MODÃO CAIPIRA #56 – Do céu ao inferno
28 de novembro de 2017
Categoria: Modão Caipira

 

O ano de 2017 da Ponte Preta pode ser resumido por essa frase clichê que está no título deste texto. O começo do ano com um ótimo Paulistão, chegando à mais uma final estadual, e o fim do ano com um melancólico rebaixamento depois de três anos consecutivos na elite nacional nos mostram isso.

No início do Campeonato Paulista, o time não engrenou e o técnico Felipe Moreira acabou sendo dispensado ainda no mês de março. Quem assumiu em seu lugar foi Gilson Kleina, que já havia dirigido a equipe entre 2011 e 2012, e a partir de então, o time se acertou e chegou à final do campeonato, eliminando os badalados Santos e Palmeiras nas quartas e semifinais, respectivamente. Apesar da perda do título para o Corinthians e a sina de não conquistar títulos importantes ser mantida, a perspectiva era de mais um Brasileirão tranquilo, como haviam sido os dois últimos, sem brigar contra o rebaixamento.

No início da competição, a temporada parecia caminhar para isso, pois, até a metade do primeiro turno, a Ponte se encontrava na metade de cima da tabela. Mas a má fase apareceu, o time não conseguia mais vencer e nem convencer, a zona do rebaixamento foi começando a ficar próxima e o treinador foi trocado mais uma vez. Dessa vez, Eduardo Baptista assumiu o posto, com a missão de manter a equipe na primeira divisão, como fez no ano de 2016. Mas, o antídoto não funcionou. Numa partida melancólica contra o Vitória, dentro do Moisés Lucarelli, a Ponte saiu ganhando por 2 a 0 e parecia que ia ao menos adiar a queda. Mas só parecia. O zagueiro Rodrigo foi expulso por uma infantilidade absurda, e depois disso o time baiano virou a partida, rebaixou a Macaca e a torcida proporcionou cenas lamentáveis ao invadir o gramado com a intenção de agredir os jogadores pontepretanos.

Invasão lamentável.

E algumas das perguntas que ficam são: porque e quando foi o ponto chave dessa decadência da equipe na temporada? E o time campineiro terá força para se reerguer rapidamente? Tentaremos responder essas complicadas questões.

Começando pela segunda pergunta, a reestruturação da equipe dependerá muito de como será feito o planejamento pela diretoria. Nos últimos anos, parecia que vinha acertando bastante, mas o planejamento de 2017 foi totalmente pífio. Teve três treinadores, mudou o elenco várias vezes durante o ano e não conseguiu dar continuidade ao bom trabalho dos últimos anos. O técnico Felipe Moreira, o primeiro, foi demitido após ser eliminado da Copa do Brasil para o Cuiabá. Até aí, sem problemas, já que a (infeliz) realidade do futebol brasileiro é essa, de que se um técnico é eliminado numa competição importante, já corre riscos. Porém, se olharmos os números, Felipe ficou incríveis oito partidas à frente do time, com quatro vitórias, três empates e uma única derrota, estando em segundo lugar de seu grupo no estadual. Isso mesmo: o treinador que teve o trabalho de montar o elenco e fazer toda a pré-temporada, foi dispensado no mês de março, com menos de dez jogos e apenas uma derrota.

Parecia, porém, que havia sido um acerto. Kleina assumiu, levou o time à final do Paulistão e começou bem no Brasileirão. Mas, de repente, o treinador não conseguia mais bons resultados e depois de uma sequência muito ruim, foi demitido. De março a setembro, comandou a equipe em 37 jogos, vencendo 13, perdendo 14 e empatando dez, e deixando a equipe na beira da zona da degola. Depois disso, Baptista assumiu e não conseguiu salvar o time.

Eduardo Baptista não conseguiu salvar a Ponte neste ano.

Agora, resta saber o que a diretoria aprontará em 2018. Será que Eduardo Baptista vai ser mantido e conseguirá fazer o planejamento que deseja para voltar a dar alegria aos alvinegros campineiros? Será que o técnico que fizer o planejamento e a montagem do elenco terá tempo para trabalhar durante a temporada? Será que as contratações deixarão de ser olhando para o que os jogadores fizeram no passado e sim olhando para o que podem agregar no futuro? Se a resposta dessas perguntas forem positivas, a Ponte pode ter perspectiva de melhora rápida, e pode buscar o retorno à elite já no ano que vem. Agora, se mais “Rodrigos” forem contratados, fica difícil de ver o futuro com bons olhos.

Olhando para esses erros que a diretoria cometeu na temporada, fica até fácil de responder a primeira pergunta. Um elenco envelhecido, com vários jogadores com mais de 30 anos, uma hora ou outra ia acabar perdendo o fôlego. E o técnico escolhido para “salvar a pátria” já vinha de dois trabalhos diferentes no ano. No Palmeiras já tinha dado mostras de que não era o nome ideal para trabalhar com medalhões. E no elenco da Macaca no Brasileirão, tem alguns…

Outro fator que fez o time cair de produção foi a má fase de seu principal jogador. Lucca, atacante emprestado pelo Corinthians, fez grande Paulistão, principalmente nas fases finais, e começou muito bem na competição nacional. Mas, entrou num jejum de gols que durou mais de dez jogos e chegou até a ser agredido fisicamente por alguns torcedores depois do jogo contra a Chapecoense. Desde então, não voltou a ter uma grande fase e não conseguiu ajudar a equipe a se salvar.

A cobrança excessiva da torcida também pode ser colocada com um dos pontos negativos da temporada. É completamente normal, principalmente no Brasil, os torcedores protestarem e cobrarem o elenco quando a fase não é boa. Mas a torcida pontepretana esse ano excedeu todos os limites. Em setembro, como citado acima, agrediu jogadores no aeroporto depois de uma derrota em Santa Catarina. E no jogo que decretou o rebaixamento, mais uma vez parte da torcida causou cenas trágicas, invadindo o gramado após o gol da virada do Vitória, para tentar agredir os atletas que vestiam a camisa da Ponte Preta. Quem ama futebol e ama um clube sabe o quanto dói ver seu time do coração ter uma fase ruim, dói ver o time ser rebaixado dentro de casa. Mas nada justifica o ato desses “torcedores”, de querer agredir os profissionais que deram seu máximo dentro de campo para tentar vencer e salvar o time do rebaixamento.

Por último, não dá para deixar de escrever sobre Rodrigo. O zagueiro, de personalidade forte, jogou 22 partidas no campeonato, tomou cinco cartões amarelos e dois vermelhos. Chegou como reforço no início do campeonato, após sair brigado do Vasco. A Ponte deu oportunidade ao zagueiro de 37 anos, que foi revelado no clube. Durante o campeonato, se envolveu em pelo menos duas confusões: uma contra o Palmeiras, quando foi expulso por discutir rispidamente com o árbitro da partida, e a segunda no jogo contra o Vasco, onde agrediu o treinador Milton Mendes, com quem havia brigado quando ambos trabalhavam juntos no cruzmaltino.

Para completar, foi expulso de maneira totalmente ridícula na partida contra o Vitória, que acabou decretando o rebaixamento. A Ponte vencia por 2 a 0 aos 19 minutos do primeiro tempo, quando, num lance sem bola, Rodrigo deu uma “dedada” no atacante Tréllez, levou o cartão vermelho e dificultou a vida de seus companheiros, que jogando com um a menos, acabaram levando a virada. Aí entra a pergunta: um jogador experiente, com 37 anos, com tanta rodagem como ele, não teria de ser pelo menos um pouco mais inteligente? É impossível defender Rodrigo, não existe nenhum argumento que defenda esse jogador que nos últimos dois anos apareceu muito mais na imprensa por confusões do que por suas atuações dentro de campo. Talvez ele não seja o maior culpado de tudo que aconteceu com a Macaca nessa temporada, mas não existem dúvidas de que ele está marcado negativamente na memória dos torcedores. E com razão.

Rodrigo mais uma vez ficou marcado negativamente.

No ano que vem, depois de muito tempo, teremos o Dérbi Campineiro. Mas, com toda a certeza, os torcedores da Macaca preferiam esperar mais um ano para ter o clássico na elite, com um possível acesso do Bugre. Agora, precisa se planejar para estar novamente entre os grandes em 2019.

Postado por Leonardo Tudela Del Mastre Natural de Sorocaba-SP, amante do futebol do interior paulista e torcedor de São Bento e Corinthians. Além do amor pelo interior, viciado no futebol como um todo. Formado em Processos Gerenciais pelo IFRS.