Olhar 4-3-3: Saúl Ñíguez
27 de junho de 2017
Categoria: Olhar 4-3-3

Arte: Hugo Alves

 

Após dominar o mundo com o meio campo mais genial desta década, a seleção espanhola vive um dilema que, apesar de tudo, já parece ter seu fim encaminhado. Com a iminente aposentadoria dos principais nomes da seleção que conquistou o mundo em 2010 (em especial Xavi e Iniesta)  surge nos bares espanhóis uma discussão: Quem os substituirá? A resposta completa ainda não foi obtida, mas parte dela sim e atende pelo nome de Saúl Ñíguez.

Cria das canteiras do Atlético de Madrid, o meia vive o auge de seus 22 anos e desperta interesse do mundo inteiro por sua qualidade técnica irretocável unida a seu forte poder físico – que o permite trabalhar tanto no setor ofensivo, quanto no setor defensivo, qualidades indispensáveis para o sistema tático de Diego Simeone. O herdeiro da camisa 8 espanhola é o cara do Olhar 4-3-3 desta semana.

Após anos de formação em uma das categorias de base mais promissoras da Europa, Saúl debutou no futebol em 2012, quando foi lançado à campo na partida contra o Besiktas, válida pela fase 16-avos-de-final da Uefa Europa League. Entretanto, a primeira partida com a camisa do time profissional não marcou definitivamente sua incorporação total ao time principal rojiblanco e o meia continuou atuando com a equipe de base, algo comum na Europa.

Com a necessidade de dar volume de jogo ao até então camisa 22, o Atlético de Madrid emprestou Ñíguez ao Rayo Vallecano, onde o meia começou a demonstrar bom futebol – suficiente para que Cholo Simeone pedisse seu retorno ao Atleti e passasse a utilizar-lo com mais frequência, incorporando-o ao sistema já bem sucedido.

Foto: David Ramos/Getty Images

De volta à Madrid, não demorou muito para que Saúl conquistasse sua titularidade, colocando o português Tiago no banco. Sua entrada foi justificada pela necessidade de mais ofensividade, característica que não é encontrada no volante português e que é um dos pontos principais do futebol do meia espanhol. Tal ofensividade foi fator importante em diversos momentos, inclusive em vitórias na UEFA Champions League.

A última temporada foi de consolidação. Já com a titularidade alcançada e com sua importância comprovada, Saúl teve a tranquilidade para demonstrar sua qualidade técnica em campo e foi – ao lado de Griezmann – o fator surpresa de um Atlético de Madrid extremamente defensivo. Suas finalizações de fora da área e até mesmo a infiltração com a bola nos pés fizeram estragos não apenas na Espanha como na Europa.

Pontos fortes: Qualidade técnica, velocidade, recomposição defensiva, presença ofensiva, qualidade na finalização de fora da área e poder de marcação. Estes são apenas alguns dos atributos notáveis do jogador que pode ser considerado um meia completo, já que sabe atuar nas posições defensivas ou ofensivas do setor.

 

Pontos fracos: Poucos são os atributos negativos presentes em Saúl. Talvez o que mais chame a atenção seja uma possível ausência de concentração ou até mesmo de comprometimento em determinados momentos da partida. No entanto, trata-se apenas de uma questão de maturidade (talvez) ou de cansaço devido ao esforço físico em excesso gerado pela grande movimentação “errada”, ou seja, corridas desnecessárias – coisa característica dos jovens atletas.

 

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Postado por Hugo Alves Carioca, estudante de jornalismo, apaixonado por esportes e pelo impacto deles na sociedade. Editor na VAVEL.com e colunista no Blog 4-3-3.