Méritos a quem merece
9 de abril de 2019
Categoria: Futebol e Nacional

Sampaoli deu o folclórico “nó tático” no Pacaembu.

As discussões do dia seguinte ao segundo embate entre Corinthians e Santos, pela semifinal do Campeonato Paulista, foram dominadas por uma palavra: covardia. Para grande parte dos torcedores e até mesmo da crítica especializada, faltou coragem a Fábio Carille durante o embate vencido pelos comandados de Sampaoli por 1 a 0 – nos pênaltis, o time da capital levou a melhor.

Os comentários, porém, ignoram ou quase anulam os méritos do Santos – que foram muitos – na partida. Sim, é fato que o técnico corinthiano é reativo e, muitas vezes, joga para segurar a vantagem. Nesta segunda-feira, porém, não foi isso que se viu. O clássico que decidiu o segundo semifinalista foi mais do que uma atuação covarde do Timão. Foi uma enorme partida do time mandante.

Não há como dizer que a intenção de Fábio Carille era o anti-jogo praticado por seus comandados. Rifar todas as bolas não fazia parte dos planos. Se não, Pedrinho não teria sido escalado. A intenção era ter o contra-ataque e a trabalhar a bola – coisa que Vagner Love faz menos, por ser mais vertical. Quisesse “fechar a casinha” por completo, Ramiro era uma opção – e o próprio Love não viria no segundo tempo.

O que aconteceu, porém, é que o plano não funcionou. Se teve covardia, passou longe de ser proposital. Com um “3-2-5”, como o próprio definiu, o Santos sufocou o Corinthians por 90 minutos. Anulou as laterais, povoou o campo adversário e tirou do jogo peças chaves como Clayson e Sornoza. Faltou apenas profundidade e precisão para, quem sabe, aplicar uma goleada.

No dia seguinte a isso, o ideal não é culpar o treinador que perdeu pelo que foi o jogo, mas dar os méritos ao comandante que venceu. Depois de duelos equilibrados em Itaquera, Sampaoli acabou com o time de Carille e só não à final, porque estamos falando de futebol.

É preciso esquecer a história de que o Corinthians jogou assim porque quis. Jogou assim porque não conseguiu jogar. Foi muito inferior ao adversário e, por isso, preocupa seu próprio treinador antes da decisão contra o São Paulo.

O esporte pode até não ser justo, mas a análise tem de ser. O argentino merece muitos méritos pelo que vimos ontem. Foi a confirmação de um time competitivo para a temporada que está por vir – a torcida só deve estar pensando “ah, se tivesse um 9″…

Postado por Andrew Sousa Formando-se em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.