Longe dos Holofotes #21 – Gedeilson
29 de setembro de 2017

 

Embora seja sonho de grande parte da população brasileira, o futebol, obviamente, não é um dos meios mais fáceis de construir uma carreira. Diante do panorama, a preocupação da família de Gedeilson tinha fundamento, afinal, apostar tudo no sonho podia ser um tiro no escuro e perigoso demais. Apesar das dificuldades, logo todos se juntaram ao tio do garoto e passaram a acreditar que o futuro do carioca era mesmo com a bola nos pés.

“No começo meus pais não acreditavam muito (risos). Depois as coisas foram andando, eles começaram a me acompanhar de verdade e passaram a dar força total. Mas quem me apoiou de fato, inclusive me levando para os treinos, era um tio meu de consideração, já falecido. O sonho dele era me ver jogando no Flamengo. Mas independente de tudo isso, sempre fui muito determinado naquilo que queria”

Com o objetivo traçado, Gedeilson e seu tio passaram a tentar. Para a alegria deles, os resultados foram positivos logo de cara. As famosas peneiras receberam o garoto duas vezes e, em ambas, ele foi um dos escolhidos. A primeira foi no CERES F.C, onde permaneceu na categoria infantil. A outra foi mais definitiva, no Bangu, onde atuou por quatro temporadas e assinou seu primeiro contrato profissional. Os êxitos, no entanto, tiveram a companhia constante de obstáculos, todos superados pelo jogador, que se beneficiou da proximidade de casa para se manter firme.

“O início foi bem árduo, passei por algumas dificuldades na época que por pouco não me fizeram desistir do futebol, mas felizmente superei todas elas. Estar no Rio me ajudou muito, justamente por estar perto da minha família, o que é sempre muito importante”

O Macaé foi um dos clubes defendidos por Gedeilson em seu estado natal.

No futebol, porém, todos que começam sabem que o mundo vira sua casa. Na dinâmica do esporte, o Rio passou a ser passado rapidamente e o lateral-direito de muita velocidade, drible e força rumou a Minas Gerais para defender as cores do Ipatinga. Mesmo jovem, ainda com 20 anos, o lateral se adaptou muito bem ao estado e atuou ainda por outras duas equipes.

“Achei que seria pior, mas felizmente não foi. Tive uma adaptação rápida, muito boa. Passei por Ipatinga, Belo Horizonte e Tombos e me adaptei muito bem a todas essas cidades”

Além da diferença de clima e cultura de cada estado, Gedeilson enfrentou uma mudança de patamar dentro das quatro linhas. Foi no Ipatinga que o lateral teve a oportunidade de disputar a Serie B do Campeonato Brasileiro pela primeira vez. Assim como fora de campo, a adaptação não foi difícil e o atleta se saiu bem com as adversidades.

“Pra mim não foi tão difícil já que eu era novo e era meu primeiro ano jogando um campeonato nacional. Tudo ali pra mim era positivo, pois servia de experiência. As situações mais difíceis foram a do rebaixamento e a do recebimento dos salários, já que eu não fui pago. Ainda assim, Deus abriu uma grande porta pra mim e no ano seguinte me transferi para o América MG”

Em Minas, Gedeilson defendeu o América na capital.

No Coelho da capital, Gedeilson não conseguiu se firmar. Daí para frente enfrentou um dos maiores problemas na carreira de jogadores brasileiros: a quebra de sequência. Foram quatro clubes e dois estados diferentes no espaço de dois anos. O período descrito compreende as temporadas de 2013 e 2014, quando o carioca defendeu América e Tombense, de Minas, e Bragantino e Linense, de São Paulo.

“Aqui no Brasil se o cara fizer um jogo ruim ele não presta mais. O jogador, pra ter uma sequência, tem muita dificuldade. É tudo para ontem, se for mal, sai e não joga mais. É complicado. Atrapalha muito. O jogador precisa ter uma sequência de jogos. Como o atleta vai ganhar confiança se no sábado ele joga e na terça ele está no banco? Não há como se adaptar dessa maneira”

Depois do período de constantes mudanças, Gedeilson voltou a ter sequência em uma equipe mineira. Mais do que isso, acabou sendo peça importante na surpreendente campanha do Tombense durante o Campeonato Mineiro de 2015 – a equipe parou na semifinal do estadual.

“A lembrança que eu tenho guardada é da entrega que nós, atletas, tínhamos a cada jogo. Particularmente foi um ano muito bom, pois pude jogar todo o Campeonato Mineiro e toda a Série C. Estive em campo na partida onde derrotamos o Cruzeiro dentro do Mineirão. Eles estavam há um ano sem perder no seu estádio e nós fomos lá e ganhamos deles! Foi muito especial. Excetuando a Série B que eu fiz pelo Ipatinga em 2012, creio que foi meu melhor momento, pois tive uma ótima sequência”

Depois do longo período no Tombense, o lateral, agora com 25 anos, foi contratado pelo Cuiabá para a disputa da Série C desta temporada. Apesar da boa campanha, a equipe bateu na trave na busca pelo acesso à segunda divisão nacional. Com 23 pontos, o time do centro-oeste brasileiro ficou a dois de se classificar para as quartas de final. Embora tenha boa estrutura, o clube está em uma das regiões de atenção nos grandes veículos, como conta Gedeilson, projetando um acesso em breve de sua ex-equipe – o jogador está atualmente sem clube.

“Eu cheguei para a Série C. Achei que a nossa chave era mais disputada que a outra. Temos muitos campeões estaduais nesta competição e isso a torna muito difícil. Acho que deveriam olhar mais para o estado e também para o Cuiabá. Fortaleza, Remo, Sampaio e outros contavam com muita atenção da mídia. A estrutura e as condições do clube aqui são excepcionais. O presidente é super correto. Podem esperar que logo logo irão ver esse time na Série B”

O lateral defendeu as cores do Cuiabá na Série C deste ano.

Como fez quando criança, Gedeilson segue correndo atrás de seu sonho. Inspirando-se na família, o lateral quer voltar a disputar a segunda divisão do país em 2018. Mas esse é só um dos passos que quer dar. Fã de Léo Moura pelo tempo que o experiente jogador passou no Flamengo, o carioca segue em busca daquilo que seu tio tanto sonhou. Não, não estamos falando de jogar no rubro negro. Estamos falando do futebol. Vendo a trajetória do jogador, fica claro que, vestindo vermelho e preto ou não, ele é um orgulho para todos que o apoiaram na carreira.

“Agradeço a todos aqueles que sempre estão na torcida por mim. Familiares, amigos e torcedores. Muito obrigado pela oportunidade e pelo carinho de todos vocês do Blog 4-3-3!”

Postado por Andrew Sousa Formando-se em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.