MEMÓRIA FC #28 – A queda e a ascensão da bandeira vermelha
8 de fevereiro de 2018
Categoria: Memória FC

 

Em 6 de fevereiro de 1958, o Manchester United que encantava o mundo com um esquadrão cheio de jovens jogadores, teve o sonho de ser campeão internacional interrompido. O trágico acidente aéreo de Munique deixou 23 mortos na delegação, entre eles oito jogadores: Duncan Edwards, Roger Byrne, Mike Jones, Eddie Colman, Tommy Taylor, Lian Whelan, David Pegg e Geoff Bent.

“Isso é para mostrar ao mundo que não abaixamos a cabeça após a tragédia. Porque como nós nos comportamos agora, vai determinar como seremos no futuro. Formaremos uma equipe e temos que arrumar força”, essas foram as palavras de Jimmy Murphy, assistente de Matt Busby.

Os Red Devils começaram a se reerguer já naquele ano de 1958, com Jimmy Murphy assumindo o comando da equipe interinamente. Mesmo com a equipe em pedaços e com um clima melancólico ao redor do elenco, Murphy conseguiu o incrível feito de chegar na final da Copa da Inglaterra daquele ano, mas acabou perdendo a partida por 2×0 para o Bolton Wanderers. A reedificação do gigante inglês começou com as chegadas de Denis Law e George Best, ambos chegaram ao Manchester United em 1963, e logo no primeiro ano de clube, conquistaram a Copa da Inglaterra, título este que foi o primeiro após o desastre de Munique.

Best e Law foram pilares da reconstrução.

A temporada de 1964–65 seria de tamanha importância tanto para o clube, tanto para Denis Law. O United protagonizou uma final de Campeonato Inglês acirradíssima contra o Leeds United, onde o vencedor foi definido somente pelo “Goal Average”, que era um quociente do número de gols marcados pelo do de gols sofridos. A temporada marcaria o início da rivalidade com o Leeds United e ainda coroaria Denis Law com a Bola de Ouro, prêmio que foi concedido pela revista francesa France Football.

Na temporada seguinte, de volta à Copa dos Campeões, o Manchester viria a enfrentar o Benfica de Eusébio e CIA. Logo no primeiro confronto, o United conseguiu fazer 2×1 em Old Trafford numa partida complicada, porém, o United tinha uma difícil tarefa, o time precisava ir até Estádio da Luz e segurar o jogo. Bem, o United fez isso e até um pouco mais, foi à Portugal e venceu o Benfica por 5×1 com direito a uma atuação magistral de George Best, três gols, sendo dois deles em 12 minutos de jogo. George que depois desta partida virou um xodó para a torcida do Manchester United. Na próxima fase o clube enfrentou o Partizan e foi eliminado da competição.

Na temporada de 1967-68, o Manchester United apostou todas as suas fichas na Copa dos Campeões e viu o rival, Manchester City, levar o Campeonato Inglês. Desta forma, o United pode se concentrar completamente na Copa e estreou vencendo o Hibernians, de Malta, numa goleada por 4×0 com ‘show’ de Denis Law. No jogo de volta, um empate sem gols, que garantiu o time nas oitavas de final. Nas oitavas o Manchester enfrentou o Sarajevo. A primeira partida foi fora de casa e o clube inglês conseguiu segurar um empate por 0x0. Já no jogo de volta, o Manchester United ganhou o confronto por 2×1 numa bela partida com gols de Best e Aston.

Nas quartas de final o Manchester iria enfrentar um time polonês chamado, Górnik Zabrze. O United teve muitas dificuldades para eliminar esta equipe, passou para a próxima fase num agregado de 2×1 (2×0 e 0x1). Na semifinal o Manchester iria enfrentar uma pedreira, o Real Madrid de Gento e companhia. No primeiro jogo George Best colocou os Diabos Vermelhos em vantagem no placar, e o a partida acabou 1×0. Na segunda partida, um embate histórico, 3×3 com duas viradas emocionantes, e lá estava o Manchester United pela primeira vez numa final de Copa dos Campeões, dez anos após o maior desastre de sua história. O adversário na final, seria um velho conhecido: o Benfica de Eusébio, Simões e José Torres.

Estádio de Wembley, 90 mil pessoas, uma atmosfera jamais vista antes num jogo dos Diabos Vermelhos. O United teria um desfalque muito importante, Denis Law, que havia se contundido. Porém, isso não atrapalhou o clube inglês, ao contrário, só fez com que o Manchester fosse com mais garra para cima da equipe portuguesa, o que deu muito certo. Aos oito minutos do segundo tempo, Bobby Charlton abriu o placar com um lindo cabeceio. Logo após, aos 34 minutos, Jaime Graça empatou o jogo, e levou a partida para a prorrogação.

O United enfrentou o Benfica de Eusébio na final continental. Popperfoto/Getty Images

Dois tempos de 15 minutos, e Matt Busby resolveu aproveitar da velocidade de seu poderio ofensivo e mandou o time ir para cima. O resultado? Três gols em seis minutos. George Best desempatou a partida aos 93, Brian Kidd ampliou aos 94 e Bobby Charlton fechou o placar aos 99. O Manchester United sagrou-se campeão da Copa dos Campeões e colocou o nome da Inglaterra, enfim, ao topo do mundo. A consagração de George Best, que no final da temporada foi o ganhador da Bola de Ouro e de Matt Busby que viria a ganhar da Rainha Elizabeth II, o título de Sir. Era o (re)começo de um gigante.

Postado por Emanuel Felipe Estudante de 16 anos, apaixonado pelo Clube Atlético Mineiro e adepto do Manchester United. Adora um bate-papo sobre o mundo da bola.