• MODÃO CAIPIRA #57 – De volta ao cenário nacional
    5 de dezembro de 2017
    Categoria: Modão Caipira

     

    A edição de 2017 da Copa Paulista chegou ao fim, e o título ficou nas mãos da Ferroviária. Depois de ficar com o vice-campeonato no ano passado, a Locomotiva fez novamente uma grande campanha e dessa vez não deixou a taça e a vaga na Série D escaparem. A Inter de Limeira foi a vice-campeã, e ficou com a vaga na Copa do Brasil do ano que vem, completando um grande ano para o Leão. Por terem ficado no mesmo grupo na segunda fase, as equipes se enfrentaram quatro vezes na competição, e empataram todas elas. Os dois jogos em Limeira terminaram 0x0, e os dois em Araraquara acabaram 2×2, o que prova o equilíbrio dos dois finalistas. No jogo derradeiro, o empate levou para os pênaltis e o goleiro Tadeu se tornou o herói da torcida grená, ao defender a última cobrança cobrada por Marquinhos, meia do time limeirense.

    A Ferroviária já havia conquistado um título da Copinha, em 2006 quando bateu o Bragantino na final. E na última temporada, chegou à final mas acabou sendo derrotado pelo XV de Piracicaba, numa final bastante parecida com a desse ano, tendo o segundo jogo em Araraquara e com a decisão indo para as penalidades. Já a Inter chegou à sua primeira final de Copa Paulista. A edição desse ano, assim como em 2016, forneceu duas vagas para campeonatos nacionais do próximo ano, uma para a Série D e outra para a Copa do Brasil. O campeão teve o direito de escolher, e como já esperado escolheu o quarto nível do Campeonato Brasileiro, voltando a disputar uma divisão nacional depois de 15 anos distante. Com isso, a equipe de Limeira acabou ficando com a vaga na Copa do Brasil, competição que nunca disputou.

    Para começar a falar da campanha dos clubes nessa temporada, primeiro há de se destacar o ressurgimento da Inter. No primeiro semestre, um acesso para a Série A2, depois de passar dez anos longe, inclusive chegando ao último nível do futebol estadual no ano de 2010. Apesar de ficar com o vice-campeonato na Série A3, o objetivo foi cumprido. E na Copa Paulista, fez campanha brilhante, sendo o melhor time da primeira fase. Na fase seguinte, ficou em segundo de seu grupo, atrás apenas da AFE, carimbando vaga no mata-mata. Nas quartas, bateu o Linense, nas semifinais superou o atual campeão XV de Piracicaba, nos pênaltis. E na final, fez jogo duríssimo, empatando as duas partidas. Agora o foco é manter essa reconstrução, para nos próximos anos voltar a alçar voos mais altos no cenário estadual, e num futuro próximo voltar a ter representatividade nacional.

    Por sua vez, a Ferroviária parece ter aprendido a jogar a Copa Paulista. Porém, agora a intenção é não precisar mais disputar a competição, e sim utilizar o segundo semestre para jogar campeonatos nacionais, como fará em 2018 na Série D. No ano passado, como já dito acima, foi vice-campeão perdendo a final dentro da Fonte Luminosa, nos penais, para o XV de Piracicaba. Nessa temporada, fez um Paulistão bastante irregular, chegando a correr riscos de rebaixamento até as últimas rodadas, mas conseguiu uma coisa que quase nenhum outro time do Brasil fez no primeiro semestre: vencer o Corinthians. E o aumento da galeria de troféus do clube grená não ficou só por conta do futebol profissional masculino. O clube, representando a cidade de Araraquara, também conquistou o título dos Jogos Abertos do Interior, tanto no masculino quanto no feminino, e foi vice-campeão da Copa Ouro Sub-20, no feminino. Isso mostra o quanto vem crescendo nos últimos anos em estrutura, e pode colher bons frutos nos próximos anos.

    Time contou com grande apoio de seus torcedores.

    Na edição deste ano da Copa Paulista, assim como seu adversário na decisão, também fez grande campanha durante todo o torneio. Na primeira fase, ficou com a segunda colocação no Grupo 1, e na segunda foi o líder invicto do Grupo 5. O primeiro mata-mata foi contra o Santos, que estava utilizando o time Sub-23 na competição, e a AFE sobrou contra os Meninos da Vila. Em Santos, goleou por 4×0, e na Arena da Fonte, nova vitória por 3×2, chegando à semifinal. O adversário foi a Portuguesa, que precisava do título para não ficar sem competições nacionais depois de muitos anos, mas a Locomotiva não se importou com isso e despachou a Lusa, vencendo no Canindé por 2×0, e mesmo com a derrota por 1×0 em Araraquara chegou à sua segunda decisão consecutiva.

    Por último, vamos falar da final. Como esperado, dois jogos equilibradíssimos, e de bom nível. No primeiro, o espetáculo foi um pouco prejudicado pela chuva e gramado pesado, é bem verdade. Mas de qualquer forma, ambas as equipes criaram bastante e o placar só não foi movimentado pela falta de pontaria dos atacantes. Um público abaixo do esperado marcou esse primeiro jogo, já que apenas 3632 torcedores foram até o Limeirão para assistir ao Leão. Enquanto o sentimento dos jogadores da Inter era de lamentação após o empate, os jogadores da equipe grená comemoraram bastante o resultado e o fato de precisar ganhar por qualquer diferença em casa para ser campeão.

    E no jogo derradeiro, diante de um público de praticamente 11 mil torcedores, a Ferroviária parecia que não sofreria tanto para garantir a taça, pois logo aos 15 minutos já estava vencendo o jogo com gol de Hygor, que estava em tarde iluminada. A partida foi para o intervalo, o time treinado por PC Oliveira ia vencendo e conquistando o título, e o sentimento de confiança dos torcedores era muito grande, mas no início do segundo tempo o centroavante Wesley empatou o jogo e o sentimento passou a ser de tensão para a grande torcida afeana. A partir daí, o jogo ficou bastante aberto, parecia que ninguém queria ir para os pênaltis, e o iluminado Hygor fez mais um, aos 36 da etapa final, no que aparentava ser o gol do título. Mas só aparentava, pois ninguém contava que Wesley também estaria iluminado. O camisa 9 fez seu segundo gol na partida, acertando um belíssimo chute aos 49 do segundo tempo e levando a decisão para as cobranças da marca da cal.

    Os torcedores grenás pareciam não acreditar no que viam, e o sentimento de medo veio à tona. Era o medo de passar novamente pelo pesadelo de 2016, a situação era idêntica. Mas dessa vez o final foi outro, apesar de muito sofrido e demorado, para alegria do povo de Araraquara. Nas primeiras 5 cobranças, dois erros para cada lado, sendo uma defesa de cada arqueiro. Depois disso, mais três penais convertidos para cada lado, e depois do acerto de Raniele, Tadeu defendeu a cobrança de Marquinhos, e se tornou o herói do título.

    Tadeu se tornou mais ídolo ainda em Araraquara (Foto: Divulgação/AFE)

    O título veio para coroar a superação dos jogadores, assim como presentear a torcida que tanto sofreu nos últimos anos e ainda premiar o grande trabalho que essa diretoria vem fazendo pelo clube. Para ter uma pequena noção do que esse título representava para todos, basta ver a declaração do técnico PC Oliveira, que já foi campeão mundial de futsal com a Seleção Brasileira, onde ele disse que a Copa Paulista é o título mais importante de sua vida. Não deixa dúvidas do tamanho da conquista! Ano que vem, a Série D espera a Locomotiva!

    Postado por Leonardo Tudela Del Mastre Natural de Sorocaba-SP, amante do futebol do interior paulista e torcedor de São Bento e Corinthians. Além do amor pelo interior, viciado no futebol como um todo. Formado em Processos Gerenciais pelo IFRS.