O Mundial mais desinteressante do século
16 de dezembro de 2018
Categoria: 4-3-3
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Modric não é unanimidade como atual melhor do mundo.

Logicamente que a ótica de um brasileiro sobre o Mundial de Clubes é, invariavelmente, tangenciada pela presença de um clube tupiniquim na competição. Quando isto não ocorre, nosso interesse diminui. É natural. Mas, de fato, a competição deste ano tem se mostrado, até agora, uma das edições com o menor apelo deste século presente.

Primeiramente, há de se destacar o lado europeu do torneio, onde normalmente se encontra o time mais forte e o virtual favorito ao caneco. Este ano nos reservou o Real Madrid como representante do velho continente, o que seria um grande aditivo para a audiência caso o clube merengue não passasse por uma fase tão turbulenta. Sem um dos maiores jogadores de todos os tempos e líder técnico da geração vencedora, sem o técnico mais premiado dos últimos anos e sem nenhuma contratação de peso para repor as perdas. O Real Madrid chega desgastado.

Do outro lado, o River Plate, que protagonizou junto ao Boca Juniors um dos maiores fiascos da América Latina perante o resto do mundo. A final que tinha de tudo para ser a mais épica da história se tornou um show de horrores, com adiamentos por mau tempo, violência gratuita e a inacreditável decisão de levar o segundo jogo para fora do continente sul americano. Ainda que dentro das quatro linhas tenha sido um belo espetáculo, a vergonhosa organização e falta de educação de alguns manchou e ridicularizou a imagem do nosso continente por todo o globo. O River Plate chega ao bater do gongo no Mundial.

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Pablo Pérez, jogador do Boca, sofreu ferimentos após ataque ao ônibus do clube, pouco antes do que deveria ser o jogo final.

Apesar da eliminação do Chivas e da inesperada ausência do Auckland City, o campeonato nitidamente mostra-se sem fôlego. Nos últimos três anos tivemos um Barcelona histórico pisando no River Plate, o Real Madrid de Cristiano vencendo os japoneses (que eliminaram o Atlético Nacional, sensação da época) e o Grêmio desafiando o gajo e sua trupe.

Este ano teremos o melhor do mundo mais contestado em muito tempo liderando um plantel carente de renovação, desmotivado e com o velho desinteresse elitista europeu para com o mundial, contra um time que viveu seu clímax nas últimas semanas e agora curte o efeito agonizante de fim de temporada. Isso, claro, considerando que ambos cheguem na finalíssima.

A cada ano que passa a diferença de nível entre elencos de mostra mais latente e, grudados na TV, nós, latinos, torcemos para que Davi derrube Golias com aquela pedra certeira e faça a alegria da carente plebe que assiste o embate. Mas quando Davi está de ressaca moral e Golias precisa nitidamente mudar seu já manjado estilo de luta, a plateia perde o interesse.

Afinal, por que assistir o Mundial?

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.