MEMÓRIA FC #27 – Schiaffino e a mentira que durou 44 anos
26 de janeiro de 2018
Categoria: Memória FC

 

Restando menos de um ano para a Copa do Mundo na Rússia, inúmeras histórias da maior competição do mundo nos veem a cabeça. Lances polêmicos, golaços, grandes dribles, goleadas e, claro, os grande campeões, nunca serão esquecidos. Em todas as edições, há algo que a marque na história.

Quando se fala do mundial de 1950, lembra-se, obviamente, de um jogo apenas: a final entre Brasil e Uruguai, no Maracanã. O gol de Ghiggia marcaria seu nome na história, decretando o título uruguaio em uma das finais mais icônicas de todos os tempos. Outro campeão, no entanto, pode ser considerado histórico. Tanto por sua habilidade quanto pela malandragem.

Considerado um dos melhores jogadores daquela Copa do Mundo, Juan Alberto “Pepe” Schiaffino nasceu em 1925, na cidade de Montevidéu, e morreu em 2002. Iniciou sua carreira como jogador de base do Palermo, time pequeno de seu país. Em 1943, se transfere ao Peñarol após passar por outros dois clubes. No ano de 1945, Juan alcança a seleção principal do Uruguai.

Grandalhão de extrema habilidade em encontrar seus companheiros livres, o jogador passou nove anos da sua carreira no Peñarol. Em 1954, se transferiu ao Milan, que viria a ser o clube aonde marcaria o seu nome como ídolo – foram seis anos, 171 jogos e 60 gols. De 1960 a 1962, Juan jogou pela Roma, fazendo seus últimos jogos da carreira na capital italiana.

Uruguaio virou ídolo no Milan

Mesmo em meio a tantas glórias e boas atuações, uma mentira também marcou sua carreira. Em seu único jogo na primeira fase da Copa, o Uruguai venceu a Bolívia por 8 a 0, no estádio Independência, em Minas Gerais. A partida entrou para a história pelo recorde de Schiaffino, ao marcar cinco gols em um mesmo jogo do mundial – a marca só fora quebrada 44 anos depois.

Em 1994, o russo Salenko, que viria a ser o artilheiro daquela edição da Copa, marcou cinco tentos contra Camarões, igualando a marca do uruguaio. “Pepe” ouvia isso mudo. Apesar disso, pouco antes de Baggio perder o pênalti que daria o título ao Brasil, o meia atacante uruguaio comprovou a famosa tese de que uma mentira contada muitas vezes acaba virando verdade. O atleta confessou não ter feito cinco gols naquela histórica partida. Bem menos que isso. Na verdade, nem artilheiro da partida ele foi – ao rever o jogo, a FIFA concluiu que Míguez marcou três gols, Perez, Vidal e Gigghia um cada e Schiaffino, apenas dois.

Só fiz dois golos nesse jogo. O que é estranho é que a FIFA não tenha acertado com o resultado. Atribuíram-me quatro golos, o que não é certo, e também cinco, o que é ainda pior“, admitiu o jogador, depois de “sustentar” o recorde por anos.

Com ou sem o recorda, Juan foi um excelente e icônico jogador. Meio-campista de excelente controle de bola, somado à incrível visão de jogo, foi um dos melhores jogadores uruguaios da história e um dos mais inteligentes em campo também. Não a toa foi definido assim por Cesare Maldini: “Tinha um radar no cérebro”.

Nós, brasileiros, tivemos o azar de encontrá-lo pelo caminho, naquele fatídico dia em 1950. Após o Maracanazzo, inclusive, o treinador Flavio Costa rasgou elogios ao jogador e garantiu que foi ele quem “acabou com nossas pretensões”. No fim, ter o recorde ou não pouco importa.

Postado por Rafael Brayan Torcedor do Corinthians e adepto do jogo inglês, sou apaixonado pelo futebol bem jogado. A única coisa que pode ser comparado a assistir um bom jogo é uma conversa sobre este esporte com bola.