MODÃO CAIPIRA #62 – Quem, como e porquê: a história dos acessos e descensos de 2018
9 de maio de 2018
Categoria: 4-3-3 e Modão Caipira

 

As três primeiras divisões do principal campeonato estadual do país já terminaram. Com isso, das 48 equipes que disputarão os três primeiros níveis do Campeonato Paulista de 2019, 46 já são conhecidas, e todas elas também já sabem qual dos níveis enfrentará na próxima temporada. Na Série A1, Santo André e Linense foram rebaixados. Eles darão lugar a Guarani e Oeste na próxima temporada. Os rebaixados da A2 foram Audax e Batatais. Pela Série A3, Atibaia e Portuguesa Santista chegaram ao objetivo máximo, enquanto Rio Branco, Marília, União Barbarense, Manthiqueira, Matonense e Mogi Mirim caíram para o último nível do futebol estadual.

Pela Série A1, o Elefante de Lins e o Ramalhão de Santo André foram muito mal e não conseguiram evitar o descenso. A equipe do ABC terminou a competição com apenas 8 pontos, na lanterna do campeonato, com uma vitória nos doze jogos que disputou. O técnico Sérgio Soares permaneceu durante toda a competição, mas não conseguiu encaixar um bom trabalho na sua quarta passagem pelo Ramalhão. A queda foi decretada na última rodada, em partida dentro de casa contra o Novorizontino, com uma derrota por 3×2 para o Tigre. Depois de ficar 5 temporadas na A2, subir em 2016 e fazer um campeonato mediano em 2017, o campeão da Copa do Brasil de 2004 volta a sofrer com o rebaixamento. Ainda assim, teve alguns jogadores que tiveram certo destaque no campeonato e foram contratados por clubes que jogam a Série B do Brasileirão, como Walterson, Dudu Vieira e Paulinho, que foram para o São Bento, Lincom e Joãozinho que fecharam com o Vila Nova e Hugo Cabral, que está no CSA.

Já em Lins, a situação do campeonato do Elefante foi um pouco diferente, mas o fim foi exatamente igual: rebaixamento e tristeza da torcida. Depois de oito temporadas consecutivas na elite, e de ter chegado às quartas de final na temporada 2017,  acabou fazendo um Paulistão muito ruim, permanecendo praticamente o campeonato inteiro na zona de rebaixamento. O clube começou o Paulista com Moacir Júnior como treinador, mas depois de cinco rodadas em que conquistou apenas três pontos, ele deixou a equipe e Márcio Fernandes assumiu, mas conseguiu apenas mais uma vitória no campeonato, e terminou a competição com 10 pontos, na lanterna do Grupo A. O rebaixamento foi decretado na última rodada, num confronto direto contra o Mirassol, na casa do adversário, onde o Linense estava se salvando até os 42 do segundo tempo, quando sofreu o empate que derrubou a equipe. Como tinha a vaga na Série D garantida, a diretoria se mexeu rápido, fez uma grande reformulação no elenco e na comissão técnica, onde o ex-goleiro Júlio Sérgio assumiu como treinador. Do elenco do Paulistão, algumas peças jogarão a Série B, como é o caso de Reginaldo (Londrina), Wilson (Fortaleza), Bileu (Atlético Goianiense), Murilo (Ponte Preta) e Kauê (Guarani).

Partida que decretou o rebaixamento do Linense foi cheia de emoções

Se estas duas torcidas sofreram com a queda, as torcidas de Guarani e Oeste vibraram muito com o acesso. Os dois estão na Série B do Brasileiro, estavam na Série A2 dessa temporada, e fizeram valer o favoritismo para retornarem para a elite do futebol paulista. Na final, o Bugre amassou o Rubrão, vencendo por 4 a 0 e conquistando o título diante de sua torcida.

O Oeste, que transferiu recentemente sua sede para Barueri, havia sido rebaixado para a Série A2 em 2016. No ano passado, fez campanha discreta terminando no meio da tabela. Já em 2018, fez uma primeira fase um pouco irregular, garantindo a classificação para as semifinais apenas na última rodada terminando na terceira colocação. Na semifinal, enfrentou o São Bernardo e garantiu o acesso com duas vitórias, por 2×1 em casa e por 3×2 no ABC, onde confirmou a classificação para a final e o retorno à elite. Roberto Cavalo assumiu a equipe em fevereiro de 2017, e fez um grande trabalho na Série B, brigando até o fim pelo acesso e terminando em 6º lugar. Para a Série A2 desse ano teve uma grande reformulação no elenco, que teve como destaques o atacante Pedrinho, que está na mira do Corinthians, o também atacante Bruno Lopes que é sondado por vários times da Série A e do exterior e o meia Raphael Luz, artilheiro da equipe na competição com 6 gols.

