O primeiro brasileiro a vencer uma Eurocopa – Marcos Senna
2 de dezembro de 2017
Categoria: Entrevistas
Resultado de imagem para marcos senna

 

Um dos maiores ídolos da história do Villarreal e integrante daquele time espanhol memorável que venceu a Eurocopa de 2008, Marcos Senna dispensa apresentações. Volante bastante técnico e dinâmico, teve seu auge em solo europeu, quase conseguindo o feito histórico de levar o submarino amarelo a uma final de UCL. Embora tenha ficado de fora da Copa de 2010, Senna é bastante reverenciado na Espanha. Batemos um papo com o ex jogador e tocamos em diversos assuntos.

Confira na íntegra;

1. Recentemente, foi divulgada a gravidade das lesões que seu ex-companheiro de time no Villarreal, o espanhol Santi Cazorla, sofreu no tornozelo, chegando a perder oito centímetros de medida do pé. Você esteve em contato com ele em algum momento das complicações? Se aposentaria no lugar dele?

Sim, eu estava com ele. Ele sofreu muito e continua a sofrer, mas eu no lugar dele tentaria até o fim. Eu também sofri bastante com lesões muito complicadas, mas me recuperei e voltei a jogar. No caso dele, eu não sei se voltará aos gramados, mas está tentando se recuperar de tudo que está acontecendo neste momento.

2. O quanto te afetou ficar fora da Copa de 2010, torneio esse que a sua seleção viria a se sagrar campeã mundial? Qual acha que foi o real motivo para não terem te chamado?

Obviamente me afetou muito não ter sido chamado para a Copa de 2010. No começo, doeu muito, mas pouco a pouco fui superando. Eu acho que foi um momento em que eu já não mantinha o mesmo nível de 2008, mas estive em todos os jogos da classificação da Espanha para o torneio. Eu estava na convocação dos trinta, mas na última hora eu não sei o que ele pensou, que decidiu deixar-me fora. Tudo já foi superado, obviamente.

3. Você fazia parte daquele histórico plantel do São Caetano que chegou na final da Libertadores, caindo para o Olímpia. O que aquele elenco tinha de diferente para ir tão longe? Porque acha que, nos anos de ouro, não conseguiram nenhum título de renome?

Tivemos um elenco extraordinário com jogadores experientes que sabiam o que queriam, a união era incrível e conseguimos alcançar algo que muitos grandes times históricos não conseguiram. Uma pena não termos nos consagrado com o título. Nós tínhamos o título nas mãos, mas ele nos escapou. Foi um momento muito lindo, gostei muito desse grupo.

Resultado de imagem para são caetano x olimpa

O clube paulista sucumbiu ao Olimpia do Paraguai.

4. O esquadrão semifinalista da Europa formado pelo Villarreal é lembrado até hoje por torcedores e admiradores. Aquele foi o melhor time que você já fez parte? Como era conviver com craques como Pires e Riquelme no dia dia?

Foi um momento espetacular onde também gostava muito da equipe. Chegamos a um nível muito alto, para um time proveniente de uma cidade de 50 mil habitantes, tivemos grandes nomes como Riquelme e Pires, já mencionados. Desfrutamos muito da companhia desses grandes nomes do futebol mundial. Conseguimos chegar nas semifinais da Liga dos Campeões, muitos nomes históricos não conseguiram alcançar esse estágio. Foi talvez uma das melhores equipes em que joguei em toda a minha carreira. Também estive no Corinthians onde ganhamos o Brasileirão e depois o Mundial e em seguida o Campeonato Paulista, foi uma das melhores equipes que joguei a nível de clube também.

5. O Cosmos é mundialmente conhecido como o time em que Pelé encerrou a carreira. Você atuou por lá no fim da sua carreira também, quais sãos as referências que o clube ainda carrega em relação ao Rei do futebol? Dá pra dizer que ele realmente mudou o panorama do esporte no país?

Tive o privilégio de ter atuado em uma equipe como o New York Cosmos, uma equipe histórica dos EUA. Obviamente, o nome de Pele não soa apenas em New York Cosmos, como no mundo inteiro. Estamos falando sobre o Rei do Futebol e, obviamente, a história do futebol no país mudou depois dele sim, sem sombra dúvida.

6. Você começou no Rio Branco, passando por América, Corinthians, Juventude e São Caetano, até ir para Europa. Em algum momento passou pela sua cabeça que se tornaria o primeiro brasileiro a vencer uma Eurocopa? O quanto isso significa pra você?

Obviamente, a ilusão de um jogador brasileiro é dar o salto para a Europa e ter sucesso. Comecei a sonhar com isso e no final consegui dar um salto à Europa e tive sucesso, é muito difícil deixar seu país de origem e ter sucesso no velho continente. Para mim, foi algo histórico e inesquecível ter conseguido conquistar um título com a equipe espanhola.

7. Em algum momento achou que as recorrentes lesões que te assolaram ao chegar na Europa poderiam abreviar sua carreira?

Em nenhum momento eu pensei que as lesões poderiam ter acabado com minha carreira. Eu sempre tive uma mentalidade forte, sempre acreditei que poderia me recuperar e voltar a atuar normalmente. Felizmente, eu me recuperei e tive uma carreira tranquila, a nível de lesões. Pude aproveitar o futebol até me cansar e decidir parar de jogar futebol.

8. O rebaixamento do Villarreal foi o pior momento da sua trajetória como jogador? Fale um pouco sobre a queda do submarino amarelo.

Sim, a nível profissional, foi uma das piores lembranças, porque é um clube que teve um orçamento muito ativo perante outros e uma equipe muito boa também, não achamos que poderíamos cair. Entramos na zona de rebaixamento na última rodada. Havia confiança e sabíamos que poderíamos nos salvar, o que no final não aconteceu. Foi um momento muito ruim para todos nós. Mas o Villarreal é um clube modelo e sabe muito bem das coisas. No ano seguinte ao primeiro ano de segunda divisão, conseguimos retornar em primeiro.

Imagem relacionada

Foram bons e maus momentos vestindo a camisa do Submarino Amarelo

9. O Nilmar, que atuou com você no Villarreal, foi diagnosticado com depressão e deu um tempo dos campos. Como colega de time, ele já apresentava sintomas desta doença? Como você enxerga estes casos de depressão cada vez mais frequentes no meio futebolístico?

Fiquei muito surpreso. Estive com ele durante três temporadas, ele parecia uma pessoa forte mentalmente. Fiquei muito surpreso por estar sofrendo com depressão. Eu acho que é uma doença que deve ser atendida, levada em consideração e tratada. Espero que ele se recupere o mais rápido possível e continue aproveitando seu futebol por muito mais temporadas.

Leia também: A depressão de Nilmar e nosso atestado de ignorância

10. Você possui um dos portões do estádio do Villareal com o seu nome, é um dos ícones mais respeitados do clube espanhol, mas é pouco lembrado por clubes brasileiros. Não passou pela sua cabeça atuar por aqui novamente ao sair da Espanha?

Eu me adaptei muito bem na Espanha. Nunca mais pensei em voltar e atuar no Brasil. O tratamento comigo no Villarreal até hoje é espetacular, sempre foi. Jamais me ocorreu jogar novamente no Brasil.

11. Foi um prazer concluir mais esta entrevista, deixe um recado para seus fãs e faça suas considerações finais. Obrigado!

Eu também quero agradecer a todos os meus fãs. Eles me seguiram desde o início até o fim. Um abraço a todos.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.