Jogo reativo e evolução tática dão motivos para sonhar
22 de junho de 2018

 

A dor nos olhos dos jogadores Iranianos após o jogo contra a Espanha foi comovente e impressionante. Principalmente quando analisamos o jogo, onde a Seleção do Irã, dentro de suas possibilidades, fez uma partida perfeita. A qualidade técnica da Espanha por fim superou o ótimo sistema defensivo do time de Carlos Queiroz, jogando com 10 jogadores atrás da linha da bola, com movimentos mais coordenados que uma dança.

Mas o que surpreende de verdade  é que o Irã pode ainda passar de fase. Sim, em um grupo com Espanha e Portugal. Realizar um sonho inconcebível para uma seleção que só havia ganho um jogo na história das copas. Parece absurdo, mas isso tem sido tendência neste maravilhoso mundial. O equilíbrio e dificuldade dos jogos. Os favoritos não ganhando, Islândia aparecendo, Suíça, México e outros acabam fazendo com que a tão debatida evolução tática no futebol, refletida no jogo reativo, seja, na verdade, um artifício usado pelos times menos favorecidos fazer frente aos gigantes. Para sonhar.

Já no segundo dia de Mundial, o Egito dificultou bastante para o Uruguai, que não sabendo propor o jogo, conseguiu o gol da vitória apenas nos acréscimos. Porém, a força provida pela tática ficou mais evidente a partir do segundo dia. A França, sofreu com a imposição física da Austrália, ganhando o jogo só no final, com uma brilhante aparição de seu craque Paul Pogba.  A Argentina de Messi então teve de lidar com a força Islandesa, que merece um adendo especial, junto com outras análises de fenômenos parecidos.

A “FRIA” QUE METERAM MESSI

Incansáveis.

Não seria um jogo fácil. Isso estava na cara.Os islandeses fizeram ótima campanha na Eurocopa, e passaram em primeiro no grupo das eliminatórias. Mas era comum ver nos “bolões” por aí uma vitória Argentina. E de certa forma, era um palpite bem provável.

Porém… o jogo entrou para história. Messi anulado, perdendo pênalti. Poderia ser só folclore, mas não, a tática explica.

Tudo começa nas próprias escolhas argentinas. Sampaoli opta por usar Biglia e Mascherano, dois jogadores de contenção, atrás de Messi. Rapidamente se tornou visível a dificuldade dois dois jogadores em sair com a bola e construir jogadas. Aguero marca um gol na metade do primeiro tempo. Dando algum alívio.

No entanto, Alfreð Finnbogason empata o jogo em um erro da zaga “hermana”. E aí o jogo ficou perfeito para os Homens de Gelo. O time então se posicionou atrás da linha da bola, deixando Messi, centralizado, no meio da forte marcação de Emil Hallfreðsson e Gunnarsson, além de desenhar bem os contra-ataques com Gilfy. Impedindo que o craque tivesse o mísero espaço. Quando teve, perdeu a penalidade.

Claro que a omissão dos jogadores Argentinos também auxiliam para tal, mas desconsiderar os méritos do técnico Hallgrímsson é um erro.

OS GUERREIROS PERSAS DO IRÃ

O Irã ainda pode sonhar.

Carlos Queiroz representa a imagem de líder de um exército Persa da antiguidade. Seus comandados os obedecem com disciplina militar. Jogar de igual para igual com o time de Andrés Iniesta, Isco seria um devaneio para muitos, não para ele. Colocou seu jogo reativo em ação, atrás da linha, só esperando um espacinho para fustigar De Gea com Azmoun ou Ansarifard. Não deu dessa vez, os espanhóis superaram com paciência e um pouco de sorte.

Mas contra o Marrocos, foi. Um gol contra é verdade, mas o time se postou muito bem, parando as movimentações envolventes do time do também competente Hervé Renard. Aliás, Marrocos x Irã foi um jogo para calar a boca daqueles que desmerecem as seleções “pequenas”. Um jogo muito intenso e interessante, que se visto com mais um pouco de atenção, se revelava um grande embate de táticas, diferentes.

Marrocos propunha com a bola no chão, buscando construir as jogadas com tabelas e triangulações. O Irã esperava para sair com passes verticais em busca do gol o mais rápido possível. Venceu o que teve um auxilio da sorte, já que técnica e taticamente tudo estava bem nivelado.

MÉXICO JOGA COMO NUNCA E GANHA

México bateu uma das favoritas.

Por essa mesmo ninguém esperava. Ao terminar o jogo, talvez nem o juiz acreditava. O México, seleção historicamente conhecida por ser fracassada em mundiais, vence a Alemanha por 1 x 0, podendo até durante a partida ampliar a vantagem. Incrível.

Esta vitória passa muito pelas mãos do antes questionado Juan Carlos Osório.  Colocou seu time para esperar a Alemanha até um pouco antes de sua intermediária, onde fazia uma pressão para recuperar a posse. Deixou então Khedira e Kroos sem função. Em dado momento do primeiro tempo, tal jogo parecia um outro em que a Alemanha estava envolvida, mas na posição que era do México. Usando o talento de Hirving Lozano e os passes verticais de Layun e Herrera, o time da América do Norte chegou a um gol, e poderia ter chegado a mais.

No segundo tempo, foi só segurar. Colocando o time um pouco mais atrás, os mexicanos ainda criaram  muitas outras possibilidades de gols em contra-ataques, enquanto os alemães só chegaram ao gol de Ochoa através de bola parada ou cobrança de falta.

Atuação perfeita, muito comemorada pelos mexicanos, que fazem linda festa na Rússia.

Esta copa tem sido considerada por muitos especialistas, a Copa do Equilíbrio. Pois bem, é verdade. Mas porque também não pode ser a Copa dos Sonhos? A constante evolução tática, mais aproxima que distancia as seleções, possibilita que uma seleção bem menos prestigiada jogue por uma bola que dê alegria para toda uma nação. O jogo reativo é, na verdade, a reação do velho futebol ás desigualdades impostas pelo vil papel do dinheiro. Que retranquem em paz.

Postado por Igor Varejano 18 anos. Do interior de São Paulo. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha.