O tabu do futebol como ciência e o debate simplista
10 de setembro de 2019

Em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo no último domingo (08), Tostão resume as estratégias de jogo em Guardiolistas e Simeonistas, em referência aos técnicos Pep Guardiola, do Manchester City, e Diego Simeone, do Atlético de Madrid.

Como conceito, a estratégia de jogo passa pela cultura, pelo padrão e pelo modelo de jogo. Isso nos leva a pensar que o jogo em si é muito mais que a cabeça de um treinador e suas ideias, por mais que seja ele quem dite as regras do que deve ser feito.

No ato de treinar, o técnico deve levar em consideração as características e a experiência dos jogadores que possui em seu elenco. Baseado na individualidade de cada um, desde o estilo de jogo até aos vícios ao longo da carreira, cada estratégia terá suas particularidades.

Tentar resumi-las no trabalho de um ou dois treinadores é ser raso e pouco objetivo. Na coluna, é colocado que Guardiola é amante da posse de bola e Simeone um apaixonado pelo jogo reativo, seguro. Além dos técnicos citados acima, Tostão cita Jürgen Klopp, do Liverpool, como uma vertente do Guardiolismo, mas com mais intensidade de jogo.

Olhar para um jogo, tentar identificar e entender a estratégia de jogo que norteia a comportamento dos jogadores de uma equipe é apenas um dos passos para identificar um pedaço fractal de um padrão de jogo. E resumir todas em apenas duas “caixinhas” te deixa muito mais próximo do equívoco e de deixar o debate cada vez mais pobre, na busca de uma objetividade desnecessária.

Discutindo com alguns amigos, coisa rápida, de cara já disseram que Guardiola e Klopp têm pouco a ver um com o outro pelo simples fato do que fazem sem a bola. A marcação e o posicionamento nas transições defensivas e na reorganização da equipe são primordiais na estratégia de jogo e que determinam inúmeras situações dentro de uma partida de futebol.

A discussão no futebol, principalmente no que tange a tática, ainda é bastante pobre e recheada de preconceitos, incluindo de nomes fortes da mídia esportiva. Muitos ainda veem com olhos tortos a discussão sobre como os times se dispõem no gramado e do estudo de todos os movimentos até o momento mais incisivo do jogo: o gol. O futebol como ciência ainda é tabu no Brasil.

A evolução vem com discussão e estudo. Simplificar é, na maioria da vezes, perder detalhes importantes e significativos que num contexto geral podem ser indispensáveis para ser, ou não, campeão.

Postado por João Vitor Nunes Jornalista no interior de Minas, formado pela Universidade Federal de Ouro Preto. 22 anos. Atleta recém promovido ao sub-óbito.