Longe dos Holofotes #22 – Rodrigo Pinho
1 de fevereiro de 2018

 

A vida de um jogador de futebol é repleta de transformações. Dentre as mais impactantes estão, com certeza, as mudanças frequentes de país e a consequente readaptação às novas culturas e línguas, que fazem despertar curiosidade – e certo temor – naqueles que, ainda garotos, decidem por entrar de cabeça no mundo do esporte profissional. Rodrigo Pinho foi um desses meninos sonhadores. Inspirado no pai, ex-jogador do Flamengo, almejava seguir os passos do mestre que o ensinou a gostar da bola. No entanto, o atacante tinha algo o diferenciava dos demais: além do talento inegável, era acostumado as grandes mudanças. Nascido na Alemanha, na cidade de Henstedt-Ulzburg, veio para o Brasil ainda muito novo e, desde cedo, encarou de frente as novidades:

“Tudo começou com meu pai! Sempre o tive como um espelho pra mim e sempre quis seguir seus passos. Nasci na Alemanha, quando meu pai jogava lá, mas voltamos muito cedo pro Brasil, tinha apenas um ano de idade”.

A maior inspiração de Rodrigo é seu pai.

Mesmo com todo foco e força de vontade, Pinho passou por altos e baixos em sua trajetória. No início, o pai, seu maior ídolo, não viu com bons olhos a vontade do menino em viver do esporte. Conhecido como Nando nos tempos de profissional, o pai do atacante, então, repetiu ao garoto o bordão que todos nós ouvimos desde criança: “têm que estudar!”. Pinho acatou ao desejo de seu mentor e decidiu afastar-se das quadras de futsal, onde deu seus primeiros passes. Foi assim que viu-se separado, em definitivo, dos ginásios e das chuteiras sem trava.  No entanto, a saudade da bola – essa, irremediável – fez com que retornasse rapidamente à sua paixão. Dessa vez, fazendo de seu palco os gramados:

“Comecei a jogar muito cedo no futsal, mas depois parei. Meu pai não queria muito que eu seguisse esse caminho e acabei optando pelos estudos. Só voltei a jogar com 17 anos, quando terminei o ensino médio”.

Vendo a persistência de Rodrigo, Nando tratou de incentivar o filho a seguir a carreira que, anos antes, também havia lhe encantado. Com um sonho na cabeça e a força extra que faltava, Pinho começou na base do Bangu e chegou a ser artilheiro do Campeonato Carioca Sub-20 pelo clube. A atuação no time alvirrubro chamou atenção do Madureira Esporte Clube, onde o centroavante fez um ótimo Estadual. Tão bom que, ao final do campeonato, seu empresário o comunicou do interesse do Braga, de Portugal. Apesar de ter recebido propostas de outros clubes brasileiros, o desejo de jogar em solo europeu e o anseio por estabilidade profissional fizeram com que Rodrigo Pinho tomasse uma decisão a qual já estava habituado. Resolveu mudar-se.

O excelente rendimento no Campeonato Carioca atraiu os olhares do futebol português.

Muito embora o solo europeu tenha sido o lar de seus primeiros dias de vida, transições nunca são fáceis e o atacante diz ter sofrido tanto física quanto psicologicamente em terras lusas:

 “Apesar da língua ter ajudado, não foi fácil. Era a minha primeira vez longe de casa. E ainda por cima sofri com lesões no meu primeiro ano aqui, fato que atrapalhou muito meu psicológico e dificultou uma adaptação mais rápida. Passei por uma cirurgia e, assim que voltei, fui emprestado pro Nacional. Ainda não estava 100% e acabei não jogando muito lá”.

Lesões atrapalharam a passagem de Rodrigo no Braga.

Passado o período de turbulência, o centroavante voltou para uma segunda temporada no Braga. Foi escalado no time B, para recuperar-se, mas não demorou a ocupar o lugar que lhe cabia: o de jogador da equipe principal. A boa temporada pelos braguistas fez com que o Club Sport Marítimo se interessasse por seu passe e, em 29 de julho de 2017, Rodrigo Pinho assinou com o clube por quatro temporadas. Atualmente o Marítimo ocupa a 6ª colocação do Campeonato Português e conta com o brilhantismo do atacante para buscar uma vaga na Liga Europa e tentar a glória continental.

“Acho que o fato de ter feito uma boa pré temporada, não ter tido nenhuma lesão e ter uma sequência boa de jogos como titular trouxeram minha confiança de volta e com isso os gols e as boas atuações acabam acontecendo naturalmente”. 

Adulto, veterano nos campos e consagrado no futebol português, o atacante está feliz com sua carreira, mas, como era de se esperar, ainda tem o desejo de, no futuro, alçar outros vôos e, quem sabe, retornar aos países em que residiu nos tempos de garoto. Nada mais natural para um homem que é movido a desafios:

“Tenho o desejo de jogar uma série A no Brasil sim, mas quero ficar na Europa mais alguns anos ainda. Seria muito bom jogar na Alemanha, poder conhecer melhor o país, pois voltei de lá muito cedo e não tenho mais nenhuma relação com país”.

No Marítimo, conseguiu a confiança que faltava para decolar. Já são dez gols na temporada.

A insistência de Rodrigo Pinho em ser jogador de futebol e a sede de mudanças que o acompanhou por toda a carreira, fez com que o atacante transformasse o que mais importa na vida de uma pessoa: seu destino.  A frase com que ele descreve sua trajetória não poderia ser mais perfeita: “Nunca desista dos seus sonhos!”.

“Gostaria de agradecer a oportunidade de falar um pouco da minha carreira e mandar um grande abraço a todos que me acompanham e torcem por mim”. 

Postado por Camila Queiroz Advogada e estudante de Letras, sempre viu na leitura e na escrita um modo de ganhar e seguir a vida. Aprendeu a amar o futebol com o pai e o time de coração com a mãe. Conheceu o Blog 4-3-3 pelo irmão e o prazer em criar conteúdo para ele pelo namorado. Ou seja, escrever aqui é, mais do que uma demonstração de amor ao esporte, uma homenagem à família.