MODÃO CAIPIRA #67 – Inferno astral
19 de fevereiro de 2019
Categoria: 4-3-3 e Modão Caipira

 

Com mais da metade da primeira fase concluída, quatro equipes veem o fantasma do rebaixamento do Campeonato Paulista da Série A1 assombrarem seu dia a dia. São Bento, São Caetano, Botafogo e Mirassol estão na parte de baixo da tabela e apenas dois deles conseguirão se salvar e disputar a elite estadual na próxima temporada. Se o campeonato terminasse hoje, os dois “Azulões” estariam rebaixados, o do ABC com quatro pontos e o de Sorocaba com apenas três, ambos sem nenhuma vitória até aqui no campeonato. O Botafogo também tem quatro pontos, mas por ter vencido uma partida está fora da zona de rebaixamento, e o Mirassol tem cinco. A briga deve ficar mesmo entre esses quatro até o fim, já que os times que estão acima desse último pelotão já somam nove pontos.

Pintado e Moisés Egert seguem no comando de São Caetano e Mirassol, respectivamente. Mas em Sorocaba, Marquinhos Santos já deu lugar a Silas, que vem de um trabalho nada bom com o Tubarão/SC nesse início de temporada, enquanto em Ribeirão Preto, Léo Condé foi dispensado e Roberto Cavalo assumirá o comando da Pantera a partir da próxima rodada.

Qual o caminho de cada um dos candidatos ao descenso? O que cada um precisa fazer para se livrar da Série A2? É o que mostraremos a partir de agora.

Atualmente na lanterna do campeonato, o São Bento ainda não se encontrou em 2019. Em sete jogos, três empates e quatro derrotas, apenas dois gols marcados (!) e dez sofridos. Com um elenco recheado de jogadores conhecidos, como Alecsandro, Renan, Éder Luís e Tiago Luís, Marquinhos Santos não conseguiu fazer o time encaixar e acabou demitido após empatar com a Ferroviária em Sorocaba, pela sexta rodada. Além desse ponto, as outras partidas em que o São Bento não saiu derrotado foram exatamente contra dois adversários diretos – 1×1 contra o Botafogo, fora de casa, e 1×1 contra o São Caetano, jogando como mandante. Na sétima rodada, estreia do técnico Silas, mais uma derrota – 1×0 para o Oeste, em Barueri.

No restante do torneio, o São Bento terá ainda, em ordem: Mirassol (F), Corinthians (C), Ponte Preta (C), Red Bull (F) e Bragantino (C). São três partidas em Sorocaba, sendo uma contra um grande, e duas como visitante, sendo um confronto direto. Para se salvar, fazendo uma conta otimista, precisaria de no mínimo 8 pontos. Para isso, a equipe precisará mostrar uma evolução rápida sob o comando do novo treinador, melhorar a pontaria e desencantar na temporada.

O outro integrante da zona de rebaixamento no momento é o São Caetano. Com quatro empates e três derrotas, o time já conseguiu balançar a rede adversária sete vezes – é bem verdade que quatro delas foram no jogo maluco contra o Bragantino, empate por  incríveis 4×4 – e a defesa já tomou 14 gols, sendo a pior da competição até aqui. Além do empate com o São Bento e dessa partida completamente fora da curva na sétima rodada contra o Massa Bruta, o Azulão do ABC também empatou com o Corinthians na estreia por 1×1, sofrendo o gol da igualdade no último lance, e contra o Ituano, por 0x0 na segunda rodada.

Mostrando grande poder de reação, o Azulão buscou o empate contra o Braga (Foto:Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

O caminho do Azulão até o fim da competição será: Guarani (F), Mirassol (C), Novorizontino (F), Ferroviária (F) e São Paulo (C). Apenas duas partidas em casa, contra um concorrente direto e na última rodada contra um grande, que pelo andar da carruagem chegará nessa partida precisando de pontos para passar de fase. As três partidas fora são contra equipes que vem mostrando bom futebol e brigando por classificação em seus grupos. Independente disso, precisará vencer pelo menos duas vezes, coisa que ainda não conseguiu fazer na competição, para não voltar para a Série A2 apenas dois anos após conseguir o acesso. Pintado parece ter a confiança da diretoria e do elenco, e a recuperação que conseguiu na última partida, quando perdia por 4×1 para o Bragantino e buscou o empate jogando com um a menos, pode dar um ânimo a mais para a equipe, já que mesmo sem aliviar a situação na tabela, demonstrou que está focada em buscar a recuperação nas partidas restantes e que vai brigar até o final para conseguir escapar da degola.

O Botafogo de Ribeirão Preto talvez seja a maior decepção do campeonato até aqui. Com um investimento alto e um elenco caro, esperava-se que a equipe que no ano passado alcançou o acesso para a Série B do Brasileirão chegasse forte na briga pela classificação ao mata-mata. Mas até agora, nada deu certo e o time venceu apenas uma vez na competição (3×0 sobre o São Caetano), empatou contra o São Bento na estreia, e já soma cinco derrotas, sendo o time que mais perdeu na competição. Após a derrota para o Red Bull por 3×1 em Campinas, o treinador Léo Condé foi demitido e a diretoria tricolor anunciou a contratação de Roberto Cavalo para tentar mudar o panorama e salvar o time nestas últimas cinco rodadas. Cavalo passou as duas últimas temporadas no comando do Oeste, e conseguiu o acesso no campeonato estadual com o time de Barueri em 2018.

Para conseguir se manter fora da zona de rebaixamento, o Pantera terá até o fim da primeira fase: Corinthians (C), Ponte Preta (F), Bragantino (C), Mirassol (F), Santos (C). Apesar de jogar três vezes em casa, enfrenta dois grandes. Até aqui, ainda não pontuou nenhuma vez fora do Estádio Santa Cruz, e ainda terá um confronto como visitante contra o Mirassol na penúltima rodada, em partida que pode definir o futuro das duas equipes. Denílson, volante que foi o grande reforço da equipe para a temporada, estreou apenas na sétima rodada, após dois anos sem jogar uma partida. Rodrigo Viana, destaque do São Bento nas últimas temporadas, trocou Sorocaba por Ribeirão Preto e já falhou algumas vezes cedendo gols para adversários. Bruno Moraes, artilheiro da equipe no último Paulistão, tem apenas dois gols e já desperdiçou pênalti na derrota para o Guarani. Ou seja, alguns dos jogadores em que a diretoria e a torcida depositavam muita expectativa, não estão correspondendo e isso faz com que a campanha seja tão decepcionante assim.

Apresentado como reforço de peso para a temporada, Denílson estreou apenas na sétima rodada pelo Bota (Foto: Reprodução/Botafogo)

O Mirassol começou o campeonato sofrendo uma goleada para o São Paulo, 4×1 na capital. Depois, conseguiu quatro pontos em duas partidas (vitória sobre o Red Bull e empate contra o Novorizontino), mas desde então só fez mais um ponto, no empate em casa contra o Guarani. Com isso, viu a zona de rebaixamento se aproximar, e a pressão sobre o técnico Moisés Egert – e também sobre o elenco, claro – aumentar. Todos os cinco pontos foram conquistados dentro do Maião, o que é de certa forma um alento ao torcedor, já que o clube ainda jogará três vezes dentro de sua casa até o fim da competição. Diferente dos outros três concorrentes, o Leão já lutou contra o rebaixamento na última temporada, conseguindo se salvar apenas nos últimos minutos da última rodada, com um gol salvador que livrou o clube e rebaixou o Linense.

O Leão já apareceu nos confrontos dos outros três times acima, mas vamos repassar todas as partidas que faltam para o término da primeira fase: São Bento (C), São Caetano (F), Palmeiras (C), Botafogo (C), Oeste (F). Talvez a tarefa mais fácil (ou menos difícil) entre o quatro que estão vendo a água bater no pescoço, o Mirassol ainda enfrenta os outros três que estão em situação parecida na tabela, sendo dois deles em sua casa. Mas num campeonato tão equilibrado como é o Paulistão, não é tão aconselhável fazermos prognósticos e darmos como certeiros. Com um investimento alto em seu novo CT e a manutenção do técnico Moisés Egert desde 2016 esperava-se mais da equipe nesse ano, mas um pouco de falta de sorte também vem atrapalhando o time, que sofreu gols nos acréscimos em duas partidas (contra Santos e Guarani). Agora, resta confiar no trabalho de Egert e seus comandados para conquistar a permanência mais uma vez.

A pequena diferença entre as quatro equipes deve permanecer até o fim da competição, e com toda a certeza, quem conseguir fugir do rebaixamento vai comemorar como um título. Apenas o Mirassol não disputará nenhuma competição nacional no segundo semestre – o São Caetano está na Série D enquanto os outros dois jogarão a Série B, e um descenso no estadual pode afetar de muitas formas o restante do ano, tanto na parte financeira quanto na parte psicológica e de desempenho dentro de campo. E aí, sua torcida está do lado de quem? Independente de sua preferência, uma frase será muito dita e escrita nas próximas semanas: XÕ, FANTASMA!

Postado por Leonardo Tudela Del Mastre Natural de Sorocaba-SP, amante do futebol do interior paulista e torcedor de São Bento e Corinthians. Além do amor pelo interior, viciado no futebol como um todo. Formado em Processos Gerenciais pelo IFRS.