O inferno astral de um time imprevisível
2 de setembro de 2018
Categoria: 4-3-3

Imagem relacionadaUm jogo do Flamengo acaba, só ha dois cenários possíveis. Em um deles, temos Everton Ribeiro, Diego Alves, Rever ou Diego Ribas com um olhar perdido e mãos coçando a nuca, reproduzindo um discurso batido. “Mais uma vez deixamos a desejar”. “Agora é treinar para corrigir os erros”. No outro cenário, estamos acostumados a ver Paquetá, Léo Duarte ou Cuellar sorridentes, suados e com uma entonação empolgada na voz, elogiando a atuação esplêndida e ressaltando a força do elenco. “Graças a Deus fizemos um ótimo jogo, mérito de todos os companheiros”.

Sem meio termo, o Flamengo é uma roleta russa imprevisível. Um emaranhado de irregularidade e falta de constância que resulta em atuações quase perfeitas (como no empate com o Grêmio na arena) e exibições de time semi amador (derrota frente o Atlético Paranaense). Hoje, o cenário um foi o escolhido para se reapresentar, embora seja desonestidade tirar todo o mérito da vitória do time do Ceará, que resistiu bravamente aos ataques rubro negros e definiu a partida quando teve a chance.

Além do inferno astral causado pelos maus resultados no campeonato brasileiro, o elenco pela primeira vez ouviu a torcida vaiar Lucas Paquetá, que vem devendo a alguns jogos e após uma cobrança de falta medonha, teve seu crédito com os torcedores, zerado. Cria da base e destaque de uma nova geração que se apresenta promissora para a seleção brasileira, o meio-campo vai ter que reconquistar a adoração da massa rubro negra, que exige boas atuações de um dos líderes técnicos desse time.

A verdade é que quem torce para o Flamengo chegou em um nível no qual não se consegue achar um culpado para atribuir todas as derrotas, ninguém está sendo tão horripilante o suficiente para levar o time para o buraco sozinho. Não vemos nenhum movimento grande pedindo a saída de Maurício Barbieri ou exigindo banco para os destaques da equipe, nada disso. Se não contarmos com a indefinição entre Pará e Rodinei e a falta de um centroavante goleador, o time vem sendo escalado da maneira que o torcedor deseja, com poucos protestos relevantes sobre o núcleo que entra em campo.

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O Maracanã foi palco de outra derrota importante para o Flamengo.

O repertório usado em campo se reduz quando resolvem fechar o miolo de jogo, onde fica o ponto forte do Flamengo, que embora tenha em Dourado um atacante grande e trombador, não consegue converter seus cruzamentos com efetividade quando precisa jogar pelas pontas e/ou alçar bolas na área em razão do meio congestionado. Uribe carece de adaptação e ainda se mostra desconfortável com a camisa do clube e Lincoln ainda não tem cancha para ser o homem gol que precisam. Enquanto isso, Vitinho por vezes joga no meio dos zagueiros, tentando arrumar alguma migalha. Beco sem saída.

Falta variabilidade, eficiência, atacantes (prontos), laterais, confiança e regularidade. É tanta coisa errada, que ninguém consegue apontar o ponto crítico. Estamos todos como o Diego, com um olhar perdido, e mão coçando a nuca.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.