo dentro do elenco. Com o início do campeonato nacional, o treinador precisa procurar uma forma de aumentar os números ofensivos e conta com bons nomes para seu ataque — Everaldo, Luciano, Pedro e Yony González —, além de ter o comando de Paulo Henrique Ganso para armação de seu meio-campo.

Lucas Merçon/Fluminense

O futebol brasileiro perde com a baixa produção do estilo de jogo proporcionado por Fernando Diniz. O treinador precisa de mais um trabalho proveitoso para sua carreira. Por isso, aposta alto em seu período no Fluminense. Ainda com a fama de vice-campeão paulista pelo Audax, a credibilidade de Diniz pode ficar em xeque com um possível fracasso na Cidade Maravilhosa.

O treinador precisa refletir sob os erros cometidos nessa caminhada para poder construir seu futuro no futebol brasileiro sem ter que se vender para o pragmatismo como outros nomes do cenário.

Postado por Emanuel Leite Estudante de jornalismo, 18 anos e botafoguense. Apaixonado pelo Glorioso e seus inúmeros ídolos. Prefiro deixar o pessimismo de lado e acreditar que tudo pode ser possível quando se fala de futebol.