Mesmo com má vontade da opinião popular, Jesus continua sendo crucial na era Tite
27 de março de 2019

Gabriel Jesus entrou aos 72 minutos do segundo tempo, marcou dois gols e deu importante vitória para a Seleção Brasileira.

É inegável que a Copa do Mundo fez mal a Gabriel Jesus. O fato do camisa nove ter finalizado a principal competição do planeta sem marcar nenhum gol afetou não só seu desempenho, como também a forma como ele é tratado atualmente – não só pelo torcedor, mas também pela imprensa. Foram cinco jogos, nenhum gol e apenas uma assistência. Além do próprio desempenho aquém do esperado, todos viam que Firmino era o jogador mais preparado para ser o titular da posição na Copa. Tudo isso pesou para que Jesus fosse de “nove do hexa” à “Gabriel Jejum”, em tão pouco tempo.

Vamos recapitular: Jesus convenceu Tite que era o goleador que a Seleção precisava pelo período pré-copa. Logo que o treinador assumiu, lançou Gabriel, na época com 19 anos, como titular. A resposta foi imediata: Brasil 3 a 0 no Equador, em Quito, com dois gols do atacante, além de um pênalti sofrido. Também é preciso ressaltar que a Seleção vivia um período conturbado e havia chance real de ficar fora da próxima Copa. As boas atuações persistiram e ele terminou as Eliminatórias com sete gols, quatro assistências, em apenas 10 jogos – sendo artilheiro da nova era Tite.

A evolução assombrosa apareceu nos clubes também: campeão brasileiro pelo Palmeiras, sendo escolhido o melhor jogador do campeonato; logo em seguida a chegada que superou as expectativas no Manchester City, de Guardiola, só mostraram que Jesus parecia realmente ser o futuro da camisa nove canarinha. Pelo Palmeiras, o ano de 2016, mesma temporada de estreia pela Seleção, foram 21 gols e cinco assistências, além da já mencionada escolha como melhor jogador do Brasileirão. No City, em apenas 11 jogos, foram sete gols e cinco assistências – ou seja, participação em gols maior do que o número de partidas jogadas.

Chegou a Copa do Mundo e as coisas mudaram. O menino aclamado por torcedores e imprensa teve atuação abaixo do que vinha fazendo nas últimas temporadas e, até então, pela primeira vez na carreira, pareceu ter sentido o peso de uma fase ruim. Isso se refletiu nos primeiros jogos da época pelo Manchester, pós-copa. Atuações apagadas, poucos gols, baixo tempo de jogo. Foi circulado a possibilidade da um possível empréstimo na metade da temporada e as coisas pareciam entrar em colapso para ele.

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Porém, como quase tudo na vida, os ciclos se alteram e a boa fase parece ter batido na porta de Jesus. O atacante reencontrou as redes e já totaliza 17 gols na atual temporada, praticamente um gol a cada 111 minutos. Além dos gols, também contribuiu com quatro assistências. Em um momento importantíssimo para o City na temporada, Gabriel parece dar sinais que pode ser importante para o time – já que os azuis de Manchester ainda estão disputando três frentes.

Jesus vai se reencontrando com a camisa do Manchester City. Foto: Lindsey PARNABY / AFP

Já pela amarelinha ele perdeu espaço como titular, mas vem ajudando vindo do banco de reservas. Depois de ficar fora da primeira convocação, voltou na segunda chamada de Tite, marcou um gol no amistoso contra a Arábia Saudita e agora dois gols contra a República Tcheca – sendo que os últimos gols tem um caráter importante não só para ele, mas também para Tite, que já começava a se sentir pressionado pelas más atuações do Brasil. Em resumo, Jesus marcou 13 gols, deu seis assistências, em 26 jogos com a camisa amarela – uma média considerada boa.

Jesus sofre mais do mesmo: jovem jogador brasileiro que surge com grande expectativa, com grande aceitação popular, mas que na primeira fase ruim é rebaixado a “pereba” por todos que antes o apontavam como um grande prospecto futuro.

Nem 8, muito menos 80. Não se vê potencial para Jesus disputar prêmios de melhor jogador do mundo, mas também não é um jogador descartável – muito pelo contrário -, continua sendo um jogador com grande potencial, que ainda têm muito a amadurecer, mas que será útil à Seleção, não só agora, como também no futuro.

Postado por Lucas Basílio 19 anos, aspirante a jornalista, amante de música e comida japonesa. Acima de tudo apaixonado por aquilo que me move: o futebol.