Os Javalis Selvagens: o valor da vida e a bola que rola
11 de julho de 2018
Categoria: 4-3-3

Javalis Selvagens: os verdadeiros campeões do mundo

Naquela caverna, em meio aos 12 meninos e o professor, o futebol fez seu abrigo. Ali, em uma coincidência infeliz do destino, na época de Copa do Mundo, ficou preso um time de futebol. Assim como milhares que existem aqui, na Argentina, na Colômbia, no Senegal, no Irã. Um time de moleques, que sonham em ser Cristiano Ronaldo, Harry Kane ou Diogo, brasileiro artilheiro do último campeonato Tailandês.

O sonho que reside na mais simples aspiração. De ser algo. De se divertir sendo algo. Assim como os Marroquinos e Tunisianos, saíram, mas foram algo, se divertiram. Viveram. Assim como cada menino. Os nove dias que passaram sem nenhum contato com o mundo exterior, foram nove dias sem sonho.

Tal caso traz uma forte reflexão sobre a vida. O completo desespero em imaginar morrer abandonado, no meio do nada, de morrer sem oxigênio, morrer após uma partida de futebol, em uma celebração. Que injusto. Logo naquilo que os tornava mais realizados, o que os trazia para um mundo diferente das outras pessoas. Injusto. Como a vida. Como se num jogo, o goleiro falhasse como Muslera, um gol contra como o de Fernandinho, um gol perdido como o de Meza. O improvável dando suas caras para frustrar certas expectativas.

Mas lutaram para sobreviver. Como devemos fazer. Racionaram comida e esperaram. Esperaram pelo o que? Talvez por nada. Era improvável que alguém aparecesse naquela caverna no meio de uma época de tempestades fortes. Improvável, pra não dizer loucura.

E quase como numa ação conjunta entre os Deuses do Acaso e do Futebol, alguns mergulhadores o encontraram. O acaso e o futebol têm uma relação muito próxima. Ou alguém esperava a eliminação da Alemanha e da Espanha? Eles se amam. O improvável não deixou só suas atenções voltadas a Copa do Mundo. Olhou também para os Javalis.

E ontem, no dia 10 de Julho, sairam os últimos dois integrantes do verdadeiro time campeão do mundo. Logo em dia de semifinal. Umtiti marcou na Rússia. 1 a 0 para os franceses. Mas Ekkarat Wongsookchan, Pipat Bodhi,  Prajak Sutham, Panumas Saengdee, Phornchid Kamluang, Adul Samon, Peerapat Sompiangjai, Sompong Jaiwong , Duangpetch Promthep, Chanin Wiboonrungrueng, Nattawut Takamsai, Mongkol Boonpium, Ekkapol Chantawong marcaram na caverna da Tailândia. Marcaram por estarem vivos, marcaram por lutar até o fim.

Postado por Igor Varejano 18 anos. Do interior de São Paulo. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha.