MEMÓRIA FC #12 – Sem Luvas
2 de setembro de 2015
Categoria: 4-3-3 e Memória FC
 Com toda certeza a copa de 70 foi uma das conquistas mais marcantes do nosso país em copas do mundo, um time com Carlos Alberto, Everaldo, Gérson, Rivellino, Clodoaldo, Jairzinho, Tostão, Pelé, Edu e com Zagallo de técnico não poderia ser algo abaixo de “galático”.

Visto isso, temos muitas histórias sobre este torneio maravilhoso, porém, destacarei a que mais me chamou a atenção:

A posição de goleiro é o lugar mais injusto nas quatro linhas, talvez mais injusto até que o lugar de juiz, não importa o quanto o goleiro seja bom, um lance pode acabar com toda uma carreira vitoriosa e regular, vide Barbosa.

O que pouca gente sabe, é que até o começo da década de 70, os goleiros no Brasil não usavam luvas pra jogar, até tentaram impor esse tipo de vestimenta na década de 30 quando Jaguaré Bezerra um goleiro da época, foi jogar na Europa e acabou por usar luvas pelo fato do lugar ser muito frio, quando voltou ao Brasil tornou a usar luvas, porém  a “moda” não pegou e os goleiros daqui continuaram a jogar sem proteção alguma nas mãos.

Bom, sabemos que no Brasil temos uma certa resistência com a evolução do nosso tão amado esporte, até hoje é assim, temos os adeptos do  #odioaofutebolmoderno e temos os #futebolgourmet, é até engraçado de certo ponto.

O goleiro brasileiro destoava

Essa pirraça brasileira se estendeu até a copa de 1970 no México, onde todos os goleiros das seleções participantes usavam luvas menos Félix, goleiro da nossa seleção.

O próprio dizia não gostar do adereço, se sentia mais a vontade sem elas e os jogadores confiavam mais nele dessa forma, toda a imprensa europeia quando o viu sem luvas na copa o criticou chamando-o de antiquado e cafona, mesmo assim Félix operava milagre atrás de milagre como na cabeçada do inglês Francis Lee e queima roupa no jogo contra a Inglaterra, ou até mesmo na semifinal contra a respeitada seleção Uruguaia, jogo em que o Brasil vencia por 2×1 na marca de 40 minutos do segundo tempo, quando em uma cabeçada de Luis Cubilla no canto esquerdo fez o Brasil inteiro tremer, mas antes mesmo de pensarmos que poderia entrar, Félix pulou para espalmar a bola que tinha o endereço das redes, a zaga afastou no rebote e aos 42 Rivellino fez o gol que matou o jogo e levou o Brasil a final do torneio.

Mesmo na final, a imprensa insistia em tirar sarro do arqueiro brasileiro, cansado disto e disposto a mostrar para todos o quanto era capaz, Félix decidiu entrar na final usando luvas, logo no ultimo jogo da copa do mundo, o goleiro iria entrar com um aparato que nunca havia usado antes. Seus companheiros de time enlouqueceram, muito diziam para ele não usar as luvas, que era o jogo final e não podiam se dar ao luxo de caírem em preciosismos, Félix não deu ouvidos e permaneceu confiante no seu potencial e na sua habilidade como goleiro.

Félix provou ser capaz com ou sem luvas

O resultado todos sabemos, 4×1 com direito a baile e golaços, Félix que além de criticado pela imprensa europeia também era cornetado por alguns brasileiros, que preferiam Leão de titular, calou a boca de todos.

Goleiro é realmente a posição mais injusta do mundo, mas não para Félix.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.