O crescimento meteórico de uma ideia incerta – De Sola
23 de dezembro de 2017
Categoria: Entrevistas

 

Após entrevistar canais como o Deu Liga, Futparódias, Ensina Romário e Desimpedidos, o 4-3-3 olha mais uma vez para o ramo digital para trazer conteúdo de qualidade para os leitores. Desta vez, batemos um papo com o Pedro Certezas, do canal De Sola. Entre outros assuntos, falamos sobre a influência do time do coração no trabalho profissional, o limite da liberdade de criação e o peso de um cara como Alê Oliveira na equipe. Confira na íntegra:

1. Fale um pouco sobre o surgimento do canal, porque o nome “De Sola”? Quem faz parte do projeto?

O De Sola hoje possui quatro integrantes, eu, o Casimiro, Vinícius (produtor) e o Alê Oliveira. Essa é a configuração atual, tirando a equipe do Esporte Interativo, que fica por trás auxiliando em edição e produção. Tudo começou comigo e com o Casimiro, eu possuía uma página chamada Certezas do Futebol, enquanto o Casimiro era dono de algumas de humor pela internet. Resolvemos nos juntar e criar algo relacionado a comédia, o Vinícius também esteve conosco neste início. Fomos fazendo vídeos de humor, ganhando espaço, crescendo e viramos isso aí, indo muito bem. O nome “De Sola” foi criado em um dia que eu estava de folga e pensando em um nome para o canal, o Casimiro sugeriu e acabou ficando, foi bem aleatório.

2. Como é a relação de vocês com o Esporte Interativo no que diz respeito a liberdade de fazer conteúdo e afins?

O canal é do Esporte Interativo, nossos vídeos faziam parte da playlist do canal do EI, mas como estava se criando uma proporção grande demais, resolvemos criar o canal próprio, porém ele é totalmente pertencente a emissora. Nós temos bastante liberdade de criação, diria que quase 100%. Um exemplo modelo é quando o Guerrero foi pego no doping, caso fossemos um canal independente faríamos algo relacionado a cocaína e afins, eu acho. Mas como representamos o Esporte Interativo, precisamos ter certos tipos de cuidados para não prejudicar a imagem de ninguém. Então evitamos ser muito agressivos por não sermos independentes, embora o EI não imponha nada. Na verdade é um tipo humor que eu acredito que não faria, acho muito baixo, não gosto de fazer também.

3. Até hoje, o que você considera ter sido a maior realização do canal?

Existem duas realizações que foram marcantes pra mim. Criar um canal próprio, porque antigamente era algo bem incerto, bem esporádico, então quando criou um canal próprio foi quando o negócio ficou mais estruturado. E a viagem para a França, onde gravamos com o PSG e fomos a Manchester gravar com o Gabriel Jesus, tudo investido pela empresa na gente. Então acho que essas foram as duas maiores conquistas da gente até agora.

4. A contratação do Alê Oliveira pelo EI (o comentarista havia saído da ESPN) trouxe ao canal de vocês o tão falado decreto de toda sexta-feira, além da participação do mais novo contratado em diversos vídeos do De Sola. Qual foi a importância da chegada de um nome tão forte no desenvolvimento do canal?

Ele agregou demais ao “De Sola”, a gente criou o canal próprio quando ele já fazia parte do EI, trouxe uma base de fãs imensa para nós, grande parte dos 150 mil inscritos do canal vieram por causa dele. Onde ele está a galera quer estar também, além de trazer toda a credibilidade de um dos comentaristas mais conhecidos do Brasil. Então ele foi bem importante sim.

5. Vocês produzem diversos tipos de vídeos, desde desafios a resenhas bem humoradas. Qual dos vídeos mais te agrada fazer? Qual costuma dar mais retorno?

O que eu mais curto fazer são as esquetes, é complemente autoral, pensamos do zero, gosto bastante mesmo. Quando é entrevista eu também gosto mas depende da pessoa, se for um entrevistado que não se solta muito, pode ser meio ruim, na esquete a gente pode tentar diversas vezes até ver que ficou perfeito. Hoje em dia na minha opinião é a que mais bomba (esquete), mas não soltamos no YouTube, postamos na timeline do Facebook mesmo, pessoal compartilha bastante, no Whatsapp também, é uma explosão. Eu gosto muito de fazer e espero que continue sempre bombando.

