Otimismo com “nova geração” realça erros e aumenta decepção com escolhas de Tite na Rússia
12 de setembro de 2018
Categoria: Futebol e Seleções

 

O adversário não pode servir como parâmetro, é claro, mas o amistoso entre Brasil e El Salvador tem seu peso no precesso de recuperação da confiança da Seleção e de seus torcedores. Com um time bastante modificado, Tite começou a transição que deve ser a tônica de seu trabalho até o próximo Mundial, em 2022. E mesmo com muito espaço para jogar e em ritmo de treino, muita coisa boa pôde ser notada no embate (patético, é bem verdade) desta terça-feira.

Embora seja positivo acompanhar o retorno de Dedé, a chance para Militão, os gols de Richarlison e a titularidade para Alex Sandro, que deve virar o dono de sua posição, o que mais anima é outro setor. Principal problema da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, o meio campo verde e amarelo parece ganhar nova vida após o fracasso na Rússia.

Contra os Estados Unidos, Fred apareceu ao lado de Casemiro e desempenhou bom papel. Agora no Manchester United, o ex-Shakhtar Donetsk é um meio campista moderno, de muita qualidade na saída, movimentação e preenchimento de espaços. Se os ânimos da torcida já ganhariam nova vida com o canhoto, há ainda mais opções para vislumbrar um bom futuro.

Fred pode ser uma das peças chaves do futuro verde e amarelo.

Diante de El Salvador, foi a vez de Arthur ganhar uma chance ao lado do volante do Real Madrid. E, como Fred, agradou. O atleta do Barcelona é a completa antítese do que foi Paulinho, hoje na China, no Mundial da Rússia. De cabeça erguida, comanda o setor por completo como um maestro. Protege a bola, gira, procura os espaços e vez ou outra ainda acerta um bom passe mais vertical. Ter Arthur é ter o domínio do setor considerado o “coração do jogo”. 

No decorrer das partidas, ainda, Tite pôde mandar a campo outras duas joias da nova geração: Andreas Pereira, do Manchester United, e Lucas Paquetá, do Flamengo. Com todos esses nomes e o consolidado Casemiro, é difícil imaginar um meio campo tão fraco, espaçado e pouco influente quanto o que vimos na Copa do Mundo, com Paulinho ou Fernandinho – que, sim, é excelente no Manchester City, mas não desempenhou bom papel com a camisa da Seleção.

Com o leque aumentando e a chance real de contar com excelentes jogadores em mais de uma Copa do Mundo, as esperanças para o futuro se renovam para quem acompanha os comandados de Adenor. Ao passo que o sorriso volta ao rosto do brasileiro, no entanto, fica a sensação de tristeza pelo passado recente. Fred, Arthur, Andreas Pereira e Paquetá não surgiram agora para o futebol e poderiam ter nos ajudado no Mundial conquistado pela França.

Sim, é bem verdade que Fred teve uma lesão no decorrer do Mundial, mas mesmo apto para atuar na reta final, foi preterido por Fernandinho e até por Renato Augusto. O caso de Arthur é ainda mais lamentável. Voando com o Grêmio e comandando a equipe multicampeã de Renato Gaúcho, o volante sequer foi chamado por Tite para compor o grupo que viajou ao país de Vladimir Putin. Na época, já era o melhor que tínhamos – ainda mais para a função de “ritmista”, tão destacada pelo técnico.

Tinha espaço na delegação que foi à Rússia, hein?

Acompanhando o início deste “novo” trabalho, fica mais notório o quão prejudicial foi a teimosia de Adenor em território russo. Ainda tentando remontar os cacos deixados pela eliminação frente a Bélgica, porém, podemos, aos poucos, erguer a cabeça e vislumbraer uma geração vitoriosa, mais “moderna” e de muito talento. As opções que não tivemos em 2018, podem estar “sobrando” em 2022. Que a garotada siga crescendo. Precisamos muito deles. 

Postado por Andrew Sousa Formando-se em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.