Longe dos Holofotes #27 – Leandrinho
6 de outubro de 2018

 

Sonhar com uma carreira no futebol é ignorar fronteiras. Ao fazer uma peneira, um garoto já está ciente que não há restrições com clube, país ou continente. Foi esse o caso de Leandrinho. Ainda garoto, enfrentou uma mini-maratona do que é a vida de um atleta: ouvir negativas, não ter oportunidades e, com muita luta, conquistar seu espaço.

“Comecei fazendo na Portuguesa e não passei. Depois passei no São Paulo mas não tive oportunidades e acabei não jogando. Depois voltei na Portuguesa e deu certo. Comecei a treinar, mas como não tinha ajuda de custo e minha família não podia me manter, acabei parando“, relembrou o jogador, que não desistiu com as primeiras portas fechadas.

De volta à várzea, Leandrinho chamou atenção de um empresário e ganhou uma chance no Matsubara, do Paraná. Com o bom rendimento por lá, foi a vez de rumar a Portuguesa de Londrina. O jovem jogador não fazia ideia do que o esperava.

“Um treinador da Costa Rica foi ver alguns jogadores e acabei indo para o Herediano. Praticamente
foi lá que eu comecei minha carreira. Tinha 20 anos, mas a adaptação foi muito rápida, tanto no futebol quanto a cultura, idioma. Foi muito bom. Uma oportunidade que eu agarrei“, destacou.

E como agarrou. Logo na primeira temporada, foi artilheiro e revelação do campeonato nacional. O alto nível atingido chamou atenção de clubes europeus e, mais do que isso, de quem comandava a Seleção da Costa Rica. Surgiu, então, o convite para se naturalizar.

Conversei com o Óscar Ramirez algumas vezes, que era o treinador da Seleção e foi meu técnico. Existiu a possibilidade, mas acabei não conseguindo por não morar lá por cinco anos. No fim não deu certo e não tenho a pretensão de voltar à Costa Rica hoje, mas talvez queira, já no fim da carreira, me aposentar no time que comecei, o Herediano”, valorizou.

Com o Herediano, Leandrinho fez sucesso na Costa Rica.

Os cinco anos não foram cumpridos por conta de um sonho: ir à Europa. Um ano depois de desembarcar no país da América do Norte, rumou ao futebol belga para defender as cores do Zulte Waregem. Mesmo encontrando mais dificuldade, também se adaptou ao nível do país e conseguiu se manter no velho continente, agora em Portugal.

“No Paços de Ferreira, não fiz minha melhor temporada. Tive muitas lesões e não consegui uma sequência, mas em relação ao futebol e ao país, tudo muito bom. Infelizmente não tive muita sorte“, lamentou o jogador, que não abaixou a cabeça.

Depois de rodar por alguns países alternativos, como México, Arábia Saudita, Irã e Guatemala, o brasileiro retornou a Europa, dessa vez para atuar no futebol turco. Desde 2016 na Turquia, Leandrinho se adaptou bem e fez boas temporadas por Denizlispor, Sivasspor e Karabukspor antes de chegar ao Umraniyespor, seu atual clube.

Me adaptei muito bem. Tive sorte em relação ao futebol, porque é meu estilo, de força, de potência e velocidade. Consegui aproveitar mais as minhas virtudes e estou contente. As coisas tem dado certo e espero me manter aqui em alto nível por muito tempo. Trabalho muito, porque é um futebol forte, com muitos estrangeiros de qualidade”.

Leandrinho pretende ficar na Turquia por muito tempo.

No país, encontrou algo muito parecido com o que conhece do Brasil: os torcedores. A paixão é ainda maior por estrangeiros, sobretudo para brasileiros, que remetem os turcos a um dos maiores nomes a passar pelo país: Alex.

Em relação ao fanatismo, a Turquia é muito parecida com o Brasil. Eles gostam muito de futebol e os estádios sempre estão cheios. Adoram estrangeiros e aonde veem brasileiros falam do Alex, que é um ídolo aqui no futebol local. Muitos estrangeiros vieram e deram certo, por isso os turcos gostam muito”, conta.

Em seu quarto ano na Turquia, Leandrinho já pensa em fazer o que não conseguiu na Costa Rica: se naturalizar. O processo, no entanto, não tem a seleção como foco. Com a naturalização, o brasileiro não seria mais encaixado nas limitadas vagas para estrangeiros, ganhando mais estabilidade no país que aprendeu a amar. Apesar dos planos, um retorno ao Brasil, é claro, nunca está descartado.

Por que não, né? Tenho muita vontade de jogar um Campeonato Brasileiro. Acho que me adaptaria muito fácil ao futebol do país, porque é muito mais lento do que estou acostumado a jogar, intensidade mais baixa. Acompanho alguns jogos e aqui fora se joga num ritmo mais alto. Me adaptaria. Quem sabe, se pintar uma oportunidade. Gostaria sim de atuar no Brasil”, pontuou.

Enquanto não volta, Leandrinho segue desempenhando bom papel na Turquia. Como faz desde o início da sua carreira, na Costa Rica. É mais um a escrever uma bonita história sem holofotes e com muito suor.

Postado por Andrew Sousa Formando-se em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.