6. O canal ainda é consideravelmente novo e já alcançou um público bem grande para o tempo de atividade. Quais são os planos para o futuro a curto e médio prazo?

A gente quer crescer mais e mais, o EI tem apostado muito com a gente nessa linha de humor mesmo. Então queremos crescer mais, o canal “De Sola” é conhecido no Brasil todo, queremos ser o maior canal de futebol do Brasil, mas a médio e curto prazo é necessário se estabilizar entre os grandes primeiro, tomar forma de gigante. Estamos com sangue nos olhos e trabalhando demais para isso.

7. Algum jogador já ficou chateado com algum tipo de brincadeira feita por vocês? Como lidaram/lidariam com esse tipo de situação?

Nunca rolou disso não, até porque a gente quase nunca fala de jogador, costumamos falar mais de time e tal. Esse humor de polêmica não é muito usado por nós, quando falamos com um jogador tentamos ficar na resenha com ele o máximo de tempo possível, deixar o cara a vontade, rindo. Basicamente queremos que o público veja que o cara é maneiro. Mas não sei como agiria, acho que se tivesse com a razão não falaria nada, mas no caso de estar errado, pediria desculpa sem vaidade alguma.

8. Hoje em dia há diversos canais focados em futebol no YouTube, vocês enxergam esse nicho um tanto quanto saturado em um futuro próximo? Há espaço para todos? Qual é a saída para se destacar?

Eu acredito que tenha espaço para todo mundo, é um segmento que vem crescendo demais e todo mundo quer fazer parte, a questão é fazer diferente. E se você for fazer algo que já é feito, é preciso pensar o que você tem de especial que fará o cara ver você e não o outro canal? O que fará de diferente? Eu penso muito desse jeito.

9. Você é declaradamente Botafogo, acha que isso pode influenciar na sua carreira dentro das mídias digitais de alguma maneira? Não há mais tabu em revelar o time de coração?

Há dois pontos a se falar, o primeiro é que todo mundo tem um time. Então se você for profissional, não vai deixar de fazer uma coisa que zoe o seu time só porque você torce por ele. Quando eu faço vídeo para o Botafogo a única diferença é que além de ficar feliz profissionalmente, eu tenho uma realização pessoal minha. Quando o vídeo é para o Flamengo zoando o alvinegro por exemplo e acaba indo bem, profissionalmente eu dou pulos de alegria. Só que o lado pessoal – e eu sei muito bem separar isso-, queria que fosse para o Botafogo. Quem é apaixonado por futebol tem time, sabe? Não existe isso de neutralidade se você ama o esporte, pelo menos é isso que eu vejo com as pessoas que eu conheço. Eu já fui gravar no Flamengo e o pessoal me tratou super bem, se tiver que ir no Fluminense também vou, acho que as pessoas entendem que apesar de tudo o que importa é você ser um bom profissional.

E a segunda coisa é que eu tenho um sonho de vida que é me tornar um botafoguense ilustre, tipo Hélio De la Pena, Marcelo Adnet. Desde que passei a trabalhar com entretenimento eu tenho como meta de vida ser um botafoguense ilustre, sempre me declaro alvinegro quando eu posso, sempre comento coisas sobre o clube quando dá. Para mim não tem isso, sou Fogão mesmo, um dia ainda quero fazer algo para o clube, uma campanha de sócio torcedor, não sei. É uma coisa que não vou abrir mão nunca, tenho tatuagem e tudo, antes de ser profissional eu fui torcedor, então não tem porque apagar essa parte da minha vida.

ÍDOLO! Indo enquadrar o pôster da minha maior referência de idolatria no futebol! Te amo demais, @j1jefferson! Quero que esse ano acabe logo pra você voltar ao seu lugar. Valeu, galera do @futebolnoposter, que fez essa obra prima!

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10. Foi um prazer concluir esta entrevista, faça suas considerações finais!

Olha, tô feliz demais porque é a primeira entrevista importante que eu dou, foi maneiro demais e as perguntas foram absurdas! Fugiu da mesmice que eu vejo pela mídia. Vocês estão de parabéns, estão voando. Gosto do site de vocês bem antes de vocês conversarem comigo, então só por contribuir com essa entrevista já fico super feliz. Muito obrigado, qualquer coisa estamos aí, tamo junto! Só falta o fogão me dar alegria e conquistar algum título, valeu!

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.