O diferente, que incomoda o medíocre e delicia os amantes do bom futebol
6 de maio de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Nacional
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O que foi visto diante de nossos olhos na noite de domingo em Porto Alegre passa longe de ser algo comum. Não apenas por ter sido um jogo de nove gols ou por um time ter transformado um 3×0 contra em um 5×4 a favor. Mas sim por ser um jogo da 3ª rodada do Campeonato Brasileiro, entre Grêmio e Fluminense.

Antes de tudo é preciso ressaltar que o futebol apresentado pelo Fluminense não é nada novo, revolucionário ou algo parecido. Você pode ver esse mesmo estilo de jogo, inclusive com jogadores de qualidade técnica superior, todas as manhãs de sábado e domingo em um jogo do campeonato espanhol, inglês ou alemão. O que diferencia é no comparativo do futebol brasileiro, onde das 20 equipes da Série A, nem metade jogam de forma “ofensiva”.

O jogo que na opinião daquele que vos fala foi o segundo melhor da história do Brasileirão no século, atrás apenas de Santos 4×5 Flamengo, em 2011, com show de Neymar e Ronaldinho Gaúcho, é um lampejo de esperança no meio pragmático e “sem sal” que vemos no dia-a-dia do futebol praticado em nosso país. Se vimos no sábado o Palmeiras abrir 1 a 0 diante do Internacional com 14 minutos de jogo e se fechar tentando, com sucesso, manter o placar até o minuto 90 e horas antes da partida na Arena do Grêmio um Flamengo (com reservas, é verdade), fazer 1 a 0 contra o São Paulo no Morumbi e, sem sucesso desta vez, também se retrancar, assistimos uma partida sensacional entre dois times agradáveis de se ver. A diferença é que Palmeiras e Flamengo tem em mãos os ditos melhores plantéis do país. Já o tricolor carioca, não tem nem uma das cinco maiores folhas salariais do Brasil.

Algo curioso é a exigência maior com aqueles que propõem algo diferente do comum. As redes sociais foram inundadas de críticas a Fernando Diniz quando o Grêmio abriu 3 a 0. Vários comentários com um ódio inexplicável, muitos deles pertenciam a torcedores de times que nem rivais do Fluminense são. O mesmo vale pro Santos, que foi massacrado pela crítica popular nos jogos em que sofria duras derrotas no campeonato paulista. Mas pouco se fala das atuações horríveis do Palmeiras de Felipão, que teve um jogo pra se apagar da história do futebol diante do CSA, na última quarta-feira.

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Felipão, sempre resultadista.

Não, Fernando Diniz não é nenhum revolucionário. Apenas aparenta ser por tentar algo diferente no meio do marasmo. Seu sucesso incomodará os medíocres e dará mais jogos para serem saboreados. Seu insucesso traz de volta do esconderijo aqueles que preferem o simples e sem graça. Pouco importa. O jogo espetacular que vimos no domingo é pra se lembrar por muitos e muitos anos.

Postado por Pedro Guevara