MEMÓRIA FC #35 – O jogador que “matou” suas avós
30 de outubro de 2018
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Quais são as desculpas que vocês usam quando querem faltar o trabalho ou a escola para fazer outra coisa? Normalmente inventar um problema de saúde leve é a solução mais procurada, entretanto alguns corajosos costumam ir além do trivial para justificar uma falta. Dentre as desculpas mais pesadas, se encontra a opção de “matar” algum parente seu, tendo assim a prerrogativa do enterro como um acontecimento irrefutável. A morte normalmente acontece com algum membro mais velho da família, como os avós, por exemplo. Agora, vamos para a história de hoje:

Na época de transição de plebeu para estupidamente rico, o Manchester City contava com alguns jogadores interessantes em seu plantel. Sthepen Ireland era um deles. Caso tenha acompanhado o esporte ou até mesmo os games desta época, saberá quem é o jogador. Nascido na Irlanda (quem diria, hein) e meio campista, o atleta inspirava voos bem altos para a sua carreira. Dotado de grande talento e uma bela margem de crescimento, era considerado uma das grandes promessas, naquela época. Seu futebol o levou naturalmente para a seleção irlandesa, onde esperava-se muito do garoto.

Foi então que em 2007 uma coisa extremamente bizarra rolou. A seleção do seu país estava em busca de uma vaga para a Eurocopa de 2008 e tinham acabado de empatar em 2 a 2 com a Eslováquia, o próximo adversário era a -na época- forte seleção da Republica Tcheca. Eis que subitamente, Ireland pediu dispensa da delegação alegando que sua vó materna havia falecido. Demostrando preocupação com o seu atleta, a federação irlandesa chegou a fretar uma avião para Cork, na Irlanda, para facilitar a vida do jogador. Sthepen até mesmo comunicou Sven Goran Eriksson (técnico citizen na ocasião) do ocorrido.

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Ele tinha futuro com essa camisa verde.

Após uma breve investigação do técnico irlandês (Steve Staunton) e alguns jornalistas, veio à tona a verdade. A tal avó morta, na verdade estava vivíssima. Patricia Tallon ficou chocada ao ler o que seu neto havia inventado, mas passava bem. Questionado quando a história contada, o jogador ainda tentou uma evasiva, alegando que na verdade havia se referido a sua avó paterna. Brenda Kitchener então foi procurada, localizada e constatada saudável e plena em Londres. Relutando-se a dar o braço a torcer, o meio campo teve a incrível pachorra de inventar uma terceira história totalmente mirabolante. Segundo ele, seu avô tinha uma ex mulher da qual havia se divorciado, e na verdade tudo se tratava a morte dela. A mentira já estava notavelmente exposta, não havia mais jeito.

Percebendo a grande vergonha que estava passando e sua reputação sendo manchada, Ireland resolveu admitir o erro publicamente. “Eu percebi agora o grande erro que cometi, ao dizer que minhas avós estavam mortas e me arrependo bastante disso. Foi errado e eu peço desculpas pelos problemas que causei para diversas pessoas. Peço desculpas para as minhas avós e para toda a minha família. Eu aprendi uma lição valorosa com este erro e espero que todos os afetados por isso me perdoem.” Declarou o jogador.

Eriksson o classificou como “estúpido”, enquanto o técnico da seleção o afastou do time por um tempo, já que sua ausência no fatídico jogo contra os Tchecos foi sentida e a Irlanda acabou perdendo por 1 a 0. Pressionado a revelar o real motivo da mentira, Sthepen enfim se abriu e revelou que na verdade, foi a Cork ver a sua namorada, Jéssica, que havia sofrido um aborto espontâneo e estava terrivelmente mal psicologicamente. A federação posteriormente declarou que se o jogador tivesse revelado a verdade, entenderia o problema e o liberaria. Isso acabou deixando a atitude do meio campo ainda mais bizarra.

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Ele nunca mais foi o mesmo.

Após ser temporariamente afastado da seleção, o atleta chegou a ser chamado em outras ocasiões, entretanto alegou que não estava preparado psicologicamente para o chamado, recusando o convite do seu país. Sthepen aos poucos foi sumindo dos jogos do City, até deixar o clube em 2009. Algum tempo depois, sua avó (sim, uma das famigeradas) conversou com Roy Keane sobre uma eventual volta do meia ao selecionado. Keane respondeu que as portas estão sempre abertas, mas que depende muito mais do próprio Ireland, que amargou uma descendente após este evento e nunca mais foi o mesmo.

Atualmente o irlandês tem 32 anos e atua no Bolton, na segunda divisão inglesa. Ele só fez míseros seis jogos com a seleção.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.