O grande campeão Guarani volta para a A1 depois de passar cinco anos na divisão inferior, e sofrendo bastante em alguns desses anos, principalmente na questão financeira. No cenário nacional, ainda beliscou um acesso na Série C de 2016, e vem se mantendo na Série B desde então, mesmo tendo passado um grande sufoco no ano passado, se salvando apenas nos critérios de desempate. Mas para o ano de 2018, montou um bom time para disputar a Série A2, sob o comando de Umberto Louzer e sobrou durante praticamente toda a competição. Terminou a primeira fase com a melhor campanha, e enfrentou o XV de Piracicaba na semifinal, num confronto que continha muita tradição e também teve muita emoção. No primeiro jogo, 0x0 no Barão da Serra Negra. No jogo de volta, vitória bugrina por 1×0 e a festa do acesso no Brinco de Ouro. Essa Série A2 também marcou a despedida de Fumagalli, um dos maiores ídolos da história do clube, que com 40 anos pôde se despedir em grande estilo. Alguns dos destaques da equipe no campeonato foram os “Brunos” – o meia Nazário, craque do torneio, o atacante Mendes, artilheiro do time, além do goleiro Brígido, um dos goleiros menos vazados da competição. O meia Rondinelly e o lateral Lenon também fizeram uma boa Série A2. E todos estes continuam no lado verde de Campinas para a disputa da Série B, o que pode significar um Guarani bem forte na briga por uma das vagas para a Série A de 2019.

Fumagalli se despediu do futebol com o título da A2 pelo Bugre

Na outra ponta da tabela da A2 ficaram Audax e Batatais. O primeiro, que terminou na 19ª posição com 11 pontos, teve decretado seu segundo rebaixamento consecutivo. Em 2016, foi vice-campeão da Série A1. No ano seguinte, foi o lanterna e voltou para a A2. E nesse ano acumulou mais uma queda. Com apenas duas vitórias em todo o campeonato, o clube trocou de técnico logo após a 5ª rodada, quando Luciano Quadros deu lugar a Leandro Mehlich, mas de nada adiantou e o time não engrenou na competição, tendo seu rebaixamento decretado na última rodada, ao empatar com o Taubaté por 2×2 em casa. Para ter noção da triste fase da agremiação osasquense, o clube não tem calendário para o segundo semestre, e deu férias coletivas para todos os funcionários, ainda sem previsão de retorno, já que a próxima competição profissional será a A3 2019.

Já o Fantasma da Mogiana, se despediu da Série A2 ficando na lanterna, com apenas 2 vitórias e 10 pontos conquistados ao longo da competição. Depois de ter conquistado o acesso em 2013, depois de 46 anos longe do segundo nível estadual, fez campanhas medianas em 14 e 15, e nas duas últimas temporadas ficou muito próximo de alcançar a Série A1 pela primeira vez em sua história. Em 2016 foi eliminado nas semifinais, e no ano seguinte ficou na 5ª posição. Mas nessa temporada, com o comando de Alexandre Ferreira que foi mantido durante todo o torneio, a equipe não se acertou e acabou amargando a queda, que foi consumada na última rodada com o empate por 1×1 contra a Penapolense, dentro do Scatenão em Batatais. Para o segundo semestre ainda não há a confirmação se o Fantasma disputará a Copa Paulista.

O Atibaia e a Portuguesa Santista ocuparão os lugares deixados por Audax e Batatais na Série A2. Eles garantiram o acesso e se enfrentaram na final da A3, que acabou com vitória para o time interiorano por 2×1. Enquanto o Falcão de Atibaia comemorou o primeiro título de sua curta história, e disputará o segundo nível do estadual pela primeira vez, a Briosa de Santos retorna à competição depois de 10 anos longe.

