O injusto deboche com a “incrível geração belga”
10 de maio de 2018

(AP Photo/Hassan Ammar)

É extremamente comum ouvir a massa tratando a “incrível geração belga” com descaso, deboche e piada. Até pessoas consagradas no jornalismo esportivo se utilizam do discurso. Mas isso é justo? Há fundamento ou é simplesmente implicância por ser uma seleção relativamente “sem tradição”?

Não é algo novo. A Espanha, até 2008, “jogava como nunca e perdia como sempre”. A República Tcheca, com a geração do final dos anos 90 e começo dos anos 2000, sofria o mesmo. Vencedores e perdedores, situações semelhantes. Sempre aconteceu e sempre acontecerá. O que muda são os desfechos.

Um caso interessante são nossos vizinhos argentinos, com uma geração talentosíssima que venceu tudo na base, mas que não teve o mesmo sucesso no profissional. Quem são eles? Messi, Aguero, Di Maria… todos esses nomes que nasceram na segunda metade dos anos 80. São menos jogadores por nunca terem sido campeões pela seleção? Messi deixa de se enquadrar como um dos melhores de todos os tempos? Aguero deixa de ter a melhor média de gols da história da Premier League? O desempenho pela seleção define cada vez menos a qualidade real de um jogador de futebol.

Voltemos à Bélgica. Courtois? Titular do Atlético de Madrid desde a temporada 11/12, chegou a ser finalista da Champions League em 13/14. Após isso, foi para o Chelsea, outro time que figura entre os melhores da sua época, sendo campeão da Premier League. Kompany? Desde 2008 no Manchester City, um dos melhores zagueiros do mundo antes da série de lesões. Mesmo “bichado”, é capitão do time quando em forma e já tem três Premier League no currículo. Hazard? Eleito, com todos os méritos, como melhor jogador da Liga Nacional que atuou por três vezes. Uma pelo Lille, na Ligue 1, e com a camisa do Chelsea, na Premier League. De Bruyne? Jogando muito desde o Wolfsburg, sendo o melhor meio campista da atual temporada. E tantos outros nomes, como Vertonghen, Vermaelen, Alderweireld, Naingollan, Mertens e Lukaku, por exemplo. Todos entre os principais times do mundo.

Talento não falta à seleção belga.

A falta de resultados expressivos pode ter tamanho peso negativo sob suas carreiras? Difícil. Afinal, o sucesso pela seleção depende de “N” fatores. Ser bem treinada é o primeiro deles, e precisamos lembrar que Marc Wilmots, treinador de 2012-2016, passa longe de ser uma referência tática e de trabalho. Outro fator é a qualidade do adversário. Em 2014, por exemplo, caíram para a seleção que, futuramente, foi vice-campeã. E caiu de pé, com direito até a bola na trave no último lance.

A “incrível geração belga” já é vencedora. Mesmo sem nenhum título e antes da Copa do Mundo de 2018. Não vai ser um torneio com menos de 10 jogos que definirá isso. Ou a “incrível geração brasileira dos anos 80” merece o deboche também? Coincidentemente, nunca passaram das quartas de final…

Postado por Lucas Lopes 20 anos, paulista, estudante da USP. Apaixonado por futebol, corintiano e culé. Messi, Guardiola, Tite, Federer e Kobe Bryant como maiores ídolos.