MEMÓRIA FC #25 – El Pibe de oro poderia ser ainda maior
17 de julho de 2017
Categoria: Memória FC

 

O ano é 1978 e a Copa do Mundo está a poucos meses do seu início. Sediada na Argentina, era a oportunidade perfeita para a seleção da casa ganhar seu primeiro torneio mundial. Como o país vivia em um regime ditatorial, havia uma certa pressão para que os argentinos enfim levantassem sua primeira taça de Copa.

Um ano antes, estreava um calouro com a camisa azul e branco. Um jovem de 17 anos estava dando o que falar pelo país inteiro. Ele jogava pelo Argentino Juniors, era baixo e tinha um penteado desgrenhado, apesar da cara de colegial. Atendia pelo nome de Maradona.

Suas aparições eram tão espetaculares pelo seu clube que já se especulava que o jogador poderia vir a ser o argentino mais jovem a disputar uma Copa do Mundo. A seleção comandada por César Luiz Menotti tinha como craque o atacante Mario Kempes, na época.

Diego estreou contra a Hungria em 1977 e este foi o único jogo do garoto antes de sair a lista inicial (aquela, com 40 nomes) para o torneio mundial, com seu nome incluso. Com a certeza de que haveriam cortes, os jogadores selecionados seguiram para os amistosos de preparação até a data da convocação final. Na mídia argentina, muito se perguntava sobre quem seria o 10 daquele time. Maradona era o jogador mais novo entre os 40 chamados.

Sua atuações pelo Argentinos Juniors o levaram a pré convocação da Copa do Mundo, aos 17 anos.

Em um claro ambiente competitivo estava Norberto Alonso, meio campo do River Plate na época, que também vinha em ótima fase e era visto como principal adversário de Diego na busca por uma vaga na lista definitiva. No dia 15 de abril a Argentina enfrentou a Irlanda, Alonso não foi relacionado para a partida e Maradona esteve no banco. Apesar do clamor da torcida, El Pibe entrou muito perto do fim e nada de relevante fez. Sua seleção venceu por 3 a 1.

No dia 29 daquele mesmo mês, a seleção iria testar as instalações do remodelado estádio do Velez Sarsfield. Estrearam a reforma com uma partida noturna entre titulares e reservas, desta vez com Beto Alonso em campo, os titulares venceram o amistoso por 3 a 1, o único gol dos suplentes foi marcado por Maradona. A imprensa argentina dava como certa a exclusão de Beto e a ida de Diego a Copa de 78.

Eis que chega o dia “D”. Estava marcada para a tarde de 19 de maio a divulgação da lista final que cortaria os últimos três nomes e sacramentaria o elenco definitivo para aquele torneio. Os três escolhidos foram: Alfredo Bottaniz, Humberto Rafael Bravo e…

Diego Maradona.

O país inteiro se perguntava porque deixar o menino de ouro de fora da lista final. Quando perguntado sobre a decisão, César foi sucinto: “Me perdoem, mas não darei explicações, não as tornarei públicas, haviam 25 jogadores e só se pode inscrever 22. Todos sabiam que seria assim”.

Há um livro interessantíssimo sobre Dieguito que também discorre muito bem sobre este caso, chama-se “Vivir em Los Medios”. É um compilado de 50 comentaristas que acompanharam toda a carreira do grande jogador que foi Maradona.

Alguns comentaristas defendiam a decisão do técnico com o argumento de que El Pibe ainda era muito jovem e poderia jogar diversos mundiais pela carreira, enquanto alguns ali estavam tendo a chance da vida. Já outros jornalistas insistiam na teoria de que a ditadura liderada por Carlos Alberto Lacoste teria pressionado Menotti a levar Beto Alonso.

Um dos jogadores que foi ao mundial daquele ano, o atacante Luque, contou em entrevista reproduzida no “El Dia”, da Argentina, que o técnico não levou Diego para aquele torneio pois já havia se comprometido em levar outros nomes em uma reunião com quatro jogadores, aproximadamente um ano antes. Coincidentemente, os atletas mencionados eram todos do River Plate na época. O goleiro Fillol, Daniel Passarella, Beto Alonso e o próprio Luque.

Teorias a parte, o fato é que Maradona não foi a Copa e, consequentemente, não se tornou campeão mundial em 78, tendo alcançado o feito oito anos mais tarde. Caso tivesse presente no plantel, El Pibe repetiria o feito do Pelé, ao ser campeão mundial com apenas 17 anos e teria dois mundiais em seu vasto legado histórico.

Será que veríamos uma cena parecia com essa?

Deixando um pouco de lado as polêmicas envolvendo este título, é bem claro que, mesmo com a Argentina campeã, todos sabiam que com Dios ao lado seria mais fácil.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.