MEMÓRIA FC #31 – Os menores estádios que já receberam uma Copa do Mundo
15 de junho de 2018
Categoria: Memória FC

 

Estamos cada vez mais acostumados com as super arenas modernas do futebol, com suas capacidades colossais e suas estruturas apoteóticas, tudo muito espetacular e imponente, sobretudo em uma Copa do Mundo. Mas nem sempre foi assim. O principal torneio do nosso esporte favorito já viveu tempos bem diferentes dos atuais, que são -excessivamente- padronizados. Estádios com 15, 10 e até 8 mil lugares de capacidade receberam seleções históricas. Não acredita? Então se liga na lista abaixo!

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– Pocitos (Montevidéu, Uruguai – Copa do Mundo de 1930)
– Capacidade da época: 8 mil

Foi onde ocorreu o primeiro gol da história do torneio mais encantador do esporte, marcado pelo francês Lucien Laurent, na vitória francesa de 4-1 frente ao México. O estádio era de posse do maior clube do Uruguai, o Peñarol, que mandou seus jogos ali entre 1921 e 1933. No local foram realizados dois jogos daquela edição da Copa, o já citado França 4×1 México e Romênia 3×1 Peru (este, o jogo com menos pagantes na história das copas, 300).

O estádio acabou sendo demolido entre as décadas de 30 e 40, em prol de um processo de urbanização da capital uruguaia. O antigo círculo central do gramado, hoje abriga uma lavanderia na esquina de uma rua como qualquer outra.

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– Littorio (Trieste, Itália – Copa do Mundo de 1934)
– Capacidade da época: 15 mil

Inaugurado em 1932 para a Copa que viria dois anos após, o local manteve esse nome até 1943, quando passa a se chamar “Estádio de Valmaura”. 14 anos depois, uma nova mudança -dessa vez definitiva- por conta da tragédia que matou o super time do Torino quase todo em 1949, o lugar recebeu o nome de um notório jogador morto no acidente nascido em Trieste e passou a se chamar Estádio Giuseppe Grezar.

O local era a casa do Triestina (clube que hoje joga a terceira divisão italiana), até 1992, quando o time passou a jogar no Estádio Nereo Rocco. Hoje o campo está desativado e é usado apenas para atletismo.

Lá foi disputada a partida entre Tchecoslováquia x Romênia, com vitória da Tchecoslováquia por 2×1.

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– Fort Carré (Antibes, França – Copa do Mundo de 1938)
– Capacidade da época: 8 mil

Construído em 1935 na cidade de Antibes, o estádio recebeu um único jogo, uma sonora goleada da seleção sueca pra cima de Cuba nas quartas de final, um humilhante 8×0.

O local se encontra em atividade até os dias de hoje, é a casa do FC Antibes, um clube que atualmente disputa as divisões regionais amadoras da França, mas, na década de 30, se manteve por 7 temporadas na elite. Curiosamente, a localização do estádio é praticamente a “beira mar”.

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– Auguste Delaune (Reims, França – Copa do Mundo de 1938)
– Capacidade da época: 9,5 mil

Seu nome é em homenagem ao antigo secretário da federação esportiva francesa, Auguste Delaune, que foi um dos símbolos da resistência ao nazismo. Infelizmente ele acabou capturado pelos alemães e torturado pela Gestapo, morrendo em 1943. O estádio abrigou a goleada da Hungria por 6×0 nas Índias Holandesas (atual Indonésia).

O local é a casa do Stade de Reims, clube que já foi vice campeão europeu nos anos 50, mas hoje, disputa a segunda divisão nacional. Em 2004 o estádio tradicional foi demolido, sendo construído uma nova casa para o clube no mesmo local, dessa vez com capacidade para 21 mil pessoas.

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– Victor Boucquey (Lille, França – Copa do Mundo de 1938)
– Capacidade da época: 15 mil

Outro estádio que adora trocar de nome. Começou como L’avenue de Dunkerque, passou para Victor Boucquey (como se chamava no ano da Copa) e terminou como Henri Jooris, até ser demolido em 1975. O local foi palco de uma triste tragédia em 1946, onde em um jogo entre Lille Olympique e  Racing Club de Lens, uma das tribunas acaba cedendo, ferindo 56 pessoas, felizmente ninguém morreu. A construção foi interditada, voltando apenas alguns meses depois.

A Hungria venceu a Suíça lá, em jogo válido pelas quartas de final, por 2 a 0.

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– Independência (Belo Horizonte, Brasil – Copa do Mundo de 1950)
– Capacidade da época: 15 mil

Sim! O Horto foi uma das sedes da primeira Copa realizada no nosso país. Curiosamente, o estádio foi palco do jogo que é considerado a maior zebra da história do torneio, a tão lembrada vitória da seleção americana frente os ingleses. A vitória do Iugoslávia sobre a Suíça por 3 a 0 e a sonora goleada uruguaia na Bolívia de 8 a 0, também foram lá.

O estádio foi da prefeitura de BH até meados dos anos 60, quando foi concedido ao Sete de Setembro. O América Mineiro fez contato com o novo dono e fechou uma estadia de 20 anos no local, com ampliação para mais 50. Porém, em 1997 o América acaba adquirindo o Sete de Setembro e arrendando consequentemente, seu estádio. Em 2010 o estádio foi reduzido a quase nada, para uma reforma que demorou praticamente um ano, se tornando então o Independência que conhecemos hoje.

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– Vila Capanema (Paraná, Brasil – Copa do Mundo de 1950)
– Capacidade  da época: 13 mil

Talvez um dos únicos estádios a ser construído por outro motivo, sem ser a Copa. O Ferroviário crescia bastante pela região e necessitava de um local bom para mandar seus jogos. Inaugurado em 1947, o estádio era, naquela altura, o terceiro maior do país inteiro, perdendo apenas para o Pacaembu e para São Januário.

Com o tempo, o Ferroviário se tornou Colorado, que anos depois passou a se chamar Paraná, em função das diversas fusões entre clubes durantes os anos. Em 2005 a Vila enfim se reformou, aumentando sua capacidade para algo em torno de 20 mil pessoas, o Paraná manda seus jogos lá até os dias atuais.

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– Eucaliptos (Rio Grande do Sul, Brasil – Copa do Mundo de 1950)
– Capacidade da época: 10 mil

Este foi o primeiro estádio do Internacional, o antecessor do Beira Rio. Por ser rodeado por eucaliptos, ganhou este nome. Foi inaugurado 19 anos antes da Copa do Mundo no Brasil e durou até 1969, quando o Inter fez sua última partida no sagrado local.

Em 1999 o clube gaúcho resolveu reativar o lugar, porém sem grandes utilizações, vindo abandonar de vez o estádio oito anos depois, o dinheiro da venda foi utilizado na reforma do Beira Rio para a Copa de 2014. O lugar só foi demolido de fato em 2012, hoje um condomínio residencial tomou seu espaço. O Eucaliptos recebeu duas derrotas do México no torneio de 50, contra Iugoslávia e Suíça.

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– Braden (Rancagua, Chile – Copa do Mundo de 1962)
– Capacidade da época: 11 mil

Escolhido de uma maneira emergencial após o forte terremoto que atingiu o Chile dois anos antes da Copa e inviabilizou a candidatura das cidades afetadas, Braden tapou buracos e acabou recebendo sete jogos da competição, incluindo as quartas de final entre Tchecoslováquia e Hungria.

Em 1971 o lugar passa a se chamar El Teniente, nome que perdura até os dias de hoje. O Deportivo O´Higgins manda seus jogos lá atualmente. Após uma reforma em 2008,  e estádio acabou sendo uma das sedes da Copa América realizada no Chile, em 2015.

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– Carlos Dittborn (Arica, Chile – Copa do Mundo de 1962)
– Capacidade da época: 13 mil

Nomeado em homenagem ao então presidente da Conmebol, que acabou falecendo antes mesmo da inauguração, em 1962, ano do mundial. O estádio recebeu, como seu parceiro de Copa, sete jogos do campeonato. Inclusive, foi marcado lá o único gol olímpico da história das Copas, feito pelo colombiano Marcos Coll, frente a União Soviética.

Na época, a cidade de Arica teve de se submeter a um racionamento de água semanal, para que o gramado do estádio fluísse em boas condições de jogo. Em 2014 o local foi reformado e hoje recebe os jogos do San Marcos de Arica, que disputa a segunda divisão nacional.

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– Luis Dosal (Toluca, Méximo – Copa do Mundo de 1970)
– Capacidade da época: 15 mil

O único estádio da lista a ser sede de duas Copas, visto que abrigou jogos da Copa de 86, quando já reformado, comportava 30 mil pessoas. É um dos templos do esporte mais antigos do México e recebeu três jogos de cada Mundial que sediou.

Em 2015 passou por uma modernização em comemoração ao centenário do seu clube proprietário, o Toluca. Curiosamente, o estádio atualmente é conhecido como La Bombonera, sim.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.