O Atibaia levantou uma taça pela primeira vez em sua história

O time de Atibaia, que mandou seus jogos em Indaiatuba (o que pode ser um dos problemas para a A2 do ano que vem, já que a FPF exige um estádio com capacidade de 10 mil torcedores na cidade de cada um dos participantes), fez uma primeira fase boa, terminando na terceira posição com 40 pontos, atrás apenas de Capivariano e Portuguesa Santista. Nas quartas passou apertado pelo Noroeste, empatando por 0x0 fora e vencendo por 1×0 em casa. Na semifinal, passou por cima do Capivariano com duas vitórias de respeito, por 3×1 em Capivari e 3×2 em casa, carimbando o acesso. Alguns dos destaques da equipe treinada por Betão Alcântara foram Jackson, Mascote e Tavares, que terminaram empatados na artilharia do time com 7 gols, além do meia Rogério Maranhão, que deu 8 assistências e vem sendo sondado por equipes da Série B do Brasileiro.

Já a vice-campeã, que foi comandada pelo conhecido e respeitado Sérgio Guedes, fez uma campanha brilhante durante todo o torneio. Na primeira fase, voou. Fez 44 pontos em 19 jogos, perdendo apenas uma vez e sofrendo apenas 12 gols. Nos mata-matas não sobrou tanto assim, e sofreu para passar pelo São Carlos, empatando fora por 2×2 e vencendo em Santos por 2×1. Na semi, encontrou um Barretos embalado, repetiu o empate fora por 2×2 nos primeiros 90 minutos, e jogando em casa empatou por 1×1 e conseguiu o acesso por ter a melhor campanha. O time todo foi muito bem, mas há de se destacar o meia Carlos Alberto que foi o artilheiro e irá jogar a Série B pelo Avaí. E o atacante Rodriguinho, que não se destacou tanto dentro de campo nesse ano, mas tem uma bela trajetória no futebol brasileiro, com passagens por Santo André, Fluminense e Portuguesa, foi revelado na Briosa e voltou em 2018 para fazer história.

Entre os seis (sim, seis!) rebaixados para a Segunda Divisão, alguns muito tradicionais como o Marília, o União Barbarense, o Mogi Mirim, e o Rio Branco. Os outros dois foram o Manthiqueira, que havia subido na última temporada e a Matonense.

O Leão de Santa Bárbara se envolveu num possível esquema de manipulação de resultados, já abordado pelo Modão Caipira. Terminou na 17ª posição com 17 pontos. Foi exatamente contra o União que o Mogi Mirim conseguiu sua única vitória na competição. O Sapão, que vive uma fase tenebrosa nos últimos anos, acumulando uma série de rebaixamentos consecutivos (esse foi o quinto nos últimos 4 anos, entre estadual e nacional), foi o lanterna da A3 com apenas 7 pontos. Parece que o fundo do poço chegou de vez para o Mogi. Quem também tem essa sensação é o Marília. O MAC vive uma gangorra enorme nos últimos 10 anos, tendo 2 acessos e 5 rebaixamentos acumulados nesse tempo. Chegou à A1 em 2015, mas depois disso só vem ladeira abaixo e agora voltará para a última divisão estadual depois de 20 anos. A torcida do Tigre, que é bem grande, obviamente está enfurecida.

Enquanto o Rio Branco caiu, o Barretos bateu na trave na briga pelo acesso (Foto: Marcelo Rocha/O Liberal)

Quem também vive uma gangorra nos últimos anos é o Rio Branco de Americana. Bateu e voltou na A1 em 2010, desde lá vem capengando, e nesse ano não conseguiu se manter na A3, sendo rebaixado para a quarta divisão pela primeira vez em sua centenária história. A Matonense passou o início da década na Segunda Divisão, depois conseguiu dois acessos consecutivos e figurou na A2, mas logo voltou a A3 e nesse ano ficou na vice-lanterna com apenas 11 pontos e voltará para a “Bezinha”. O sexto e último rebaixado é o Manthiqueira, de Guaratinguetá, que foi campeão da Segunda Divisão de 2017, e fez sua estreia no terceiro nível do estadual. Uma estreia para esquecer, convenhamos.

Para completar, faltam apenas dois acessos. Mas eles serão definidos apenas no segundo semestre, com o fim da Segunda Divisão, onde 40 clubes estão lutando por uma dessas duas vagas na Série A3.

Postado por Leonardo Tudela Del Mastre Natural de Sorocaba-SP, amante do futebol do interior paulista e torcedor de São Bento e Corinthians. Além do amor pelo interior, viciado no futebol como um todo. Formado em Processos Gerenciais pelo IFRS.