O Natal athleticano
10 de maio de 2019
Categoria: Futebol e Nacional

 

Celebra-se hoje, na interseção da Buenos Aires com a Engenheiro Rebouças, o Natal athleticano.

O brinde de bom vinho tinto-rubro, envelhecido – e muito bem – em glórias agarradas e conquistas escorchadas nos mais improváveis cenários, saúda a camisa 8 mais importante de um clube apegado à sua história.

Não para menos, o bigode mais famoso dessas terras poderia ter vestido cores rivais. Não ocorrera por intervenção mística do destino, temperando ainda mais a iluminada história do implacável artilheiro.

Com nome que dispensa apelido, segundo o próprio, Barcimio Sicupira chegou a dividir vestiário com Garrincha e Rivelino. Porém, foi com Nilson Bocão, Djalma Santos e demais parceiros de Furacão que houve o testemunho, como apóstolos, da saga de 157 gols do herói rubro-negro.

E se do manto – à época em listras horizontais – vermelho e preto fazia sua túnica, foi a vestindo que abençoava, quando não convertia, os mais apaixonados pelo esporte. E não só de gols sobrevivera! Enquanto algumas religiões santificam o jejum, a nossa agradece o fim que nele Barcímio colocou, após doze anos sem conquistas.

A experiência em campo hoje é passada na emoção do rádio, com seus comentários de acurácia incontestável. Ainda bem! Imensurável o quão triste seria experimentar o futebol sem seus pitacos e seus relatos.

Sicupira, obrigado por ser nosso ícone, e por ter multiplicado nossa torcida, que hoje acredita em milagres. Agradecimento esse de todas as gerações. Até mesmo as antes e depois da sua, que nada mais é como dividimos nosso calendário athleticano.

Postado por Luan Manicka Estudante de Direito. Acostumado desde pequeno a assistir jogos na Arena da Baixada, onde o fanatismo por futebol começou. De estadual, até as ligas europeias em um final de semana. Cornetada aqui, elogio ali e algumas opiniões mais ácidas.