Longe dos Holofotes #25 – Auremir
22 de março de 2018

 

Um apaixonado pelo futebol precisa decidir, ainda muito jovem, se quer fazer do sonho sua profissão. A partir desse momento, conciliar estudos, lazer, família e treinos se torna um grande desafio. Com Auremir, lateral de 26 anos que atualmente defende o Sivasspor, da Turquia, não foi diferente.

“Foi complicado, como é para a grande maioria dos brasileiros, mas no fim tudo caminho bem. Pude jogar toda a base na minha cidade e concluir os estudos. Por tudo isso eu agradeço muito a minha família”, relembra, em entrevista ao Blog 4-3-3.

Natural de Recife, deu os primeiros passos de sua carreira no Naútico, um dos maiores clubes do estado do Pernambuco. Duas temporadas depois de ser promovido ao time principal, atraiu o interesse do Vasco da Gama. Em 2012, ainda com 20 anos, embarcou em sua primeira aventura longe de casa, rumando ao Rio de Janeiro por empréstimo.

“Foi uma grande mudança. O Vasco é um gigante do nosso futebol e quando eu fui tinha uma grande equipe, com bons jogadores. No entanto, foi uma excelente oportunidade e consegui me adaptar fácil, muito por conta dos grandes atletas que tinha ao meu lado. O Juninho Pernambucano me ajudou muito por lá”, conta.

No clube carioca, não repetiu as grandes atuações que vinha tendo no nordeste. Mesmo assim, acabou participando de uma excelente campanha cruzmaltina. Os poucos jogos em São Januário, no entanto, tem uma justificativa: a posição dentro de campo.

“Fui jogar numa função que nunca foi a minha preferida, mas penso que fiz um bom trabalho. Ficamos em quinto colocado no Brasileirão, posição que o Vasco só conseguiu repetir no ano passado. Foi uma passagem curta, mas intensa. Fico feliz de ter tido essa oportunidade”.

No Vasco, passagem curta.

Depois do Rio de Janeiro, as viagens viraram rotina. Nos quatro anos seguintes, passou por cinco clubes de três regiões diferentes: Naútico, Paraná, Fortaleza, Sampaio Corrêa e Guarani. As constantes mudanças, no entanto, não o atrapalharam. Para ele, inclusive, essas múltiplas realidades acabaram o ajudando.

“Foram importantes para eu amadurecer e atingir o nível que estou hoje. Todos os clubes tiveram importância na minha vida, umas pessoas, outras profissionais. Eu extraí o máximo de cada região em que tive a oportunidade de jogar e sou muito feliz por isso”.

Depois do período de mudanças e absorção de experiências, Auremir chegou ao auge no interior de São Paulo. Em Campinas, achou seu melhor futebol e tornou-se referência no Guarani. As boas atuações lhe renderam uma nova aventura. Mas não mais em outra região e sim em outro país.

“No Guarani eu vivi 14 meses do melhor momento da minha carreira, o que me fez vir à Turquia. Por aqui foi um início muito difícil. Idioma, ritmo de jogo, que é mais intenso, mas graças a Deus me adaptei e consegui me firmar na equipe“, conta o orgulhoso jogador, que conta com massivo apoio da torcida nas partidas pelo Sivasspor.

No Guarani, viveu o melhor momento de sua carreira.

“Os torcedores na Turquia são fantásticos, apaixonados. Nossa torcida não é diferente, sempre nos motiva muito quando jogamos em nossa casa”, completou.

Com inúmeros estrangeiros no seu time e uma cultura diferente, Auremir percebeu logo de cara que o clima no vestiário era outra. As “resenhas” são mais dispersas e raras. É dentro de campo que a linguagem universal da bola fala mais alto. Apesar do clima mais frio fora das quatro linhas, o brasileiro tem um compatriota daqueles para dividir o dia a dia: Robinho.

“É um ótimo jogador e pelo que tenho conhecido uma ótima pessoa. Além dele tem um uruguaio, estamos sempre juntos conversando quando estamos no clube”, disse, antes de rasgar elogios ao “Rei da Pedalada”.

Antes fã, Auremir divide vestiário com Robinho na Turquia.

“Tecnicamente, sim, é o melhor que já joguei. É diferente. Tem muita qualidade técnica para resolver jogos e nos ajuda muito desde que chegou. Eu me lembro que, quando tinha 16 anos, queria ser como o Robinho. Tive a sorte de compartilhar vestiário com ele e vê-lo jogar. Me sinto feliz por isso. Admiro ele e muitos outros jogadores. Juninho Pernambucano, Correa (ex-Palmeiras), porque além de grandes jogadores, são muito profissionais. Os admiro por isso”.

Tendo vivido as várias realidades da carreira de um jogador, Auremir sabe: não há atalhos. O único caminho para o sucesso no meio da bola é o trabalho, seja longe ou perto dos holofotes. Da primeira viagem ao Rio de Janeiro até o futebol turco, muito suor molhou seus uniformes.

“Para quem quer começar no futebol, só posso dizer que se dediquem ao máximo, se esforcem para conciliar futebol com os estudos e se cerquem de boas pessoas, para ter bons conselhos na vida profissional e pessoal. Corram atrás do seu sonho, se vocês se dedicarem muito e for da vontade de Deus, vai dar tudo certo”, finalizou.

Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.