O Scolarismo: as 3 bases da revolução anímica no Palmeiras
10 de setembro de 2018
Categoria: 4-3-3

Felipão mudou o clima do Palmeiras.

A imagem era de tristeza. Os torcedores desolados voltando para casa. Uma triste sensação de despertencimento. Como se a realidade tivesse arrancado seu véu e se mostrado por inteira para a torcida palestrina. Você inclusive pode perceber essa sensação no texto postado após a fatídica final do campeonato Paulista de 2018. O clássico, a derrota e a vida. Provavelmente um dos dias mais tristes do ano para aqueles que vestem verde. Via-se ali o time com a melhor defesa, melhor ataque e melhor campanha da competição quedando frente ao enfraquecido Corinthians de Fábio Carille. Perder jogando melhor. Uma lástima. Ainda mais dolorido, como se faltasse alma. Tendo a vantagem e ver ela sumir nos primeiros minutos de jogo.

E hoje, exatos cinco meses depois, a euforia toma conta. Uma vitória jogando bem melhor que o rival, em uma fase em que o time pode dizer que disputa oficialmente os três títulos que ainda restam. Muitos podem ser os motivos para tão efusiva mudança de momentos. A consolidação do sistema defensivo. A boa fase de Deyverson e Borja. Dudu voltando a chamar a responsabilidade. Moisés muito bem na construção de jogo…, mas a verdade é que um motivo só é a causa de todos os outros: A troca de Roger por Felipão.

Isso se torna visível nos números – 12 jogos, 1 derrota, 3 empates e 8 vitórias, apenas 2 gols tomados e 14 feitos. A terceira posição no Brasileiro, quartas da Libertadores e semis da Copa do Brasil. Mas a mudança está bem longe da análise fria dos números. Aliás, está no quente. No sangue quente. O técnico que sempre teve amor de todo palmeirense, trouxe uma verdadeira revolução dentro do ano verde.

A revolução que Luiz Felipe trouxe é visível pra quem assiste os jogos. Se o Palmeiras de Roger sofria com uma falta de força de reação para matar os jogos ou buscar viradas, como na Final do Paulista, o time de Felipão impõe uma força quase que sobre-humana. Jogadores como Deyverson, Marcos Rocha e Luan melhoraram exponencialmente seus rendimentos, principalmente no que tange a raça e atenção ao campo de jogo. É incrível também como o técnico pentacampeão mundial mantém o elenco em águas calmas. E toda essa mudança é chamada pela torcida Palmeirense de SCOLARISMO. Esse estilo pode ser dissecado levando como base três alicerces:

AS TRÊS BASES DO SCOLARISMO

HARMONIA DO ELENCO

O Palmeiras é talvez o time que possui o maior elenco do Brasil. São pelo menos dois jogadores bons por posição. E muitos especialistas da crônica esportiva julgavam ser o grande desafio gerir essa gama de possibilidades, egos e personalidades. Roger não parecia ter problemas, porém, também não se via um time muito unido, era claro até um distanciamento do time com o treinador.

União.

Com a chegada de Felipe, isso mudou de forma considerável. Com uma postura limpa e clara com o elenco, dividiu o time entre as copas e o Brasileiro, dando oportunidades para todos. Jogadores como Lucas Lima, Victor Luís e Luan recuperaram muito a confiança, funcionando muito bem dentro do esquema proposto. É quase impossível imaginar que esse time se desmanche dentro de si mesmo até o final do ano. A harmonia entre jogadores e comissão técnica é aparente e demonstra firmeza para seu torcedor. E o sangue esquenta.

IDEIAS FIRMES

Com Felipão, todo mundo sabe como o Palmeiras vai se comportar. Pressão logo após a perda de posse, bolas longas no centroavante, muita força no jogo aéreo, defesa com ótima recomposição e os jogadores muito pilhados. Com Roger, no começo as ideias até que eram claras, imposição técnica, posse de bola, ocupação de espaços… mas com o decorrer da temporada algumas coisas foram se perdendo.

De Moisés a Deyverson, todos tem suas funções vem definidas.

Roger em alguns jogos em que o time não criava, recorria em povoar a grande área, as vezes usando Deyverson e Borja, abusando dos cruzamentos. Mostrando uma “ruptura” no esquema moderno que com o qual ele ficou famoso. Se a beleza não é o forte, a eficiência do jogo do “novo” Palmeiras é óbvia. Ou seja, o time sempre demonstra um padrão, gerando entrosamento e confiança nos jogadores. Esquentando o sangue.

JOGADORES-CHAVE 

Felipe claramente olhou para seu elenco e se apoiou em alguns líderes do time para construir sua influência. Atletas como Dudu, Moisés, Bruno Henrique, Felipe Melo e Edu Dracena ganharam fôlego novo e mostram estarem prestigiados. Sempre conduzindo o time dentro de campo. Sendo as “vozes” do treinador no interior das quatro linhas.

 

E isso é muito importante na consolidação de um grupo. Os líderes fechados com o comandante, refletem que todos ali acreditam nas ideias e vão abraça-las. E aí, a questão de se doar pela camisa vira consequência. Os jogadores jogo após jogo evoluem no sentido anímico, ganhando as divididas no campo de ataque adversário, exibindo muita atenção na defesa e capitalizando muito mais as chances de gol, transformando-as em resultado. Fervendo o sangue.

Portanto, essa drástica mudança de clima vista em cinco meses passa por vários aspectos. E quase todos se devem a figura de Felipão dentro do vestiário. Gostando ou não, tem que respeitar um dos técnicos mais vencedores do nosso futebol, que trouxe vida nova a um time que sempre foi sua casa. Felipão tem sangue verde, e está ajudando a esquentá-lo. Significa que títulos virão? Difícil dizer. Mas a mudança de sentimento já é realidade.

Postado por Igor Varejano 18 anos. Do interior de São Paulo. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha.