MODÃO CAIPIRA #12 – O time do quase
4 de setembro de 2015
Categoria: 4-3-3 e Modão Caipira
O início do século XXI foi bom para os times do ABC
paulista. Como já vimos, o Santo André surpreendeu o Brasil em 2004, sendo
campeão da Copa Do Brasil (Confira). Hoje falaremos do São Caetano, que
alguns anos antes havia surgido como uma grande potência do futebol brasileiro,
com grandes participações em campeonatos nacionais e até continentais.
A primeira grande aparição do Azulão do ABC foi na Copa João
Havelange, que foi equivalente ao Campeonato Brasileiro do ano de 2000. O time
comandado pelo professor Jair Picerni, e que contava com nomes como Silvio
Luiz, Adhemar, Serginho, Claudecir e Ailton, chegou até a final da competição,
quando acabou sendo derrotado pelo Vasco numa final totalmente confusa, assim
como todo o campeonato.  
O time “quase campeão”
A primeira
partida, em São Paulo, acabou empatada em 1×1. O empate no Rio, daria o título
ao time cruzmaltino. A partida começou movimentada, mas Romário se machucou no
fim do primeiro tempo, e gerou uma gigante confusão, que culminou na queda dos
alambrados de São Januário, e o cancelamento da partida. O jogo voltou a
acontecer, em janeiro de 2001, e o Vasco venceu por 3×1, com gols de Romário,
Juninho Pernambucano e Jorginho Paulista, enquanto Adãozinho descontou para o
Azulão, e assim, o Gigante da Colina se tornou campeão e frustrou o sonho do
São Caetano pela primeira vez.
Em 2001, surpreendentemente o  time da Grande São Paulo repetiu a campanha,
e foi novamente vice-campeão brasileiro. Na Libertadores, foi eliminado pelo
Palmeiras nas oitavas de final Com mais uma bela campanha no nacional, o Azulão
chegou de novo até a final, e dessa vez acabou perdendo o título para o grande
time do Atlético Paranaense. O Furacão tinha nomes como Cocito, Kleberson, Ilan
e Alex Mineiro, que fez o gol do título. No São Caetano, o time já estava bem
mudado em comparação ao do ano anterior. O treinador ainda era Jair Picerni, e
alguns destaques da equipe eram Mancini, Dininho, Magrão e Anaílson. No
primeiro jogo da final, 4×2 para a equipe paranaense, com hat-trick de Alex
Mineiro. Na volta, no Anacleto Campanella, mais uma vitória do Atlético, por
1×0, gol de Alex novamente. Mais uma vez, o título passou muito perto do
Azulão, mas ficou novamente no quase. Ao menos, a classificação para mais uma
Libertadores, estava garantida.
Foi em 2002 a maior aparição do time para o Brasil e para
toda a América. Foi o momento da sua maior glória (ou quase). O time contava
com nomes como Somália, Rubens Júnior, Russo e Marcos Senna, além de outros que
foram mantidos dos anos anteriores, como o treinador Jair Picerni, o goleiro
Silvio Luiz, o meia Adãozinho e o atacante Aílton, que por muito pouco não teve
seu nome gravado na história.
O momento mais amargo da história do clube
Com uma campanha memorável, passou por Universidad Católica
e Peñarol nos pênaltis, depois de ser primeiro do seu grupo que tinha Cobreloa,
Alianza Lima e Cerro Porteño. Nas semifinais enfrentou o América-MEX, e passou
com um placar agregado de 3×1. O adversário da final seria o Olímpia, e o sonho
do título ficou muito próximo com a vitória por 1×0 lá no Paraguai, com gol do
meia Aílton. O jogo da volta foi disputado no Pacaembu, e o time de São Caetano
ainda saiu vencendo com gol de Aílton novamente. No segundo tempo, veio a
inesperada virada do Olímpia, e o jogo foi para os pênaltis. Marlon e Serginho
desperdiçaram as cobranças, e a equipe paraguaia venceu por 4×2. O título da
América chegou a ser uma realidade para o Azulão, e acabou indo por água abaixo
em 45 minutos mais os pênaltis. Os torcedores não conseguiam acreditar, o time
chegava nas finais e não conseguia ser campeão.
Aquela final foi o ponto mais alto da história do clube, que
depois daquilo acabou mudando bastante. Um título foi conquistado depois dos 3
vices. Em 2004, sob o comando de Muricy Ramalho, o Azulão foi campeão paulista,
com um time muito modificado em relação aos elencos dos anos anteriores.
Contando com Mineiro, Marcelo Mattos, Marcinho, Euller e Fabrício Carvalho, o
clube espantou o fantasma do vice e ganhou do Paulista de Jundiaí. Mas no mesmo
ano, ocorreu o trágico episódio da morte de Serginho num jogo contra o São
Paulo, e a partir daí tudo mudou pro time do ABC.
Com Muricy, o time enfim foi campeão
Desde então, a situação só piorou e os resultados do time
foram ladeira abaixo. Com exceção do vice-campeonato no Paulista de 2007 (sim,
mais um vice), a equipe acumulou rebaixamentos e frustrações. Hoje, disputa a
Série A2 do Campeonato Paulista, e a Série D do Campeonato Brasileiro.
 
Foi uma das ascensões mais meteóricas
de um clube no futebol brasileiro, e porque não mundial. Em 3 anos, a equipe
foi 2 vezes vice-campeã nacional e 1 vez vice-campeã continental. O time que
assombrou no início dos anos 2000 os times da capital (em especial o
Corinthians), quando tinha apenas 11 anos de existência, hoje vive no
ostracismo. Sua queda foi tão rápida quanto a sua ascensão. Será que veremos
isso novamente algum dia? Será que a Associação Desportiva São Caetano voltará
a ter dias de tanta glória? Não temos essas respostas, então nos resta torcer
pelo Azulão do ABC, e por mais surpresas como essas em nosso futebol!

Postado por Leonardo Tudela Del Mastre Natural de Sorocaba-SP, amante do futebol do interior paulista e torcedor de São Bento e Corinthians. Além do amor pelo interior, viciado no futebol como um todo. Formado em Processos Gerenciais pelo IFRS.